O futuro do PC nunca foi tão brilhante, porque Tablets também são PCs

(http://pcworld.uol.com.br/noticias/2013/06/06/o-futuro-do-pc-nunca-foi-tao-brilhante-porque-tablets-tambem-sao-pcs)
Brad Chacos, TechHive
Não estamos presenciando a morte dos PCs, mas sim sua transformação. E a demanda por essa “nova forma” não para de crescer.

O céu está caindo! O céu está caindo! Depois de um primeiro trimestre devastador onde todos os principais fabricantes de PCs (com exceção da Lenovo) tiveram prejuízo na casa dos dois dígitos, os analistas da IDC revisaram recentemente suas estimativas e prevêem uma assustadora queda de 7,8% nas entregas de PCs neste ano. Isso é algo muito ruim sob todos os aspectos, especialmente se considerarmos que a queda de 4% no ano passado já deixou a indústria atordoada.

Mas o que importa é que todas estas previsões estão completamente erradas. O céu não está caindo, e de fato a “fome” dos consumidores por novos PCs nunca foi tanta, desde que você ajuste os números para levar em conta um… “erro de nomenclatura”.

Como diria William Shakespeare: "Que há num simples nome? Aquilo que chamamos de rosa, com outro nome, teria igual perfume”. E os tablets, os mesmos “carrascos” que estão causando tanto dano ao mercado de PCs, também são na verdade PCs, apesar de muitas pessoas argumentarem fervorosamente o contrário.

Não atire no mensageiro!

Calma lá! Pode abaixar essa pedra. Sou tão entusiasta dos PCs quanto possível. Acabei de montar um destkop novinho “do zero”, e gastei um tempo considerável apenas analisando as melhores soluções para o gerenciamento de cabos. Já fiz “case mods”. Overclock? também (overclock da RAM, aliás, não vale a pena). Eu até procurei meios para eliminar a interface moderna do Windows 8, porque para tirar o desktop dos meus PCs você terá de passar por cima de meu cadáver.

Ou seja, eu amo os PCs, mas meus computadores vão além do meu desktop. Ao lado do meu enorme gabinete torre equipado com um processador quad-core há uma pequena pilha de notebooks. Um deles é um híbrido com Windows 8. Próximo a eles está meu Raspberry Pi, e ao lado dele meu Nexus 7, me chamando para abrir apps como o Pulse, Pocket e Netflix. Também tenho um velho “tablet” com Windows XP que funciona muito mal, graças à tela pequena. E adoraria adicionar um monstrinho como o ASUS Transformer All-In-One P1801 à minha coleção.

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O Raspberry Pi não é muito maior que um cartão de crédito. Mas é um PC
(Crédito: Jwrodgers / Wikimedia Commons)

E as máquinas controladas por gestos, usando gadgets como o da Leap Motion? Ou por comandos de voz? Acho que você entende onde quero chegar: todos são PCs, e a forma não determina a função.

Os Tablets também são PCs

Isso pode soar como um sacrilégio, mas sempre considerei os tablets como sendo uma forma “evoluída” do PC, em vez de uma coisa completamente diferente. E não me venha com aquela baboseira de que eles são só “smartphones gigantes”.

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Microsoft Surface Pro com sua caneta e a capa/teclado "Type Cover"

“Creio que os tablets atuais, especialmente aqueles com telas de 10 polegadas ou mais, estão mais para uma extensão do PC do que de um smartphone”, diz Patrick Moorhead, fundador e principal analista na Moor Insights and Strategy. “A profundidade da experiência com uma tela grande é muito mais próxima de um PC”.

De fato, os tablets já podem lidar com a maioria das tarefas de computação casuais, de produtividade básica à navegação na web, streaming de mídia e mais, com confiança. Mais ainda se você adicionar a eles um teclado Bluetooth ou uma daquelas capas com teclado do Microsoft Surface Pro. É verdade, os tablets não podem fazer tudo o que um desktop pode fazer, mas os notebooks também não.

Mesmo que você esteja “em cima do muro” na questão de se tablets com Android ou iOS são computadores de verdade, agora temos os tablets com Windows para embolar o meio de campo. Um tablet Windows 8 com um processador Intel ou AMD pode fazer qualquer uma das tarefas que um desktop “completo” pode fazer, embora a experiência possa ser mais próxima de um netbook do que de uma torre com um processador de oito núcleos.

“Já usei quatro diferentes aparelhos com processadores Atom da família Clover Trail, e embora eu adore a autonomia de bateria de 10 horas e a capacidade de rodar aplicativos desktop, eles não são perfeitos na multitarefa, especialmente para usuários avançados como eu”, diz Moorhead. “Eles não aguentam um punhado de programas mais uma sessão do Chrome com 10 abas abertas ao mesmo tempo”.

Os testes da PCWorld EUA em tablets com processadores Clover Trail como o Samsung ATIV Smart PC mostram resultados similares. A navegação na web, edição básica de documentos e outras tarefas igualmente leves rodam bem, e vídeo em alta-definição é reproduzido sem nenhum soluço, embora a multitarefa deixe tudo muito mais lento, e o desempenho em uma tarefa mais exigente, como a edição de imagens, deixe qualquer um abismado.

Novamente, será que os tablets atenderão às necessidades de todos? Claro que não. Nem os notebooks. Mas não há como negar que os tablets atuais são computadores pessoais (e lembrem-se de que PC significaPersonal Computer, ou Computador Pessoal) perfeitamente capazes, talvez até computadores profissionais perfeitamente capazes.

As diferenças começam a sumir

Ainda precisa ser persuadido? Dê uma olhada nos hábitos de uso. Embora a maiora das manchetes vá para lindos e sofisticados Ultrabooks, faz muito tempo que a maior parte das vendas de PCs ocorre na categoria de máquinas abaixo dos US$ 500. As pessoas querem computadores simples que apenas façam seu trabalho. Para o consumidor final, um PC é como um microondas: se esquentar a comida direitinho, o design e as receitas pré-programadas não importam.

Esse nicho costumava ser ocupado por notebooks com Windows, mas agora está sendo invadido pelos tablets (e cada vez mais, no exterior, pelos Chromebooks). E dá pra ficar surpreso, considerando que a experiência de uso em um tablet de US$ 200 como o Nexus 7 brilha em comparação às frustrações de um notebook de US$ 200 (se é que dá pra encontrar um)?

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Para um usuário comum, um PC é como um microondas

E observe o que acontece na “fronteira” onde os tablets e notebooks se encontram. Não importa se você chama esta interação de sinergia, “mashup”, convergência ou sei lá o quê, ela está acontecendo.

“Os notebooks menores estão basicamente se transformando em tablets com teclado”, diz Moorhead. Veja o Surface Pro da Microsoft, que tem o espírito, mas não a forma, de um Ultrabook, e híbridos como o Lenovo IdeaPad Yoga 13. “Da mesma forma, o que você vê em tablets grandes é que eles estão se tornando essencialmente PCs ultraportáteis. Qualquer tablet com preço acima dos US$ 400 que não possa ser facilmente conectado a uma dock ou teclado simplesmente não irá vender”.

De fato, os híbridos e conversíveis podem ser a solução mágica para alavancar os tablets com Windows.

E avanços tecnológicos estão tornando a já tênue linha entre um “Tablet” e um “PC” mais tênue ainda. Novos processadores para sistemas portáteis da Intel e AMD prometem o poder de processamento de um notebook em aparelhos com o tamanho, peso e formato de um verdadeiro tablet, reduzindo as limitações encontradas na primeira geração de híbridos com Windows.

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Com sua tela de altíssima resolução e processador poderoso, o
Nexus 10 encara todas as tarefas do dia-a-dia sem esforço.

Enquanto isso, uma nova geração de processadores como o Qualcomm Snapdragon 800 e o Nvidia Tegra 4 estão aumentando o poder das máquinas de arquitetura ARM, tornando os “droids” e iPads cada vez mais poderosos.

Um futuro brilhante e diverso

Um dia iremos olhar pra trás, rir e nos perguntar como foi que as pessoas consideravam os tablets como sendo qualquer coisa que não um PC. E nesse dia vamos nos dar conta de quão boba foi toda essa preocupação com o “futuro” do PC.

É verdade que as vendas de desktops e notebooks estão caindo, mas as de tablets estão disparando. Pelas contas do IDC, a venda combinada de tablets e PCs deve chegar à casa de 734 milhões de unidades em 2017. Isso é um monte de computadores. Em 2011, os desktops e laptops sozinhos chegaram à casa de 364 milhões de unidades.

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Some as linhas vermelha e azul e você verá para onde o futuro aponta

Mudar nunca é fácil. Lembre-se do que a migração para os notebooks fez com “gigantes” do mercado de desktops como a Gateway (hoje uma subsidiária da Acer) e Compaq (absorvida pela HP), e compare com os tormentos hoje sofridos pelas parceiras da Microsoft. Gigantes tendem a cair.

Mas tenha coragem, mesmo em meio a toda esta luta. Os tablets estão em ascensão, mas os PCs que você conhece e ama não irão desaparecer tão cedo. Estamos testemunhando uma evolução, não uma revolução. E a demanda por computadores, de todas as formas e tamanhos, nunca foi tão insaciável.

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