Por que os notebooks híbridos com Windows 8 não irão sobreviver

(http://pcworld.uol.com.br/noticias/2012/09/21/por-que-os-hibridos-com-windows-8-nao-irao-sobreviver)
Loyd Case, PCWorld EUA
Processadores com baixo desempenho e pouco espaço para armazenamento são limitações destas máquinas. Interesse do mercado deve migrar para tablets cada vez mais poderosos

Muitas das notícias sobre PCs preparados para o Windows 8 ao longo das últimas semanas tem focado nos “híbridos” – aparelhos que usam vários esquemas de conexão para combinar tablets com telas sensíveis ao toque com teclados tradicionais, se transformando em notebook. Os híbridos soam interessantes no papel – quem não gostaria de um tablet que vira um notebook, e vice-versa? – mas não se acostume com essa categoria.

Híbridos tendem a ter um tempo de vida limitado, e há bons indicadores que apontam para um futuro no qual faremos a maior parte de nosso trabalho em tablets com poderosos componentes internos, complementados por excelentes teclados opcionais. Embora os híbridos de tablets e notebooks tenham um apelo “high-tech” a curto prazo, estão destinados a ser nada mais do que curiosas notas de rodapé na história geral dos PCs.

Não acredita em mim? Primeiro iremos analisar o valor dos híbridos atualmente. Depois disso, iremos explorar suas desvantagens, e analisar como o futuro hardware com o Windows 8 irá eventualmente torná-los obsoletos.

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Por que os híbridos fazem sentido hoje

Nos próximos meses o Windows 8 irá mudar a forma como todos nós vemos os tablets. Hoje ninguém considera o Kindle Fire, o Nexus 7 ou mesmo o iPad como uma ferramenta legítima de produtividade ou negócios, mas os tablets com Windows 8 irão oferecer real poder de processamento e se integrar ao ecossistema da Microsoft, incluindo aí o Office. Ainda assim, fazer com que os usuários reconheçam os tablets como uma ferramenta de produtividade, em vez de apenas consumo de mídia, pode ser uma tarefa árdua.

É aqui que a nova geração de híbridos com o Windows 8 entra. O elemento comum entre todos eles é uma tela destacável ou dobrável que pode agir de forma independente como um tablet. Isto nos dá um notebook completo com teclado e trackpad na hora de usar ferramentas de produtividade e um tablet para consumo de mídia e navegação casual na web.

Fornecer a funcionalidade básica de um tablet junto com um teclado físico parece ser um meio-termo interessante. Certamente, os híbridos nos permitem explorar o mundo do toque sem abandonar as formas tradicionais de entrada de dados. E podem ser exatamente do que as Dell, Lenovo, e Fujitsu do mundo precisam para provar que os tablets podem ser usados num ambiente de trabalho.

A história nos mostra que os usuários anseiam por aparelhos que podem fazer de tudo. Quando os smartphones se popularizaram, os players de MP3 se tornaram obsoletos. E quando foi a última vez que você pegou sua câmera doméstica? Entre as câmeras digitais, apenas as DSLRs são imunes à ameaça dos smartphones e suas câmeras cada vez mais sofisticadas.

Híbridos com o Windows 8 representam uma ameaça similar aos notebooks tradicionais. Tony Costa, um analista sênior da Forrester Research, diz que “Híbridos estão rapidamente eliminando a distinção entre tablets e notebooks. O que está surgindo é uma gama de novos formatos que vão de tablets com ênfase no teclado – os híbridos – a modelos focados no toque, que oferecem o teclado como um acessório. Neste contexto, sim, os híbridos irão ameaçar a participação dos notebooks tradicionais no mercado”.

Híbridos estão condenados ao status de “transição”.

A primeira onda de híbridos é composta por aparelhos definitivamente imaturos. Os fabricantes estão testando diferentes designs para ver quais “pegam” e muitos dos que estão prestes a chegar ao mercado tem cheiro de “experiência”. Tom Mainelli, Diretor de Pesquisa na área de dispositivos móveis conectados no IDC, diz que “inicialmente haverá bastante confusão, então os híbridos podem não ganhar muita força. O maior medo é acabar com um tablet e notebook meramente aceitáveis”.

O design mais comum para um híbrido é um tablet destacável (chamado de “slate” no jargão da indústria) que abriga a tela e todos os principais componentes da máquina – processador, memória e armazenamento. Ele se conecta a uma simples “dock” com teclado. Alguns deles tem baterias tanto na dock quanto no tablet, para aumentar a autonomia quando usados como notebook. Exemplos incluem o Fujitsu Stylistic Q702 e o HP Envy X2.

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HP Envy X2: Híbrido com tela destacável

Infelizmente, a maioria dos híbridos com uma tela destacável deverá usar a versão mais recente do processador Intel Atom (de codinome “Clovertrail”) e ter apenas 32 ou 64 GB de espaço em disco. O processador de baixo desempenho e armazenamento limitado irão relegá-los à categoria de computadores secundários.

Usuários domésticos e corporativos que fazem uso intenso de seus computadores irão precisar de sistemas com uma configuração mais robusta. Armazenamento barato na nuvem pode compensar a falta de armazenamento local, mas dê uma olhada em quanto espaço você usa em seu notebook ou Ultrabook hoje e considere se ficará satisfeito com um limite de 64 GB em um híbrido, sem levar em conta a nuvem.

A segunda principal tendência de design entre os híbridos é algum tipo de tela móvel. Neste arranjo o chassis abriga os componentes principais do sistema e o teclado, e a tela se dobra sobre ele para criar um “tablet”. É o mesmo design usado nos Tablet PCs originais (do início de 2000, equipados com o “Windows XP Tablet PC Edition”), mas os novos aparelhos são mais finos e mais elegantes.

O Dell XPS Duo 12 tem a tela montada dentro de uma moldura, e ela gira sobre o próprio eixo, permitindo que se feche sobre o teclado. O IdeaPad Yoga da Lenovo, por sua vez, tem um sistema de dobradiças que lhe permite orientar a tela em praticamente qualquer ângulo. Você pode abrir a tela em um ângulo de 90º e usar o computador em modo notebook, ou fazê-la girar 180º e ativar o modo tablet. Neste modo, o teclado (exposto na parte traseira) se desativa sozinho.

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Lenovo IdeaPad Yoga: um Ultrabook conversível

Estes modelos “conversíveis” são mais parecidos com notebooks do que com tablets. De fato, Mainelli nota que o IDC os coloca na mesma categoria que os notebooks, mas classifica os modelos com telas destacáveis como tablets.

Limitações inevitáveis

Os híbridos mais recentes são mais finos e tem melhor desempenho que os antigos Tablet PCs, mas se saem mal quando comparados aos notebooks de alto-desempenho que são comuns hoje em dia, e mesmo em relação aos Ultrabooks, que fazem seus próprios sacrifícios em nome da portabilidade. Alguns híbridos poderão oferecer processadores, memória e armazenamento no mesmo nível dos Ultrabooks, mas suas telas serão menores, entre 10 a 12 polegadas em vez de 13 ou 14.

Pior, híbridos com telas destacáveis tem mecanismos de encaixe que introduzem um ponto de falha mecânica em potencial. E como incluem baterias tanto no teclado quanto atrás da tela, são mais grossos que a nova geração de Ultrabooks, cada vez mais finos.

Híbridos “dobráveis” são mais parecidos com os notebooks, e a longo prazo podem não apresentar tantas limitações ao consumidor. O IdeaPad Yoga, da Lenovo, é classificado como um Ultrabook e tem uma tela de 13.1 polegadas com resolução de 1600 x 900 pixels. O design da dobradiça pode causar preocupação, mas provavelmente será menos problemático, a longo prazo, do que uma tela destacável.

Apesar das limitações, talvez você ainda esteja interessado em experimentar um híbrido. Nesse caso terá de decidir qual dos dois designs é o mais adequado para suas necessidades. Escolha uma máquina dobrável se precisar de produtividade “pra valer”, e uma com a tela destacável, ou mesmo algo que seja puramente um tablet, como o Microsoft Surface, se imagina um uso mais focado no toque.

Tony Costa compartilha minha crença de que os híbridos são máquinas de transição e que, à medida em que os tablets se tornam mais poderosos, as necessidades das empresas irão bifurcar em dois tipos de usuários. Um deles irá usar um tablet de alto desempenho e um teclado opcional para trabalhar. E o outro irá necessitar de verdadeiras estações de trabalho móveis, ainda mais poderosas. Nesse caso, o prognóstico a longo prazo para os notebooks tradicionais, e os Ultrabooks, não parece bom.

No final, os tablets irão dominar

No final das contas, os atuais notebooks híbridos rodando o Windows 8 irão levar a uma transição a longo prazo para tablets puros. A Microsoft parece estar apostando nesse resultado: um dos tablets da empresa, o Surface Pro, tem configuração similar à de muitos Ultrabooks, mas reduz o teclado a um simples pedaço de borracha que também serve de capa para o aparelho. Dado o gosto que a empresa tem por pesquisa e testes incansáveis de mercado, ela pode estar no caminho certo.

Segundo Mainelli a próxima geração de processadores da Intel, de codinome Haswell, e unidades SSD de menor custo levarão a tablets com a autonomia de bateria e desempenho que os usuários esperam dos notebooks atuais. No contexto desta evolução, os híbridos atuais são apenas um passo ao longo de um caminho tortuoso, permitindo que os usuários se acostumem com o Windows 8 e sua experiência de uso baseada no toque.

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Microsoft Surface Pro: o teclado é um mero acessório

Mainelli também sugere que a adoção cada vez maior de tablets pode renovar o interesse nos desktops. Os usuários poderão fazer a maior parte de seu trabalho em um tablet, mas retornar aos desktops quando precisarem de melhor desempenho ou de descarregar arquivos grandes.

Não importa. Acredito que os híbridos com o Windows 8 serão sistemas de transição. Atrativos por mérito próprio, mas não o ponto final da computação pessoal. De certo modo, eles são o ápice do conceito original do Tablet PC.

Mas o hardware dos tablets “puros” está evoluindo a passos largos, e os teclados externos estão cada vez melhores. Dadas estas tendências, talvez vejamos apenas duas gerações destes híbridos antes que o mercado se mova em direção os tablets. Notebooks completos serão a melhor solução para certos grupos de usuários mas, no futuro, acredito que um tablet com Windows 8 será o principal computador para a maioria dos usuários.

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