Saiba mais sobre os Ultrabooks

Rafael Rigues, PCWorld Brasil
09-03-2012

Conheça as vantagens e desvantagens destas máquinas finas e leves, que são uma evolução do notebook tradicional.

Quem está à procura de um novo notebook já deve ter ouvido falar nos Ultrabooks. Talvez tenha até visto um numa loja e se impressionado ao notar como eles são fininhos e leves. Mas o termo ainda causa muita confusão: o que, exatamente, torna uma máquina um ultrabook? ele é melhor que um netbook? qual a vantagem em relação a um portátil tradicional?

Ultrabook é um termo cunhado pela Intel para descrever uma “evolução” do notebook: são máquinas mais leves, mais finas e com melhor autonomia de bateria que os modelos atualmente no mercado. Pense em algo como um MacBook Air, mas feito por outros fabricantes e rodando Windows, e você estará no caminho certo.

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Acer Aspire S3: um dos Ultrabooks já no mercado nacional

E já que a Intel cunhou o termo, ela dita as regras: para ser chamada de Ultrabook uma máquina tem de atender a uma série de requisitos, tanto no design quanto no hardware. Um Ultrabook com tela de 13 polegadas, por exemplo, não pode ter mais de 1,8 cm de espessura. Os processadores tem de ser Intel Core de segunda geração, seja i3, i5 ou i7 e modelos de “ultra baixa voltagem”, que consomem menos energia que o processador de um notebook comum.

Com esses requisitos, fica claro que você não irá ver um Ultrabook equipado com um processador da AMD, concorrente da Intel. Mas isso não significa que a empresa está de fora: ela espera lançar já em meados deste ano uma plataforma batizada de Ultrathin (ultrafino, em inglês), que permitirá a criação de notebooks tão finos e leves quanto os Ultrabooks e, diz a empresa, mais baratos. Vem briga por aí!

São todos iguais?

Só porque duas máquinas são “Ultrabooks” não quer dizer que elas são iguais. Assim como nos notebooks, os fabricantes são livres para experimentar diferentes configurações, desde que se mantenham dentro dos requisitos. Você pode ter um modelo com processador Core i3, HD de 320 GB e tela de 13”, ou um com processador Core i7, SSD de 256 GB e tela de 14”. Máquinas diferentes, mas ambos Ultrabooks.

Ultrabook é a mesma coisa que netbook?

Um Netbook é um notebook que encolheu, com tela menor e poder de processamento limitado em relação a um portátil tradicional. Se tornaram populares especialmente por causa do preço baixo, menos de R$ 1.000 em vários casos.

Já um Ultrabook é um notebook que entrou numa dieta. Apesar de mais fino e mais leve, ainda é tão poderoso quanto um notebook convencional. Para conseguir isso eles incorporam tecnologia bastante avançada, e o preço acaba sendo muito mais alto que o de um netbook, e muitas vezes que o de um notebook.

Quais as vantagens?

As principais vantagens de um Ultrabook em relação a um notebook tradicional são o tamanho e o peso. Vamos fazer uma comparação rápida entre duas máquinas similares, o Ultrabook Aspire S3-951, da Acer, e o notebook convencional Meganote Volcano, da Megaware, ambos com processadores Intel Core i5: o Meganote tem 3,5 cm de espessura, e pesa 2,2 Kg. O Aspire S3-951 tem 1,7 cm de espessura, e pesa 1,4 Kg.

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Fino: um Ultrabook com tela de 13" não pode ter mais de 1,8 cm de espessura

Outra vantagem: a maioria dos Ultrabooks usa, no lugar de um HD convencional, um disco de estado sólido, ou SSD, baseado em memória Flash. Imagine um “pendrive” de grande capacidade montado dentro do micro. Os SSDs são muito mais rápidos que os HDs convencionais, o que ajuda os Ultrabooks a estarem “prontos” pro trabalho rapidinho: eles conseguem acordar de uma hibernação em menos de 7 segundos.

Com isso, em vez de desligar um Ultrabook você pode colocá-lo para hibernar, que é um modo onde ele consome pouca energia e pode ficar dias, e quando precisar usá-lo basta abrir a tampa pra continuar de onde parou em segundos, sem precisar esperar o Windows carregar.

E além de mais rápidos os SSDs também consomem menos energia do que um HD convencional. Isso ajuda na autonomia de bateria: a Intel pede um mínimo de 5 horas, enquanto muitos notebooks convencionais não chegam a 3.

E as desvantagens?

Como são fininhos, os Ultrabooks geralmente não tem espaço para um leitor de DVDs. Se isso é importante, você vai ter de se acostumar a carregar um drive externo junto com sua máquina.

Da mesma forma a bateria é fixa dentro do gabinete, e não pode ser substituída pelo usuário. Isso dá ao fabricante mais liberdade no design, aproveitando melhor o espaço no gabinete para uma bateria maior, por exemplo, mas significa que se um dia ela parar de manter a carga o usuário terá de mandar a máquina toda para a assistência técnica, em vez de simplesmente comprar uma bateria nova. Também é uma má notícia para executivos e “heavy users” que costumam levar baterias extras durante uma viagem, para não ficar sem energia no meio do caminho.

As unidades SSD também tem uma desvantagem: a tecnologia ainda é nova e elas são muito mais caras que um HD convencional, especialmente em grandes capacidades. Por isso os Ultrabooks costumam ter SSDs de 128 ou no máximo 256 GB, o que pode parecer estranho para quem está acostumado a ver nas lojas notebooks com HDs de 500 GB ou 1 TB. Há alguns modelos que são exceção e trazem uma solução híbrida: um pequeno SSD de 16 ou 20 GB para o sistema operacional e hibernação e um HD tradicional para os dados. Mas nesse caso, o HD acaba sacrificando a autonomia de bateria em relação a um modelo apenas com SSD.

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Bateria não removível é uma das desvantagens dos Ultrabooks

Os Ultrabooks atuais também não tem GPUs dedicadas (como os modelos da ATI ou NVidia). Em vez disso trazem o sistema de vídeo Intel HD Graphics 3000 integrado ao processador. Embora seja poderoso o suficiente para todas as tarefas típicas do dia-a-dia, inclusive a reprodução de vídeo em alta-definição, ele não é adequado para jogos, com a exceção de alguns títulos como World of Warcraft, Starcraft II, Diablo III e outros mais antigos.

Mas o principal problema da primeira geração de Ultrabooks no mercado nacional é o preço: um modelo básico como um Acer Aspire S3 com processador Intel Core i3 e HD de 320 GB custa R$ 2.800. Um modelo mais sofisticado, como o Dell XPS 13 com um processador Intel Core i5, 4 GB de RAM e disco SSD de 128 GB custa a partir de R$ 3.800, e pode chegar a R$ 6.000 na configuração mais completa. É muito salgado.

A Intel está ciente disto, e está trabalhando junto aos fabricantes conseguir reduzir o preço em breve. A empresa espera que, já no final de 2012, seja possível encontrar Ultrabooks no Brasil por cerca de R$ 2.000.

Vale a pena investir num Ultrabook?

A primeira leva de máquinas a chegar ao mercado deixou a desejar. Testei duas delas, o ASUS Zenbook UX31 e dois modelos do Acer Aspire S3, um com processador Core i3 e outro com processador Core i5.

Na pressa de serem os primeiros no mercado, os fabricantes acabaram tomando alguns atalhos que prejudicaram o produto final. O modelo da ASUS, por exemplo, chegou às lojas com um bug que tornava o trackpad horrivelmente impreciso. Isso foi corrigido com uma atualização de software, mas a má fama já havia se espalhado.

Já os Aspire S3 sofrem com problemas de design: um teclado com layout fora do convencional e portas USB mal-posicionadas (na traseira da máquina). Além disso, a promessa de uma longa autonomia de bateria não se realizou: consegui três horas e meia em nossos testes, dentro da média de um notebook convencional e longe das 5 horas prometidas pelo fabricante.

Combine isso ao alto-preço e, por enquanto, os primeiros Ultrabooks não parecem um bom negócio, a não ser que você realmente precise de uma máquina fina e leve. Nesse caso, um Macbook Air pode ser a melhor escolha.

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Dell XPS 13: um dos novos modelos que estão chegando ao mercado nacional

Mas nem tudo está perdido: empresas como a LG (com seu , da Lenovo, que vimos na CES.

No final das contas, o Ultrabook é um conceito que veio para ficar. Se não pelos esforços da Intel e dos fabricantes, pelo simples fato de que são uma evolução natural do notebook, que segue uma lei universal do mundo da tecnologia, a Lei de Moore, descrita pelo co-fundador da Intel. Simplificando, ela diz: cada geração de hardware é menor, mais poderosa e mais barata que a anterior.

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