A incessante evolução do mouse

(http://pcworld.uol.com.br/noticias/2012/12/19/a-incessante-evolucao-do-mouse)
Gord Goble, PCWorld EUA
Ao longo de quase 50 anos acessório mudou muito, e se tornou quase indispensável

Os mouses usados nos computadores são tão comuns que raramente prestamos atenção a eles. Mas não foi sempre assim: esse periférico mudou muito em sua longa história, e os marcos em sua evolução são muitos. Vamos dar uma olhada em alguns dos momentos mais notáveis.

“X-Y position indicator for a display system”

Foi assim que Douglas Engelbart, um engenheiro do Instituto de Pesquisas da Universidade de Stanford nos EUA (Stanford Research Institute, hoje SRI International), batizou sua invenção em 1963. “Indicador de posição X-Y para um sistema de exibição”.

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O protótipo de Engelbart: caixa de madeira

Equipado com dois discos perpendiculares ligados a dois potenciômetros para monitorar o movimento, um botão montado no topo e instalado em uma caixa de madeira montada à mão, a engenhosa “traquitana” criada por Engelbart é considerada como o primeiro mouse do mundo, o ancestral de todos os outros.

Entretanto, ele não foi o primeiro modelo comercialmente disponível.

Telefunken Rollkugel
Imagem: OldMouse.org

Engelbart ainda não havia demonstrado publicamente seu aparelho quando em 1968 a Telefunken, então uma gigante alemã da indústria eletrônica, levou as coisas ao próximo nível ao apresentar o Rollkugel (algo como “esfera rolante”). Como diz o nome, o aparelho substituía os discos do modelo de Engelbart por um conceito que seria usado por várias décadas seguintes: uma esfera móvel.

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Rollkugel: o primeiro modelo comercial. Único botão fica no topo.

Mas o Rollkugel também se distinguiu de outra forma: como um componente opcional do mainframe Telefunken TR-440, que ocupava uma sala inteira, ele se tornou o primeiro mouse disponível comercialmente.

Só tinha um detalhe: a Telefunken se esqueceu de patenteá-lo.

O mouse do Alto, da Xerox
Imagem: ComputerHistory.org

Ao falar sobre mouses, não podemos nos esquecer de Bill English. Foi ele o engenheiro que ajudou a transformar o aparelho de Engelbart em uma realidade no início dos anos 60, e que assegurou mais um lugar na história em 1972 ao criar o segundo mouse com uma “bolinha” enquanto trabalhava na famosa divisão de pesquisas da Xerox em Palo Alto, na Califórnia, o PARC.

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O mouse do Alto estabeleceu o design básico usado até hoje

Mas desde quando chegar em segundo lhe garante alguma fama? No caso dos mouses, isso acontece quando você cria um design que faz sentido até hoje. Enquanto o modelo da Telefunken parecia um capacete, o design de Bill para o mouse do Alto tinha não só três botões como a mesma forma básica que foi copiada por quase todos os outros mouses desde então.

O mouse do Lisa

No final da década de 70 engenheiros do Xerox PARC estavam trabalhando em uma variedade de tecnologias que casavam perfeitamente com a visão da Apple para dominação do mercado. Uma destas tecnologias era o mouse de Bill English.

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Lisa: com apenas um botão, levou a tecnologia para as massas

Quatro anos após uma visita de um grupo de seus engenheiros (liderados por ninguém menos que Steve Jobs) ao PARC a Apple modificou, e embelezou, o design de English, eliminou dois dos três botões e essencialmente transformou o mouse de “brinquedo de laboratório” em uma peça-chave de seu Lisa Personal Computer System. Incrivelmente caro e muito mal compreendido, o Lisa ficou longe de ser um sucesso, mas o “rato” havia finalmente saído da gaiola.

O primeiros mouses ópticos
Imagem: Renoir.en.kku.ac.th

O primeiros mouses ópticos de sucesso só surgiram na virada do milênio, mas os pesquisadores já estavam perseguindo este conceito muito antes disso.

É o caso de Richard Lyon na Xerox. O conceito de Lyon, que nasceu antes mesmo dos mouses com “bolinha”, incorporava um sensor de imagem (basicamente uma diminuta câmera) e detecção de movimento integrados. Um conceito avançado para o ano de 1981. Ao mesmo tempo, um jovem brilhante chamado Steve Kirsch estava dando duro para criar uma estratégia alternativa usando LEDs infravermelhos e algoritmos preditivos.

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Os mouses ópticos de Kirsch, como este acima, precisavam de um mousepad especial

No final das contas a abordagem de Lyon prevaleceu, mas não antes do mouse de Kirsch ser usado como acessório em vários computadores, como estações de trabalho da Sun Microsystems, e pacotes de software. Mais tarde, Kirsch fundaria a Mouse Systems e o mecanismo de buscas Infoseek.

Metaphor
Imagem: Michael Trigoboff/PCC.edu

O PARC teria novamente um papel na evolução do mouse no início dos anos 80 quando a Metaphor Computer Systems, empresa fundada por dois de seus pesquisadores, apresentou uma avançada estação de trabalho chamada Metaphor Workstation.

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Mataphor Workstation: a primeira com periféricos sem fios.

A máquina era interessante porque vários de seus componentes, incluindo o teclado, teclado numérico e mouse, se comunicavam sem fios. Na verdade o mouse da máquina foi construído pelo que na época era uma jovem e desconhecida empresa chamada Logitech, e hoje é considerado como o primeiro mouse sem fios. Infelizmente a idéia sofria de um problema que afetaria vários mouses sem fio futuros: a tecnologia infravermelha usada na comunicação exigia uma linha de visão direta entre o transmissor e o receptor. Não era a melhor abordagem para uma tipicamente caótica mesa de trabalho.

Mouse Systems ProAgio

A “rodinha” do mouse para rolagem de páginas foi um toque de gênio que surgiu em 1995 quando a norte-americana Mouse Systems (aquela fundada por Steve Kirsch) lançou o ProAgio, um mouse com múltiplos botões. Infelizmente, para a Mouse Systems, seria necessário uma gigante como a Microsoft para nos fazer prestar atenção ao que estávamos perdendo.

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ProAgio: o primeiro mouse com rodinha

Microsoft Intellimouse

Um ano depois do lançamento do praticamente ignorado ProAgio, Gates e Cia usariam seu poder de marketing em um produto que foi apresentado não apenas como a solução definitiva para lidar com documentos do Word e planilhas do Excel, como também para navegação na web e até jogos. O ponto chave do produto era uma combinação de rodinha e botão que mudou a forma como controlamos nossos computadores.

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IntelliMouse: sucesso em larga escala

O nome deste produto era IntelliMouse, e a Microsoft vendeu zilhões deles ao longo dos últimos 17 anos.

Razer BoomslangImagem: ComputerBase.de

Em 1997 não existiam “mouses para gamers” nem a RAZR, uma empresa baseada em San Francisco, nos EUA, que hoje é conhecida por criar alguns dos mouses mais precisos e recheados de recursos que já existiram. Tudo isso mudou no ano seguinte, quando o Razer Boomslang foi lançado.

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Boomslang: sob medida para os gamers

O material de marketing na época estava recheado de razões pelas quais o Boomslang deveria ser a próxima compra de todo gamer. Alta resolução (2000 DPI contra os 450 DPI de um mouse “comum”), interface USB em vez de PS/2, velocidade do chip controlador e mais. O mouse foi elogiado em vários aspectos, embora alguns analistas tenham achado as alegações um tanto exageradas e o preço de US$ 100 “ultrajante”. Ainda assim, ele marcou o surgimento de toda uma nova categoria de produtos.

Apple Magic Mouse

Lançado em 2009, o Magic Mouse foi o primeiro mouse para o consumidor com suporte a gestos multitoque. Rolagem, clique com dois dedos e mais estavam presentes em um mouse que, fisicamente, não tem um botão sequer. Hoje, os mesmos recursos estão presentes em produtos otimizados para o Windows 8 criados por empresas como a Logitech e a Microsoft.

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Magic Mouse: o primeiro modelo "touch"

Mas o Magic Mouse e seus descendentes não são universalmente amados. Embora o controle com gestos seja algo interessante, a superfície “limpa” às vezes impede o uso de recursos tradicionais, como o clique com o botão do meio, e pode não ter a mesma precisão dos botões mecânicos.

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