Migração de Software Proprietário para Software Livre em Instituição Pública

Autor: Evandro Renato Molski <evandromolski at bol.com.br>

Resumo / Introdução

Migração de Software Proprietário para Software Livre em Instituição Pública

Evandro Renato Molski
UNIVEL – União Educacional de Cascavel
Av. Tito Muffato, 2317. Bairro Santa Cruz.
CEP: 85.806-080 – Cascavel, PR
evandromolski@yahoo.com.br

Resumo

Atualmente os softwares livres estão se tornando uma opção cada vez
mais disseminada e aceita por empresas e instituições. Devendo-se ao
fato de serem economicamente viáveis, seguros e também por serem
considerados por muitos como sistemas estáveis e de fácil customização.

Este artigo faz uma abordagem sobre migração para software
livre em uma instituição pública, destacando as principais vantagens na
adoção do software livre e explicando, através de uma narrativa, os
métodos usados na migração, as dificuldades encontradas e as soluções
adotadas.

Palavras chaves: software livre, migração, instituição pública.

Introdução

Atualmente, no plano da administração federal, o
governo está efetuando uma ampla migração de seu parque tecnológico
para software livre. A redução dos custos com licenças de software já
se faz sentir em diversos órgãos federais, como na Previdência Social e no Serpro,
assim como o aumento de investimentos em projetos de pesquisa e fomento
realizados nos anos de 2004 e 2005 pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia e pela FINEP, cujos softwares serão distribuídos com a Licença Pública Geral – GPL.

Segundo Souza (2007), o Programa de Inclusão Digital do Governo Federal
vem estimulado largamente o emprego de "software livre" com o objetivo
de fazer com que o ensino público e a população de baixa renda tenham
acesso a computadores.

O protagonista dessa migração é o Sistema Operacional Linux,
que é um software de licença livre criado por Linus Torvalds em 1991,
que oferece alternativas nativas do próprio software para substituir a
maioria dos programas que são pagos, suprindo assim as necessidades do
usuário.

O grande inconveniente da migração, talvez, seja de o usuário
ter que sair de um aplicativo que ele conhece para aprender a mexer em
um novo com função igual ao anterior, talvez por medo ou por falta de
interesse em fazer a migração, acabe desmotivando o usuário a colaborar
com a migração.

O que é muito bom perceber é que os desenvolvedores das
distribuições Linux estão agora cada vez mais interessados em
desenvolver o ambiente desktop, fazendo assim uma integração mais
amigável com o usuário.

Um projeto de migração para o Software Livre necessita do
envolvimento de todos os interessados em sua implantação, assim como
aqueles que se opõem a ela também, para que sejam verificadas, com
antecedência, todas as vantagens e desvantagens da implantação e
possibilite a superação dos óbices que se apresentarem.

Neste artigo será explicado como foi realizada a migração de
uma instituição pública, mostrando as técnicas usadas, prazos
estipulados, dificuldades encontradas e soluções adotadas, com o
intuito de colaborar com futuros projetos de migração.

Migração

Primeiramente: Por que migrar? Existem dois principais motivos para se efetuar uma migração.

O primeiro deles é a segurança, o Linux
trabalha com o sistema de usuários e permissões de arquivos, essas
permissões de arquivos se dividem em três níveis: dono do arquivo,
outros usuários (que pertencem ao mesmo grupo que o dono do arquivo) e
todos os demais usuários.

Quando um arquivo é criado, ele pode receber permissão de
leitura e escrita para o usuário que o criou, permissão de somente
leitura para os usuários do seu grupo e nenhum tipo de acesso para
outros usuários, dependendo da configuração do sistema, ou seja, um
usuário só vai conseguir acessar um arquivo ao qual ele tenha permissão
para acessar. E por padrão, quando se baixa um arquivo no Linux ele não
é executável, você tem que dar permissão para ele ser executado também.

Isso quer dizer que se você baixar um vírus, para que ele seja
executado você tem que deliberadamente dar permissão para ele ser
executado, e mesmo assim ele vai só danificar os arquivos do usuário
que o executou, os arquivos dos demais usuários e arquivos do sistema
não terão sequer notícia do vírus.

O único que tem acesso a todos os arquivos e diretórios é o usuário root,
que é o administrador do sistema, e por isso é aconselhável iniciar uma
sessão como usuário root só em casos de extrema necessidade, pois
qualquer arquivo que entre na máquina enquanto estiver conectado como
root vai ter permissões totais para execução em todos os níveis.

O segundo motivo é pela economia gerada, o termo Software
Livre não quer dizer que o software seja gratuito, se bem que a maioria
dos softwares de licença livre são gratuitos. Mas no caso de ser
cobrado por uma distribuição, você não precisa adquirir uma para cada
equipamento onde queira instalá-la, você pode fazer quantas cópias
quiser e repassar para quem você quiser, pode até revender, a licença
livre nos dá esse direito.

A palavra livre que consta no nome da licença se deve a
liberdade de usar o software da maneira que quiser e não faz menção
nenhuma quanto a poder ou não poder cobrar pela distribuição do mesmo.
Mas como foi dito anteriormente, a maioria dos softwares de licença
livre são conseguidos gratuitamente, através da internet
principalmente, algumas empresas até enviam gratuitamente no endereço
da pessoa, ou no máximo cobrando o valor do CD e da postagem.

Em 2008 os Softwares Livres geraram ao Governo Federal uma
economia de aproximadamente 30 milhões de reais com licenças. A
economia gerada não é perceptível só em instituições e empresas de
grande porte, as de pequeno e médio porte, que não dispõem de muitos
recursos para acompanhar a evolução tecnológica, em uma eventual
migração de plataformas proprietárias para livres, dá um fôlego extra,
porque ao invés de gastar dinheiro com sistemas de informação, podem
reinvesti-lo em suas atividades fim, ou seja, naquilo que elas
realmente podem ter lucratividade.

Delimitação / Metodologia

Delimitação

O artigo visa a parte desktop da instituição, não
serão levados em conta os servidores, tendo em vista que a maioria das
empresas já utilizam Linux
em seus servidores e também já existem muitas empresas que fazem esse
tipo de migração. Contudo vale ressaltar que isso tende a ser um ponto
positivo a favor da migração em desktop, pois a configuração se torna
mais fácil e a compatibilidade é total.

Metodologia

A migração proposta continha os seguintes requisitos:

  • Apresentação dos softwares que seriam utilizados;
  • Conscientização de por que utilizar o Software Livre;
  • Instruções de como utilizar os novos softwares;
  • A substituição do Sistema Operacional;
  • E o suporte assistido, para orientar o usuário.

Estrutura e equipamentos

Quadro inicial da instituição:

03 (três) servidores, sendo:

  • 01 (um) servidor de dados (Sistema Operacional CentOS 5.2);
  • 01 (um) servidor de internet (Sistema Operacional CentOS 5.2);
  • 01 (um) servidor DHCP e Protocolo Eletrônico (Sistema Operacional CentOS 5.2).

90 (noventa) desktops, sendo:

  • Todos com software proprietário, ilegais em sua grande maioria e
    com configurações de hardware diversas, que variam de Pentium 133 MHz
    com 32 MB de memória RAM, até Dual Core 1.8 com 1 GB de memória RAM.

Softwares utilizados

Para proceder a migração foi adotado o Sistema Operacional OpenSuSE e ambiente gráfico KDE.
O OpenSuSE por ser uma distribuição estável e de fácil configuração em
rede e o KDE por ser o ambiente gráfico mais semelhante ao Sistema
Operacional até então utilizado.

Desenvolvimento

Tão logo se definiu que a migração seria realmente realizada, começou-se um estudo para levantar qual seria a distribuição Linux
a ser utilizada, uma que melhor atendesse as necessidades da
instituição, no caso com uma suíte de escritório compatível com as
extensões da suíte anterior, um browser para navegar na internet
compatível com os sistemas online utilizados pela instituição, que
tivesse uma interface semelhante ao Sistema Operacional anterior, e que
fosse estável e de fácil configuração e manutenção.

Optou-se então pela distribuição OpenSuSE, com pacote de escritório OpenOffice e o navegador Mozilla Firefox.

O próximo passo foi passar aos usuários o que estava acontecendo e o
porquê da migração. Enfatizando também o motivo de se utilizar o
Software Livre. Nessa etapa procurou-se mostrar quais as vantagens que
o software Livre tem em relação ao Software Proprietário, tais como
segurança, desempenho, falou-se um pouco sobre as licenças que regem
tanto o Software Livre quanto o Software Proprietário, passando valores
de multas e licenças, e então dando alguns exemplos, para que nesse
primeiro contato se pudesse ganhar alguns simpatizantes, pois isso
poderia ajudar mais tarde, durante a migração.

Agora partindo para a parte de utilização dos softwares, foram
reunidos grupos não muito grandes para explicar a utilização dos
softwares mais comuns, como por exemplo, o editor de textos e
planilhas, é interessante que cada usuário tenha uma máquina para
acompanhar os itens passo a passo. As dúvidas foram tiradas na hora
para não caírem no esquecimento ou ficarem sem sentido num momento mais
a frente. As dúvidas que surgiam eram expostas aos demais, pois essa
poderia ser a dúvida de um outro usuário mais adiante.

A substituição dos sistemas da instituição ocorreu de forma
gradual e direta. De que forma? A instituição é subdividida em várias
seções, cada seção com efetivos de 5 a 8 pessoas, dentro de cada seção
foram sendo substituídos os sistemas, máquina por máquina, de forma
direta, ou seja, pegava-se a máquina, fazia-se o backup dos dados do
usuário, formatava-se e instalava o novo sistema. Foi cogitado, mas não
se achou interessante, manter a máquina em dual-boot, tendo em vista
que o usuário não teria interesse em usar o novo Sistema Operacional,
ou assim que surgisse qualquer dificuldade já seria motivo para
reiniciar a máquina e usar o outro sistema. O objetivo era que assim
que surgisse alguma dúvida fosse procurado o suporte para sanar a
dúvida, o que chamamos de suporte assistido.

De uma em uma as máquinas foram tendo seu Sistema Operacional
substituídos, assim como as dúvidas que surgiam eram tiradas. O que foi
interessante perceber é que em pouco tempo usuários com mais
experiência, ou que já tinham passado pelo problema, estavam ajudando
os outros que tinham dificuldade.

Um impasse que houve era com relação as máquinas com um hardware com uma configuração fraca, como Pentium 133 e k6-500 por exemplo, algo em torno de 20 máquinas. O OpenSuSE é uma distribuição estável, mas precisa de uma configuração mínima para rodar.

Como não havia verba para substituir as máquinas mais fracas e
a ideia era usar uma única distribuição nos desktops, optou-se por
comprar uma máquina mais robusta e configurá-la como servidor de
terminais, essa máquina foi configurada usando OpenSuSE 10.2, com Linux
Terminal Server Project (LTSP) e hoje tem em torno de 20 (vinte) terminais ligados a ela.

Outro impasse que aconteceu foi com relação a alguns programas
feitos para plataforma anterior, que não foi possível fazê-los
funcionar no Linux, nem com ajuda de emuladores, como por exemplo, o Wine.
Neste caso a máquina continuou com o sistema que estava até que fosse
criada uma solução, que no caso foi a migração do software para
plataforma web, tão logo ocorreu a migração do software, ocorreu também
a migração do sistema operacional.

Conclusão

O objetivo final de uma migração é o usuário, mas uma migração
para ser bem sucedida necessita de uma instrutura mínima para ocorrer,
assim como uma equipe de técnicos preparada para os problemas,
dificuldades e dúvidas que surgirem. Aqui nesse artigo procurei contar
como ocorreu a migração na instituição em que trabalho, espero que
sirva como exemplo de como se proceder ou não em uma migração.

Estou formulando um questionário para distribuir aos usuários,
a fim de levantar as dificuldades que ainda possuem, qual a aceitação
do Linux,
entre outras coisas. Assim que obter esses dados, estarei repassando
pra comunidade para que se possa avaliar se a migração foi bem sucedida
ou não.

Referencias


http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Migracao-de-Software-Proprietario-para-Software-Livre-em-Instituicao-Publica

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