O notebook de 2018: como as máquinas futuras reagirão à revolução do toque

(http://pcworld.uol.com.br/noticias/2012/09/26/o-notebook-de-2018-como-as-maquinas-futuras-reagirao-a-revolucao-do-toque)
Jared Newman, PCWorld EUA
Mais poder de processamento, novas formas de interação e novos designs poderão garantir a sobrevivência dos notebooks em um mundo dominado por tablets e híbridos.

O notebook como o conhecemos está em plena crise de identidade. Depois de anos de sólido crescimento sem mudanças fundamentais, sua relevância está sendo ameaçada pelos smartphones e tablets. Esta nova geração de dispositivos móveis não eliminou a necessidadade de portáteis com trackpads e teclados, mas está fazendo com que as pessoas repensem a necessidade de ter uma segunda máquina em casa.

Em resposta, os fabricantes de PCs estão arrastando o notebook para a era do toque, com a ajuda de sistemas operacionais drasticamente diferentes como o Windows 8. Pelos próximos anos o caminho será difícil, com fabricantes tentando gerar interesse em novos modelos com designs híbridos, como telas que giram ou se destacam para virar tablets.

Mas o que acontece depois disso? Em cinco anos, após o fim do período de transição, com o que um notebook irá se parecer?

Conversamos com fabricantes de chips, de computadores e analistas de mercado para saber mais sobre o que as máquinas de 2018 poderão nos oferecer. Junte-se a nós enquanto observamos nossa bola de cristal para decifrar o futuro dos notebooks.

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Refinando os híbridos

Mesmo enquanto preparam a primeira onda de híbridos entre tablets e notebooks equipados com o Windows 8, os fabricantes admitem que o conceito ainda podem melhorar. Ao longo do tempo terão de eliminar etapas no processo de conversão de notebook para tablet, como movimentos incomuns com a tela e a necessidade de usar as duas mãos para destacar a tela do teclado.

“Claramente, o ecosistema ainda não acertou com os híbridos”, diz Kevin Lensing, diretor de notebooks da AMD. “Eles são interessantes, mas talvez a implementação ainda deixe a desejar”.

Lensing diz que já viu alguns exemplares da próxima geração de híbridos, e seus mecanismos de conversão tem uma aparência e comportamento elhores do que os da primeira leva. Alguns até ganham poder de processamento extra quando acoplados a uma base com teclado e trackpad.

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Dell XPS 12: um híbrido de notebook e tablet

Ao longo do tempo, Lensing espera que o acoplamento seja mais transparente, mesmo que as máquinas ganhem poder de processamento, capacidade de armazenamento e autonomia de bateria no processo. “Estamos no primeiro ano de um projeto mecânico completamente novo, e acredito que veremos múltiplas iterações até que ele seja tão robusto quanto o de um notebook tradicional”, diz ele.

Mark Vandenbrink, CTO da divisão de PCs da HP, concorda que os próximos cinco anos no desenvolvimento de hardware serão focados na simplificação dos híbridos. A HP tem experiência na categoria – seus notebooks TouchSmart foram anunciados antes mesmo do Windows 8, e VandenBrink espera ver tanto bons quanto maus projetos à medida em que os fabricantes de PCs se adaptam. “É fácil fazer, mas muito, muito difícil fazer direito”, diz VandenBrink.

Mas mesmo enquanto os híbridos começam seu longo processo de evolução, ainda há espaço para grandes mudanças. Pat Moorhead, um analista da indústria da tecnologia e consultor especializado em cenários futuros, acredita que a idéia de um PC modular irá tirar proveito de avanços na tecnologia sem fio. Smartphones poderão um dia fornecer todo o poder de processamento e capacidade de armazenamento de que precisamos, e o notebook será nada mais que uma “casca”, um acessório.

As barreiras de software que impediam que isso acontecesse já estão caindo, diz Moorhead, que aponta que sistemas operacionais como o Android e iOS já estão preparados para se adaptar a diferentes tamanhos de tela. Ele acredita que os obstáculos na tecnologia sem fios também poderão ser demolidos dentro de cinco anos.

A WiGig Alliance já está promovendo o uso do espectro de 60 GHz, que poderia suportar conexões velozes a telas e docks. O desafio, diz Moorhead, será fazer com que os fabricantes de aparelhos concordem com um padrão para comunicação sem fios entre dispositivos.

Mas ele é otimista: “com a proliferação de telas grandes e muito baratas, será difícil entrar em uma sala no mundo civilizado onde você não será capaz de se conectar a algum tipo de tela”, diz.

Além do teclado e trackpad

O teclado e o trackpad não irão embora, pelo menos não na opinião dos fabricantes de PCs com os quais conversei. Mas estes velhos companheiros devem evoluir ao longo dos próximos cinco anos para conviver com novos métodos de entrada.

Mark Aevermann, um gerente sênior de produtos na Nvidia, acredita que o reconhecimento de voz, de gestos com as mãos e até mesmo o rastreamento do movimento dos olhos podem deslanchar nos próximos cinco anos. Os conceitos relevantes já estão ganhando vida, como o Siri da Apple, o Kinect da Microsoft e a tecnologia de rastreamento ocular da Tobii, e embora eles possam parecer inadequados para substituir os trackpads e teclados, Aevermann diz que devemos manter nossas mentes abertas.

“Eu acho que desconsiderar qualquer categoria de aparelho ou método de entrada ou interação é basicamente o mesmo que dizer que não existem pessoas criativas por aí”, diz ele. “Acho que há milhares de pessoas lá fora pensando em como tornar estas experiências mais acessíveis”.

Já quanto ao trackpad, Mark VandenBrink vê possibilidade de melhorias em algumas áreas. Em vez de simples “quadrados” em frente ao teclado, o executivo da HP imagina modelos “dinâmicos” que cobrem boa parte da superfície do notebook. Ele também vê potencial em trackpads capazes de se adaptar, aprendendo suas tendências e preferências à medida em que você os usa.

Já estamos começando a ver alguma inovação entre os teclados e trackpads. No mês passado a Synaptics introduziu um trackpad capaz de reconhecer diferentes níveis de pressão, e um teclado capacitivo que é mais fino e permite ao usuário desabilitar o cursor enquanto digita. Já o trackpad no Nikiski, um conceito da Intel demonstrado durante a CES em janeiro, ocupa toda a extensão do teclado e usa detecção e cancelamento de palma para desabilitar o cursor durante a digitação.

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Novo trackpad Synaptics: capaz de detectar múltiplos níveis de pressão

Moorhead oferece algumas outras idéias “malucas” para mudar completamente o teclado e o trackpad. Notebooks do futuro, imagina ele, poderão vir equipados com duas ou mais câmeras de alta-definição, trabalhando em conjunto para rastrear a posição das mãos dos usuários. Se elas forem precisas o suficiente poderão permitir o uso de qualquer superfície como um trackpad, acompanhando o deslizar dos dedos e com software no notebook traduzindo isto em movimentos do cursor.

A mesma possibilidade se aplica aos teclados. Moorhead acredita que, com câmeras de alta velocidade em ambos os lados da tela, qualquer superfície pode se tornar um teclado, com a tela mostrando “teclas virtuais” projetadas sobre a superfície, indicando a posição dos dedos do usuário.

A princípio os usuários podem resistir à idéia de perder o feedback tátil de um teclado ou trackpad, mas Moorhead lembra que o teclado virtual do iPhone também foi criticado no princípio.

“A realidade é que você dá às pessoas uma alternativa onde há um benefício, e aí pode potencialmente eliminar completamente o teclado”, diz ele. Ele admitiu, entretanto, que é improvável que este cenário se torne realidade nos próximos cinco anos.

Mais poder para novas formas de computação

Dado o atual estado da computação, é tentador argumentar que a maioria dos usuários não precisa de mais poder de processamento. A maioria dos notebooks modernos não tem problemas ao reproduzir vídeo em alta-definição, lidar com dúzias de abas abertas no navegador e rodar jogos no Facebook ou em outros sites. A não ser que você seja um gamer dedicado ou um profissional de criação que depende de sofisticados softwares para edição de vídeo e fotos, a geração atual de processadores é suficiente.

Entretanto os fabricantes de PCs e de chips com quem conversei acreditam que estamos chegando a um novo estágio na computação. Todos os métodos de interação que mencionei anteriormente, em particular, o reconhecimento de voz e gestos, exigirão mais poder de processamento para que possam ser executados sem atraso. Avanços na resolução das telas e dos vídeos, como a tecnologia 4K, também exigirão mais poder.

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Nikiski: conceito da Intel com um trackpad gigante

Gary Richman, um diretor na divisão PC Client Solutions na Intel, vê ainda mais possibilidades se materializando nos próximos cinco anos. Ele imagina que os PCs se tornarão mais conscientes do contexto, tornando possível que detectem outros aparelhos próximos e interajam com eles automaticamente. Ele também acredita que os PCs se tornarão “serviçais” pessoais que poderão desempenhar tarefas mesmo quando não estiverem em uso. Por exemplo, um notebook poderá ser capaz de baixar um vídeo de sua câmera, convertê-lo e enviá-lo para a internet mesmo quando guardado dentro da bolsa.

“Nosso objetivo é tornar isto possível”, diz Richman. “Precisamos de desempenho bom o suficiente para isso, que ainda é alto quando comparado a onde estamos hoje em dia”.

Kevin Lensing, da AMD, vê duas formas como o futuro do PC pode se desenrolar: em um cenário a carga de trabalho não muda e os PCs se tornam menores, mais baratos e onipresentes. Em um segundo cenário novos modos de computação exigem que os fabricantes de chips foquem no aumento do poder de processamento, em vez do desenvolvimento de máquinas finas e leves.

“A chave é decidirmos se uma nova era do PC está mesmo no horizonte”, diz ele.

Um argumento a favor dos notebooks tradicionais

Muitos dos especialistas com os quais conversei acreditam que os híbridos irão dominar o mercado de notebooks nos próximos cinco anos. Mas isso não significa que as máquinas tradicionais deixarão de existir. Os usuários ainda irão querer um computador portátil com uma tela maior, e mesmo que as telas sensíveis ao toque se tornem um recurso padrão em todos os PCs, os conversíveis podem não funcionar tão bem quanto os notebooks maiores.

“Se você conseguir fazer tudo o que pode fazer com um notebook, no mesmo tamanho, com o mesmo custo, com certeza estes se tornarão menos interessantes, mas ainda temos um longo caminho a percorrer até chegarmos a esse ponto”, diz Gary Richman, da Intel.

Por volta de 2018 os usuários verão uma “bifurcação” nos aparelhos, diz Lensing, da AMD. Quando os usuários precisarem de mais poder de processamento que um tablet ou híbrido pode fornecer, irão se voltar aos notebooks, mas mesmo estes aparelhos serão mais finos e eficientes no consumo de energia. Ele espera que modelos com mais de uma polegada (2,5 cm) de espessura desapareçam do mercado, exceto por máquinas voltadas para gamers e estações de trabalho móveis para design e engenharia.

“O notebook tradicional não vai desaparecer. As pessoas diziam a mesma coisa sobre os desktops, mas eles ainda estão por aí”, diz Lensing. “Mas o aparelho típico que um usuário irá carregar para suas necessidades básicas de computação no dia-a-dia será provavelmente muito mais leve”.

Como aponta Mark Aevermann, da Nvidia, tudo bem se nenhum modo único de computação portátil dominar completamente a indústria nos próximos cinco anos. Embora ele acredite que tablets de baixo custo e híbridos irão revolucionar a indústria, Aevermann ainda vê muito espaço para a sobrevivência de uma grande variedade de dispositivos, incluindo os notebooks mais sofisticados.

“Eu acredito que esta mentalidade de “tamanho único” é uma coisa do passado”, diz ele, “e a possiblidade de escolha por parte do consumidor é o caminho para o futuro”.

É um pensamento reconfortante: algumas coisas irão mudar, mas outras serão sempre as mesmas.

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