9 em 10: Uma crônica de 9 histórias que marcaram a TI em 2010

(http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2010/12/17/9-em-10-uma-cronica-de-9-historias-que-marcaram-a-ti-em-2010)
Por IDG News Service

Para a indústria, ano pareceu mais um rally cross enduro off-road. Mas nove fatos foram bastante importantes – e valem uma retrospectiva.

Predizer o fim da era dos PCs em um ano que o Windows 7 foi imprescindível para um trimestre recorde de vendas da Microsoft é a mais pura leviandade.

As nove histórias mais surpreendentes de 2010, porém, demonstram que, para muitas pessoas, o PC é item acessório; só mais uma maneira de se conectar à internet e de participar de um universo repleto de possibilidades de entretenimento e de negócios.

Com bilhões de dispositivos conectados na web, surgem questões de segurança que se espalham pelas galáxias móveis e estacionárias.

Então apresentamos as nove histórias de 2010 que melhor ilustram o ideário supracitado. Não é possível classificar os eventos em ordem de relevância.

1. A Apple contra-ataca
Ao apresentar o iPad em janeiro de 2010, Steve Jobs se perguntava se haveria espaço para mais um dispositivo que servisse para navegar na internet.

A resposta foi um generoso “sim”. O Ipad resistiu às críticas que o rebaixavam a uma versão inflada do iPhone e, em outubro de 2010, chegava aos 7 milhões de unidades vendidas.

No vácuo do mercado aberto pela Apple, empresas como Toshiba, Samsung, Acer e HP preparam seus tablets próprios e durante a CES de janeiro de 2011, veremos muitos desses gadgets.

Para o final de 2011, a Gartner prevê uma demanda na casa dos 55 milhões de tablets. Se isso acontecer, em 2014 haverá 10 % de PCs a menos no mundo, substituídos graças aos “iPhones gigantes”.

2. Windows Phone 7
As vendas do Windows Phone 7 começaram em novembro, quando a Microsoft participava do mercado de sistemas operacionais para smartphones com algo em torno de três pontos percentuais.

Isso pode não comprometer a saúde financeira da empresa, mas, ainda assim, deixa claro que a organização precisa urgentemente de um campeão para a arena dos gadgets com funções de celular.

O segmento de smartphones responde por um quinto do mercado de telefones celulares e, nos chamados países emergentes, 90% do público entre 18 e 27 anos de idade usam telefones móveis como principal forma de acesso à web.

Algumas características fazem do Windows Phone 7 um competidor à altura do BlackBerry (preferido no mundo corporativo) e a dupla Android e iPhone. O agrupamento de conteúdo web em hubs e a integração com o Office deverão ser os pontos fortes do sistema operacional da Microsoft.

3. HP se livra de Hurd enquanto a novela continua
No início de agosto, a HP chocou o mundo ao anunciar a saída do CEO e presidente do conselho da empresa Mark Hurd.

A saída dele foi motivada por uma investigação envolvendo o executivo em assédio sexual contra uma ex-prestadora de serviços. Apesar de Hurd não ter sido condenado, o escândalo foi suficiente para, de acordo com as diretrizes da HP, justificar sua saída.

A antecessora dele, Carly Fiorina, ganhou cartão vermelho na HP depois de falhar em adquirir a Compaq. Sob comando de Hurd, a HP superou a IBM na posição de maior companhia de TI do mundo. Em seu lugar entra Leo Apotheker – expelido da SAP depois alguns tropeços da empresa enquanto se preparava para entrar no segmento da computação em nuvem.

Na perspectiva de analistas, Apotheker é uma escolha acertada para a HP em sua estratégia de prover serviços integrados e permanecer acima dos concorrentes IBM, Dell e Oracle.

4. Google x China
A saga do buscador mais usado na Internet ocidental mostrou com clareza o que pode acontecer quando a tsunami digital se choca contra o aparelho de um Estado paranóico e burocrata.

Em janeiro, a Google denunciou que uma onda de ataques altamente sofisticados se abateu sobre seus servidores, o que lhe causou prejuízos de ordem intelectual.

Os supostos ataques teriam acontecido em dezembro de 2009 e levaram a empresa a interromper a censura de resultados de busca no país.

Em março, a Google começou a redirecionar todo o tráfego do site para o servidor de Hong Kong, não sujeito às leis de censura vigentes no resto da China. Com essa manobra, a renovação da licença do Google para continuar funcionando no país ficou ameaçada.

Resta ver se as medidas da Google (interrupção do redirecionamento automático) serão capazes de acabar com a ira dos oficiais chineses.

5. Stuxnet ataca sistemas industriais
Especialistas em segurança advertem há tempos sobre a possibilidade de sistemas industriais serem alvo de ataques cibernéticos. E 2010 foi o ano disso acontecer.

Um Worm (programa mal intencionado) desenvolvido especialmente para atacar grandes sistemas industriais e batizado de Stuxnet foi descoberto.

As suspeitas sobre a finalidade do Stuxnet eram variadas. Alguns acreditavam que seu objetivo era o furto de informações; para outros, o Stuxnet era uma arma para combater o programa nuclear iraniano.

Como o worm, assim, parece, foi escrito especificamente para atacar um sistema de controles de instalações industriais (PLC) da fabricante alemã Siemens, seu alvo original podem ser as instalações do reator Bushehr.

Ainda em novembro, o presidente iraniano Mahmoud Ahmanidejad reconheceu que o Stuxnet causou algumas perturbações em centrífugas nucleares do país.

6. Desmantelando Zeus

Em uma operação que levou vários dias e movimentou autoridades de segurança dos EUA, do Reino Unido e da Ucrânia, mais de 100 pessoas foram detidas por participar da rede botnet de nome Zeus.

O trojan usava técnicas de keylogging (gravação das teclas acionadas no sistema) para gravar dados de login de contas bancárias. De acordo com a polícia, o prejuízo causado ultrapassa os 200 milhões de dólares.

As pessoas presas na Ucrânia eram, supostamente, os técnicos por trás da operação. Os membros norte-americanos e ingleses foram acusados de criar contas bancárias falsas para onde era remetido o dinheiro do saque virtual.

O caso Zeus deixa claro que para combater o crime cibernético é necessária a união internacional. No final de outubro a polícia holandesa e autoridades de segurança da Armênia desmantelaram uma quadrilha que operava uma rede de spam de nome Bredolab.

7. Google Street View e privacidade

Maio de 2010. A Google admite ter colhido dados de redes WiFi abertas enquanto o carro da Google, responsável por fazer as fotos que viriam a integrar o sistema Google Street View enquanto o veículo passava por ruas das cidades.

O Street View Car (nome do carro usado pela Google) deveria colhera apenas as SSIDs, os nomes das redes abertas e os endereços MAC de cada rede, mas acabou registrando inclusive emails e os sites que eram visitados no momento de sua passagem.

Países da Ásia, da Europa e os EUA ficaram indignados com a invasão e deram origem a uma inundação de processos na Califórnia, em Washignton, no Oregon e outros estados dos EUA. Na Alemanha, na França, Itália e no Reino Unido, as ações da Google foram alvo de investigação. Esses processos atrasaram o registro de outras localidades.

8. Supercomputador chinês
Final de outubro foi quando a China revelou a existência de um supercomputador munido de milhares de processadores gráficos e capaz de alcançar a marca dos 2.5 petaflops – o monstro levou o nome de Tianhe-1A.

Em segundo lugar veio um sistema de computação de nome Jaguar, mantido no departamento de energia elétrica dos EUA, com 1,75 petaflops de potência.

Como a corrida rumo ao sistema mais poderoso de computação continua, a China já alertou sobre um projeto que pretende bater a marca dos 50-100 petaflops até 2015.

Na lista nada modesta de projetos ainda está um sistema que opera na casa dos exaflops (cada exaflop equivale a mil petaflops), mas esse sonho está projetado para o quadriênio entre 2016 e 2020.

9. Ações em baixa
Depois de começar o ano bem, as ações de tecnologia caíram na maior parte do terceiro quadrimestre, temerosas por um repique da recessão.

Mas as empresas de TI continuam a reportar volumes de venda em alta, especialmente no segmento B2B – aquele que abastece outras organizações e não os usuários finais privados.

É o caso da Apple e da Intel, por exemplo. As duas empresas anunciaram faturamento e lucro recordes no ano, ao passo que a Microsoft revelou ter registrado o maior faturamento da história da empresa no quarto trimestre.

O mês de novembro, puxado por essa performance, voltou a registrar números positivos nas bolsas de tecnologia; na verdade, os índices voltaram para onde estavam quando o Lehman Brothers foi liquidado.

Com muitas aquisições – entre estas, a compra da McAfee pela Intel e a da ArcSight, pela HP – a pergunta que se faz agora é se haverá um reflexo dessa reação no mercado de trabalho.

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