Samsung Galaxy Camera: corpo de câmera, cérebro de smartphone

(http://pcworld.uol.com.br/reviews/2013/05/30/samsung-galaxy-camera-corpo-de-camera-cerebro-de-smartphone)
Rafael Rigues
Combinando o corpo e óptica de uma câmera fotográfica digital com o “cérebro” de um smartphone, aparelho torna muito fácil fazer e compartilhar belas imagens e aponta o futuro da fotografia.

A fotografia é uma das atividades mais populares entre os usuários de smartphones: não é à toa que as três câmeras mais populares no Flickr, um site especializado em fotografia, são smartphones (o iPhone 4S, o iPhone 5 e o iPhone 4, respectivamente). Em parte devido à praticidade: os smartphones são pequenos, leves e estão sempre em nossos bolsos, o que os torna perfeitos para aquele “clique” de ocasião.

Mas também há o fator “social”: muitas vezes fazemos fotos pensando especificamente em dividir um momento com amigos e familiares. E é muito mais fácil fazer isso em um smartphone, onde bastam alguns toques na tela para capturar, editar e compartilhar uma cena, do que com uma câmera tradicional, onde no mínimo você precisa encontrar um PC onde descarregar as fotos antes de qualquer outra coisa.

Ainda assim, as câmeras tradicionais tem suas vantagens. Entre elas sensores maiores, que captam mais luz e possibilitam fotos melhores, especialmente em situações onde a iluminação é precária. O zoom óptico nos possibilita captar em detalhes mesmo objetos distantes, e sistemas de estabilização de imagem compensam o movimento das mãos e reduzem o risco de fotos borradas.

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Samsung Galaxy Camera. O flash (no canto superior direito) é retrátil

Mas e se fosse possível combinar os dois? Criar um aparelho tão prático pra fotografar e compartilhar quanto um smartphone, mas com o zoom, sensibilidade à luz e qualidade de imagem de uma câmera de verdade? Foi o que a Samsung tentou fazer com a Galaxy Camera.

Hardware

De relance a Galaxy Camera parece uma câmera doméstica comum. A cor branca (no nosso modelo, ela também está disponível em preto) chama a atenção, mas a lente e a empunhadura emborrachada à esquerda dela não deixam dúvidas de que é uma câmera, não muito diferente de outros modelos da própria Samsung como a WB850F. Ela pesa 300 gramas e mede cerca de 12,8 cm de comprimento, 7 cm de altura e tem em média 1,9 cm de espessura, não contando a lente.

Os únicos controles físicos são o controle de zoom acima da empunhadura, um botão liga-desliga próximo a ele e um botão para levantar o flash (com uma lâmpada de verdade, e não LED como na maioria dos smartphones) na lateral direita. Todo o resto é controlado através da tela LCD sensível ao toque, com 4.8 polegadas e resolução HD (1280 x 720 pixels), na traseira. Sua visibilidade sob a luz do sol não é das melhores: você vai ter que colocar o brilho no máximo se quiser fotografar em um dia ensolarado.

A lente Samsung de 23 mm tem zoom óptico de 21x (4.1 a 86.1mm) e a abertura vai de f/2.8 a f/5.9. O sensor de imagem tem 16 MP. São as mesmas especificações da WB850F, o que me leva a suspeitar que a Samsung aproveitou todo um conjunto de imagem que já tinha no novo projeto.

Mas se a Galaxy Camera tem o corpo de uma câmera, o cérebro é de um smartphone, mais especificamente do Galaxy S III. Ela é baseada no mesmo processador Exynos quad-core, rodando a 1.4 GHz E acompanhado por 1 GB de RAM. Há menos memória interna, 4 GB, com um slot para cartões microSD de até 64 GB.

E como em todo smartphone moderno, ela tem GPS, Wi-Fi (nos padrões 802.11 a/b/g/n), Bluetooth 4.0 e 3G: o slot para o cartão microSIM fica debaixo de uma tampa na parte inferior, ao lado do slot para o cartão microSD e da saída HDMI. E não, não dá pra fazer chamadas, ou enviar SMS, com ela.

Software

O sistema operacional da Galaxy Camera é o Android 4.1. E pra quê Android em uma câmera? Bem, pense em todos os programinhas que você tem em seu smartphone para recortar, editar e compartilhar imagens. Agora eles podem rodar diretamente na câmera, sem que você precise descarregar as fotos num PC antes: segundos após o “clique” a foto já está no Instagram ou Facebook. É incrivelmente prático, seja você um turista registrando as férias com a família ou um jornalista cobrindo um evento.

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Interface Android na Galaxy Camera: mesma de um smartphone

A Samsung tem uma interface especial para a câmera (também usada no Galaxy S4, aliás), que é acessada por padrão sempre que ela é ligada. Mas basta um toque no botão Home (o ícone da "casinha" no canto superior esquerdo da tela) para sair dela e acessar a mesma interface TouchWiz dos outros aparelhos da empresa.

Nesse ponto a Galaxy Camera se comporta exatamente como um smartphone Android. Você tem acesso aos mesmos serviços (Google Play, GMail, Google Maps, YouTube), e pode instalar todos os seus apps favoritos, mesmo jogos. Até mesmo apps de câmera, como o popular Camera Zoom FX, funcionaram sem problemas.

Há editores de imagens (Assistente de foto) e de vídeos (Editor de vídeo) pré-instalados, bem como alguns apps da Samsung como o bloco de notas S Note e o assistente pessoal S Voice (que ainda não fala português). Aliás, é possível controlar a câmera dizendo comandos em inglês como “Flash On”, “Record Video” e “Cheese” ou “Shoot” (para bater uma foto).

Vale lembrar que a Galaxy Camera tem integração ao serviço de armazenamento online Dropbox. Você pode configurá-la para enviar automaticamente cada foto tirada para seu “disco virtual”, o que é ótimo em viagens: se por um azar você perder a câmera, não perde as imagens.

Câmera

A Galaxy Camera tem um modo automático bastante competente, e a Samsung também inclui 19 modos de cena para várias situações, como fotos em close (Macro), panorâmicas, fogos de artifício, fotos de comida, de festas, de cachoeiras, contra a luz, etc.

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Alguns dos modos de cena. Miniaturas ajudam a entender cada opção.

Também há um modo manual (Avançado, nos termos da Samsung) para os fotógrafos mais experientes, com controle sobre o ISO, exposição, abertura e velocidade do obturador. Cada ajuste é refletido automaticamente na imagem exibida atrás da interface (que lembra os anéis no corpo de uma lente), o que acaba ajudando o fotógrafo a encontrar exatamente o que precisa para uma cena.

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Os ajustes do modo manual. A função de cada item é indicada na tela.

Entre os modos pré-programados há um modo HDR (que por algum motivo a Samsung traduziu como “Tom Forte”), um modo de disparo contínuo que faz 4 fotos de 16 MP por segundo (20 fotos no total) e os modos Melhor Foto, que analisa as imagens e o ajuda a encontrar a melhor foto no geral, e Melhor Face, que é muito útil pra retratos em grupo: a câmera faz cinco fotos e permite combinar as melhores faces entre elas, para gerar uma imagem em que todos “saiam bem” na foto.

A câmera fez boas fotos, com qualidade equivalente à de outras “point and shoot” domésticas. Mesmo em um dia nublado ela não cometeu o pecado de “lavar” as cores ou errar o balanço de branco, como às vezes acontece com smartphones. A estabilização de imagem é eficiente, e mesmo usando o zoom máximo de 21x consegui fazer fotos bastante nítidas, mesmo segurando a câmera na mão.

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Detalhe de foto diurna feita com a Galaxy Camera
usando o zoom óptico a 21x. Clique para ampliar.

Gostei especialmente das fotos em HDR feitas à noite: a câmera combina três exposições (que à noite tem um intervalo de cerca de 2 segundos cada) para produzir uma única cena bem iluminada, rica em detalhes e com pouco ruído. Dependendo da cena e quantidade de luz, os resutados parecem mágica. E mesmo durante o dia o modo HDR é útil, realçando cores e ajudando a equilibrar as àreas claras e escuras da imagem, trazendo à tona detalhes que seriam perdidos em uma foto convencional.

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Imagem noturna em HDR. Clique para ampliar.

Na hora de filmar é possível fazer vídeos em Full HD, ou usar um modo de “câmera lenta” que reduz a resolução (768 x 512) mas grava 120 quadros por segundo. Com isso a cena parece estar se acontecendo quatro vezes mais devagar do que o normal, o que é interessante para quem quer filmar esportes, bichos de estimação ou crianças.

Nem tudo são flores

Mas a Galaxy Camera tem seus probleminhas: um deles é que não dá pra combinar modos. Quer Macro com HDR? Sem chance, é um ou outro. Também encontrei problemas com foco, especialmente em macro ou com zoom. Algumas vezes a câmera se recusou a focar até que eu me afastasse da cena ou reduzisse o zoom, em outras fotografou sem problemas à mesma distância. E encontrei casos em que ela dizia que a cena estava em foco quando obviamente não estava.

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A câmera insistia que as ameixas estavam em foco,
mas na verdade focou o fundo. Clique para ampliar.

A autonomia de bateria também desapontou. Levei a câmera para um passeio no Parque da Aclimação, em São Paulo, numa manhã de sábado. Depois de 3 horas e 40 minutos fora da tomada, e umas 70 fotos, ela deu o alerta de que havia apenas 15% da bateria restantes. É muito pouco. E olhe que eu nem usei o 3G: compartilhei durante alguns minutos a conexão do meu smartphone, via Wi-Fi, para fazer o upload de apenas 7 das imagens para o Instagram.

E uma “picuinha”: para um aparelho equipado com um processador quad-core de 1.2 GHz, a demora de três a quatro segundos para abrir a galeria de imagens é no mínimo curiosa.

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Comparativo entre uma foto no modo automático
(à esquerda) e em HDR (direita) à luz do dia. O fundo
quase desapareceu na primeira imagem, mas é visível na segunda.

Nosso veredito

O principal problema da Galaxy Camera é o preço. Como toda primeira geração de uma nova tecnologia, ela é cara: custa R$ 2.199 aqui no Brasil. Por um terço disso você pode levar para casa uma câmera doméstica tradicional com recursos similares (sensor de 16 MP e zoom de 21x) que vai fazer fotos até melhores. Ou, se preferir gastar um pouco mais, pode comprar uma câmera com lentes intercambiáveis e receber uns R$ 400 de troco.

Ainda assim, não há dúvida de que ela é só o começo: os problemas serão corrigidos, os recursos irão melhorar e o preço vai cair. Câmeras híbridas como a Galaxy Câmera são o futuro da fotografia.

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