Futuro do Linux pode estar nas mãos do Google e isso não é ruim

Robert Strohmeyer, da PC World/EUA

Comunidade de código livre tem um
grande aliado para atrair mais usuários e desenvolvedores para a
plataforma; todos podem ganhar.

linux_futuro-150.jpgUma interface simples e fácil de usar. Essa
foi a receita adotada pelo Ubuntu para derrubar parte da resistência dos
usuários quanto ao uso do Linux em desktops e que ajudou o sistema
operacional open source a ganhar popularidade. Mas com o Google
desenvolvendo sua própria versão do Linux, o Chrome OS, é possível
acreditar que este possa ser, de fato, o primeiro sistema operacional a
desafiar a Microsoft e o Windows.

Convenhamos que, pelo menos até agora, a entrada do Google neste
segmento não foi algo tão grandioso, e nem mesmo os analistas desta
indústria deram muito valor. Ao anunciar a plataforma Android para
smartphones, o mercado até mostrou algum interesse, embora não chegasse a
ser novidade o fato de alguém usar Linux em celulares. Além disso,
poucos foram os que acreditaram que o gigante de buscas poderia
abocanhar grande parte do competitivo mercado de smartphones.

Mas a situação agora é diferente. Já são cerca de 20 aparelhos
diferentes com sistema Android, e outros 30 devem ser lançados em 2010.
Uma quantidade suficiente para colocar o Google como um competidor
importante nesse mercado.

O que mais impressiona é que o Google não optou por lutar contra a
Microsoft na área em que ela é mais forte em sistemas operacionais (no
desktop), mas sim, na área em que se observa uma queda da gigante do
software.

Mesmo o Windows Mobile 6.5 sendo um sistema operacional competente, a
Microsoft não lutou por gerar um entusiasmo entre os usuários. Também
não elevou sua posição para os usuários corporativos, a ponto de
desafiar dispositvos da RIM com seus modelos de Blackberry.

A diretora de pesquisas em dispositivos móveis do Gartner, Carolina
Milanesi, informou que o Windows Mobile caiu 7,9 pontos percentuais no
último trimestre de 2009. O sistema Symbian, utilizado nos telefones da
Nokia, também caiu, de 49,7 % para 44,6%. Enquanto isso, o Blackberry e
iPhone subiram para 20,8% e 17,1%, respectivamente. Em meio a esse mundo
de titãs, o Android abraçou 3,5% do mercado, o que não é mau para um
estreante.

Mas no mercado onde a Microsoft predomina, com uma cota superior a
92%, de acordo com as últimas
estatísticas da Net Applications
, a história é bem diferente.

Nessa arena, todas as distribuições Linux para desktop, juntas,
correspondem a menos de 1% do total do mercado – participação que não
oscilou nos últimos anos apesar dos grandes avanços, tanto na qualidade
geral das distribuições Linux, quanto ao apoio aos fabricantes de PC.

Caminho diferente
O Google parece ter
efetivamente executado sua entrada no negócio de sistema operacional,
visando rápida expansão na esfera móvel, e agora começa a colher frutos.
O Android não constrói apenas uma base de usuários, e sim, está gerando
barulho entre eles, com suas aplicações de compartilhamento do próprio
Google (Maps, Readear, Buzz etc.). E esse entusiasmo não parece ser
deixado em breve. Com tantos lançamentos das grandes fabricantes de
celulares, o Android está em um momento muito favorável para continuar a
crescer.

E o buscador, agora, está de olho também em dispositivos um pouco
maiores, com o Chrome OS, um sistema operacional com código fonte aberto
direcionado para netbooks baseados em processadores ARM e x86. Mas com
um diferencial importante: estará disponível gratuitamente.

A Microsoft recuperou alguma influência com consumidores de netbooks a
partir do momento em que o Windows 7 começou a vir instalado de
fábrica. Porém, conseguiu interromper seu próprio sucesso ao colocar
restrições desnecessárias na versão que vem instalada em alguns
netbooks.

A empresa tem a seu favor o fato de os usuários já estarem
familiarizados com a plataforma. Tanto como nome e como interface
visual, o Windows é um padrão confortável para que precisa lidar com
ele.

O Ubuntu oferece uma aparência  familiar para usuários mais
experientes, e o Chrome OS usará um novo ambiente de janelas, com o
navegador Chrome sendo sua interface principal. Em vez de competir com o
Windows em familiaridade, ele irá se concentrar em duas coisas que,
para o Windows, ainda são críticas em dispositivos móveis: a
simplicidade de uso e conectividade com a nuvem.

Com o Chrome OS chegando ao mercado, o Google conseguiu parceiros
poderosos. Intel, HP, Lenovo, Toshiba, Acer, Qualcomm, Freescale e Adobe
estão todos a bordo. Com uma lista de fabricantes de peso como esses,
os consumidores terão uma riqueza de opções muito interessante.

Vivendo na nuvem
O Chrome OS será um ambiente
baseado na nuvem, com aplicativos online. O Chrome irá se apoiar nos
serviços do próprio Google, embora os anúncios feitos até agora
mencionem o desenvolvimento de aplicativos por terceiros, ainda assim
serão aplicativos baseados na web.

Dispositivos com Android já mostraram o poder desse modelo
estratégico. Aparelhos como o Droid, da Motorola, possuem Gmail, Google
Calendar, Google Docs e outros serviços. Pode ser que a depência dos
serviços do Google seja total, mas o fato é que funcionam. Aparelhos que
oferecem apoio contínuo para a computação em nuvem nos deixam realizar
mais tarefas no dispositivo.

Mesmo quando os serviços caem, existe a possibilidade de trabalhar
off-line por meio do Google Gears. Mesmo quando os servidores não estão
acessíveis (situação rara, mas não impossível), pode-se manipular
e-mails e itens de calendário. E assim que estiverem online novamente,
os dados podem ser sincronizados.

Ação comunitária
Quer o Chrome OS seja lançado
nessa semana ou na próxima, ou ainda apenas no mês que vem, seu sucesso
dependerá da vasta comunidade de desenvolvedores e usuários que ajudaram
a construir as várias distribuições do Linux nos últimos 18 anos. O
nome do Google e sua influência na indústria, por enquanto, apenas
ajudam a divulgar um novo sistema operacional.

Felizmente o Google investiu anos cultivando relacionamentos em toda a
comunidade do código livre. Portanto, deve encontrar rapidamente uma
grande base de analistas de testes experientes dispostos a baixar a
versão beta do Chrome OS assim que se tornar disponível.

É animador ter em mente que, a maioria dos usuários de Linux, quando
encontram bugs em uma versão beta, elaboraram relatórios e discutem
entre si a solução. Esta prática, profundamente enraizada na comunidade
Linux, prepara terreno para um beta teste produtivo, garantindo
correções e melhorias de forma mais rápida até o lançamento da versão
oficial.

Abundância de distribuições Linux
Pode ser
tentador pensar que o Chrome OS poderia significar o fim de outras
distribuições Linux, mas não há fundamento nisso. O mundo Linux é
baseado em nada mais que um desejo profundo de diversidade e de escolha
no mundo da tecnologia de informação. Não é por acaso que existem
centenas de distribuições disponíveis e a introdução de um novo sistema
de sucesso só servirá para aumentar as oportunidades para outras
distribuições.

Nos últimos anos, o Ubuntu conseguiu roubar boa parte da atenção dos
consumidores frente a outras distribuições. Mas, para entusiastas do
Linux, qualquer distribuição nova é uma boa notícia e uma oportunidade
para sugerir coisas novas, aprender e explorar mais opções. O mundo
Linux não compete entre si, ao contrário: apenas existe colaboração
entre seus usuários e desenvolvedores.

A vantagem de ter um nome importante nesse meio é atrair mais
usuários e mais desenvolvedores para a plataforma. Até mesmo um Linux da
Microsoft (desde que respeitada a GPL)
seria bom para a comunidade de código aberto.

Empresas desse porte trazem grandes parcerias, como as que o Google
já conseguiu com o Chrome OS. E, em contrapartida, de acordo com os
termos da GPL, essas empresas devem dar uma parcela significativa de
seus próprios códigos para a comunidade de código aberto. Nesse cenário,
todo mundo ganhaa

Mas ainda não temos um Chrome OS para comentar. O Google ainda
precisa lançar uma versão prévia e quase tudo o que se ouve é baseado em
especulações baseadas em informações escassas. O que é certo, porém, é
que quando a versão beta estiver disponível, ela irá causar um sério
congestionamento nos servidores do Google.


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