Conhecendo o Google Chrome OS

(http://pcworld.uol.com.br/reviews/2010/12/15/conhecendo-o-google-chrome-os)
Rafael Rigues, PC World Brasil

Novo sistema da Google nos convida a “viver na nuvem”. Mas será que dá pra ser produtivo usando apenas um navegador?

Chrome OS. Tá aí um conceito estranho. A Google quer que troquemos nossos notebooks com Windows, Linux ou Mac OS X por máquinas sem disco rígido, permanentemente conectadas à web e equipadas com um sistema operacional que é praticamente um navegador rodando em tela cheia. Os aplicativos viram sites web 2.0 e nossos documentos, músicas, vídeos e fotos serão armazenados “na nuvem” onde estarão sempre à disposição, desde que haja uma conexão à internet.

Em troca, as promessas são muitas: mais segurança graças a um recurso que repara o sistema automaticamente caso este detecte problemas ou modificações não autorizadas, mais agilidade, programas e sistemas sempre atualizados e backup automático de arquivos e configurações. Se um notebook com Chrome OS for perdido ou danificado, basta fazer login em outro e em questão de minutos tudo será como antes.

Mas será que é mesmo possível ser produtivo apenas com o que está disponível na web? Resolvemos experimentar passando um dia com o sistema da Google. Como a única máquina oficial com Chrome OS, o notebook-protótipo Cr-48, só está disponível para poucos afortunados nos EUA, tivemos de improvisar usando uma versão não-oficial do sistema adaptada para rodar em PCs comuns a partir de um pendrive.

Essa versão é batizada de “ChromiumOS Vanilla”, e foi criada a partir do código-fonte oficial do sistema (livremente disponível sob uma licença Open Source) pelo hacker Hexxeh. O arquivo disponível para download (baixamos a versão 0.8.71 de 28 de Outubro de 2010) tem cerca de 230 MB, e deve ser gravado em um pendrive de pelo menos 2 GB. As instruções podem ser encontradas no site oficial de Hexxeh.

Usando o sistema

Na primeira vez em que o Chrome OS é executado, surge na tela um assistente de configuração. É tudo muito simples, basta selecionar um idioma e informar qual conexão de rede deve ser usada, digitar seu usuário e senha do Google e usar a webcam para tirar uma foto para o seu perfil (opcional).

chromium_login.jpg

Tela inicial de configuração do Chrome OS

Após o login surge em tela cheia o Google Chrome, praticamente idêntico às versões para Windows, Linux e Mac OS X já disponíveis. Se o navegador Chrome em seu PC estiver configurado para sincronizar preferências com o Google, todos os seus favoritos, extensões e temas serão automaticamente importados assim que você fizer login.

Não há barra de tarefas, menu iniciar, gerenciador de arquivos, painéis de controle, ícones, pastas, bloco de notas ou paciência. A Google leva bastante a sério o slogan “a web, e nada mais”: toda a interface do sistema operacional se resume ao navegador, e não há nada além dele. Nada mesmo.

Os aplicativos são os mesmos serviços Web 2.0 que você já conhece e provavelmente já usa no dia-a-dia. E-mail? Há o GMail, Hotmail, Yahoo! Mail e outros. Pacote Office? Google Docs ou Zoho Office. Edição de imagens? Picnik e Aviary. Twitter? Há o Seesmic, Tweetdeck, Hootsuite e muitos outros.

Para facilitar a descoberta de novos aplicativos a Google criou uma loja online, a Chrome Web Store, que já está no ar e pode ser utilizada por qualquer usuário do Google Chrome. Basta visitar http://chrome.google.com/webstore. Os aplicativos são divididos em categorias, e além deles há temas e extensões para o navegador. Clicar em um aplicativo leva a uma página com mais informações sobre ele e um botão para fazer a instalação.

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Chome Web Store: aplicativos rodam dentro do navegador

Mas ao clicar no botão não será feito nenhum download. Basicamente, ao “instalar” um aplicativo tudo o que você faz é adicionar um atalho para ele, que será visível numa lista junto com seus favoritos e sites recentemente visitados sempre que você abrir uma nova aba do navegador. Basta um clique no ícone e o aplicativo abre em uma nova aba.

A idéia de fazer tudo dentro de uma aba do navegador é estranha a princípio, mas dá para trabalhar. Consegui ler e responder e-mails (usando o cliente web do Microsoft Exchange), escrever artigos (com o Google Docs) e editar e publicar imagens (com o Picnik), sem abrir mão de confortos como a Web Radio com minhas músicas favoritas (via Shoutcast.com) ou necessidades como o cliente de mensagens instantâneas (Meebo) que me conecta a colegas de trabalho.

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Aplicativos aparecem em ícones grandes sempre que uma nova aba é aberta

A Google espera que além dos aplicativos, seus arquivos também estejam online. Fuçando nas preferências do sistema operacional encontrei uma opção para habilitar o acesso a pendrives e cartões SD, recurso ainda marcado como "experimental". Ative esta opção, plugue um pendrive e surge no canto da tela um painel listando seu conteúdo.

É o mais próximo de um gerenciador de arquivos que o sistema chega. Mas antes de editar qualquer arquivo é necessário fazer o manualmente upload dele para o "aplicativo" correspondente: arquivos .doc devem ir para o Google Docs, imagens para o Picnik, etc. Seria interessante se houvesse algum tipo de integração nesse processo, com o upload automático do arquivo para o serviço mais adequado.

Como o Chrome OS ainda está em desenvolvimento, esbarrei em alguns problemas. Em duas máquinas (um notebook e um desktop) o sistema não reconheceu a conexão Wi-Fi, portanto não consegui sequer fazer o login. E em um PC desktop com conexão Ethernet ele funcionou bem, apesar de “engasgar” frequentemente ao abrir uma nova aba ou recarregar o conteúdo de uma já aberta, mesmo em uma máquina equipada com um processador Core 2 Duo e 4 GB de RAM.

Futuros usuários do Chrome OS não terão de se preocupar com isso. O sistema não estará disponível para download, e oficialmente rodará apenas em portáteis (a Google fala em notebooks) feitos sob medida para ele, como o Cr-48.

Será que a idéia pega?

“Viver na nuvem” não é algo para todos. Um ilustrador profissional provavelmente não se sentiria à vontade trocando o Adobe Illustrator pelo editor vetorial do Aviary, e mestres do Excel com certeza irão esbarrar rapidamente em limitações da planilha do Google Docs. Mas acredito que o Chrome OS e seus aplicativos oferecem o suficiente para atender às necessidades básicas de boa parte dos usuários.

Entretanto, ainda há muita coisa indefinida. Com todos os aplicativos online, como vou editar um texto durante uma viagem de avião? A Google acena com a possibilidade do suporte ao uso offline de alguns aplicativos, como o Docs, mas não há nada em definitivo.

Também não está claro o suporte a multimídia: como vou assitir um filme armazenado em um pendrive sem um Media Player? Ou descarregar e catalogar as fotos da última viagem da família? Pluguei um pendrive cheio de imagens ao computador, e em vez de um assistente para ajudar a selecionar as imagens e enviá-las para a web, tudo o que vi foi o painel com a lista dos arquivos no canto da tela.

Ainda é cedo para julgar se o Chrome OS será ou não um sucesso. Seu futuro depende de vários fatores que ainda são uma incógnita como o apoio dos fabricantes, número de máquinas no mercado durante o lançamento (previsto para meados de 2011 nos EUA) e seus preços. O próprio sistema está em desenvolvimento e muita coisa pode mudar até lá, embora eu não acredite que a Google irá se desviar muito dos conceitos básicos que vemos hoje.

Por enquanto, dá pra afirmar que a idéia tem potencial e não é tão maluca quanto parece. Quer a prova? Erga os olhos e conte o número de “aplicativos” abertos em abas no seu navegador. Você já pode ser um típico usuário do Chrome OS, só não percebeu isso ainda.

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