Dez tecnologias que precisam urgentemente de padronização

Dan Tynan, da PCWorld/EUA

Deve-se padronizar conectores,
softwares, redes de telefonia e até controles remotos e assim, facilitar
a vida do pobre usuário.

adaptors-150.jpgHá mais de uma década estamos lidando com alguns
problemas de padronização em produtos tecnológicos. São diversos
sistemas operacionais para celulares, o que acaba causando
incompatibilidade no momento de troca de arquivos com outro celular, por
exemplo.

Sistemas de mensagens instantâneas diferentes que também acabam
impedindo que sistemas distintos troquem mensagens e controles remotos
espalhados pela mesa de centro da sala são outros exemplos que incomodam
nossa vida e precisam melhorar.

Listamos dez tecnologias que precisam urgente de padronização, antes
que mais invenções piorem o cenário em vez de trazer soluções para nós.

1. Um plugue universal
Ao longo dos anos usamos
dezenas de carregadores, conversores, fontes, baterias e adaptadores de
tomada para ligar o laptop, celular, MP3, câmeras digitais, GPS e outros
gadgets à rede de energia elétrica. É um pesadelo de fios.

Os adaptadores USB estão um passo a frente, mas ainda assim é preciso
lidar com seis tipos diferentes de conectores USB, dependendo do
gadget. Se o usuário possui uma câmera com conector mini-USB e seu
telefone celular usa micro-USB, então já é necessário levar os dois
carregadores se ele for viajar. Muito inconveniente. E carregadores
universais nem sempre funcionam, já que cada gadget possui
características bem diferentes, como tensão de alimentação.

Com tantos dispositivos eletrônicos que os usuários móveis são
obrigados a lidar no dia a dia, uma padronização é urgentemente
necessária. Em 2009, a
maioria dos grandes fabricantes de celulares (com exceção da Apple,
claro) concordou em padronizar carregadores de celulares e smartphones
com o conector Micro-USB
, e isso deve ser feito até 2012.

Durante os últimos três anos, grupos como o Green Plug têm feito
lobby para as empresas de eletroeletrônicos adotarem um único padrão de
plug, mas até agora não há qualquer sinal resultado positivo. Mas
podemos adicionar nossos protestos no site I Want My Green Plug.

2. Controle Remoto Universal
Com home theaters,
player de filmes, gravadores, HDTVs, tudo isso com um lugar reservado na
sala de estar, um usuário comum pode, em pouco tempo, acabar com cesto
cheio de controles remotos. Todos fazem mais ou menos as mesmas coisas,
com pequenas diferenças. Será que todo fabricante de TV, DVD, DVR,
set-top box e outros produtos, precisam reinventar a roda a cada
lançamento?

Precisamos de um controle que não necessite de um tutorial de meia
hora para aprendermos todas as funções. Talvez o
Projeto Natal
, da Microsoft, que reconhece gestos para controlar
uma imagem, possa ser utilizado em nossos dispositivos. Isso sim, seria
uma mão na roda.

3. Instrumentos musicais virtuais
Ao jogar Rock
Band no Xbox 360 ou Guitar Hero no PS3, o jogador quer apenas tirar as
notas com a melhor performance que puder, e obter assim o melhor número
de acertos e fazer um grande show. Infelizmente cada game precisa de uma
bateria ou guitarra específica, além de ser também compatível com o
console.

A boa notícia é que a situação está melhorando. A Activision e a
Harmonix estão reconhecendo a dura batalha que os gamers enfrentam para
jogar em conjunto, com seus intrumentos diferentes.

4. Um formato único de arquivo
PCs e Macs existem
há 25 anos e as pessoas ainda têm dificuldades para trocar arquivos
entre esses dois sistemas. E não se pode esquecer do Linux e que também
existem outras plataformas, além destas.

A maioria dos mais
de 1000 formatos de arquivo existentes
são nativos de uma única
aplicação. Precisamos de um único formato que possa ser exibido com
precisão em todas as plataformas – e com a formatação correta também.

Nos últimos quatro anos, a OpenDocument Format Alliance vem
desenvolvendo um formato baseado em XML que faz com que documentos do
pacote Office sejam todos compatíveis entre as plataformas.

O grupo conta com o endosso de governos internacionais e apoio de
grandes plaaformas, como o Google Docs e Open Office. Mas até
a Microsoft apoiar o OpenDocument
, o grupo não terá resultados
rápidos.

5. Baterias inteligentes para smartphones (e teclados)
Caso
a bateria de uma lanterna ou controle remoto termine, basta ir a
qualquer supermercado para comprar outra. Mas quando a vida útil da
bateria do celular ou smartphone acaba, ficamos amarrados aos
revendedores do fabricante ou temos que apelar para marcas duvidosas,
porém com preços bem menores, mas sob o risco de danificar o aparelho
por conta de falhas de alimentaçãou ou vazamentos.

Os telefones possuem características tão diferentes que precisam de
baterias e carregadores específicos? Cá entre nós, o que eles precisam
mesmo é de energia elétrica!

O IEEE’s Cell Phone
Battery Working Group
fez sua primeira reunião em fevereiro de 2010
para discutir o aumento da vida útil da bateria, assim como a elaboração
de um invólucro padronizado. Infelizmente, considerando a lentidão com
que a IEEE geralmente ratifica as normas, tal decisão parece que irá
demorar muito.

Outro item que precisa de padronização nos smartphones é o teclado.
Existe alguma lei que diz que o símbolo "@" (e outros)
precisam ficar localizados em teclas diferentes para cada fabricante?
Sempre quando trocamos de celular, temos que de nos acostumar com o novo
teclado até ganharmos agilidade ao digitar de novo.

6. Avatares universais
Não, não se trata dos
personagens de pele azul com cara de gato do filme homônimo. À medida
que a web cria cada vez mais ambientes em 3D, cada um de nós terá um
personagem virtual único que pode fazer parte do jogo World of Warcraft,
vagar pelas ruas desertas do Second Life e fazer parte também de
aplicações 2D, com o Facebook e, até quem sabe, para nos identificar em
sistemas comerciais usados pelas empresas.

Várias organizações e grupos, incluindo a IBM, a Linden Lab (criadora
do Second Life), Multiverse e o próprio consórcio Web3D, estão
trabalhando em padrões de forma a permitir que os avatares possam viajar
entre os diversos mundos online. No entanto, os avatares ainda não
receberam passaportes para isso.

7. Discos de Blu-ray e DVD livres dos códigos por região
Ao
viajar para o exterior é possível que a pessoa encontre um filme em DVD
ou Blu-ray que não consiga encontrar em seu país e por um preço bem
menor. Mas decide não comprar, pois sabe que os discos são feitos por
região e, portanto, não irá funcionar quando retornar a seu país de
origem.

O motivo, como de costume, é o dinheiro. Estúdios querem cobrar
preços mais elevados em seus discos em certas partes do mundo, sem a
concorrência das importações provenientes de locais onde se vende por
menos. Mas à medida que conteúdos multimídia tendem a migrar para
serviços online, tal limitação parece estar com seus dias contados. A
menos, claro, que a indústria invente algum outro tipo de controle para
infernizar a vida dos consumidores que só querem pagar o preço justo
pelo que compram.

8. A segurança dos softwares de segurança
É fácil
reconhecer um programa de edição de textos e um de planilha de
cálculos. Mas o que dizer de um software de firewall ou um aplicativo
contra invasões e vírus?

“É possível comprar um cadeado em uma loja local e contar com ele
para proteger um local de sua casa, pois são fabricados segundo normas”,
observa o CEO da Comodo, Melih Abdulhayoglu. Empresa desenvolve
antimaware e fundador do Common Computing Security Standards
Forum
.

Mas não há um ‘cadeado’ equivalente para computadores. “Qualquer um
pode rotular um software malicioso de Firewall ou Antivírus e torná-lo
disponível para download. Uma pessoa leiga vai baixa pensando tratar-se
de um software de proteção”, diz Abdulhayoglu.

O Fórum CCSS está trabalhando para estabelecer linhas de base para
recursos e desempenho de um software de segurança, bem como formas de
desenvolver artifícios para distinguir softwares de segurança ligítimos
de iscas falsas.

Mas até agora, empresas da categoria peso-pesado do ramo, como a
McAfee e Symantec, não se pronunciaram sobre o assunto.

9. Clientes de mensagens instantâneas que falam a mesma
língua

Um serviço de VoIP pode chegar praticamente a
qualquer serviço de telefonia de outras tecnologias, graças a regras
como protocolos SIP e H.323. Mas se o usuário quiser enviar uma mensagem
do Skype para o MSN ou Google Talk, por exemplo, é melhor usar
pombos-correio.

Aplicativos de terceiros, como o Trillian Astra, oferecem suporte a
múltiplos clientes de mensagens instantâneas, mas não conseguem abranger
toda a gama de recursos que cada cliente oferece. Estamos nesta
situação há mais de uma década. Não podemos chegar a um acordo?

10. Apenas uma regra para a rede de telefonia celular
Imagine
um mundo sem operadoras de celular. Imagine todos os aparelhos com
sinal ótimo e se comunicando sem qualquer problema de rede. Tudo bem, é
uma utopia, coisa de sonhador, mas não estamos sós.

Quando o Google tentou conseguir a licença para a faixa de espectro
de 700 MHz nos leilões da FCC (Federal Communications Commission), muita
gente pensou que estava livre de concorrentes com problemas de sinal e
com preços caros. Esta faixa de frequência era usada pela velha TV
analógica nos Estados Unidos.

Mas a Verizon e a AT&T ganharam a maioria dos leilões e a rede
aberta de celular e a possiblidade de haver uma rede aberta ainda não
surgiu. Porém, ainda temos esperança que isso aconteça. Pode demorar
mais ainda em países como o Brasil, mas já sabemos que pode acontecer.

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