Por que os GAMES não são a chave para o Linux em desktops

Autor: Cicero Juliao da Silva Junior <juliaojunior at gmail.com>

GAMES e Linux

Certo dia, "passeando" pela net, encontrei uma matéria muito interessante sobre jogos em Linux.
Claro, não foi uma única vez que vi matérias sobre o papel dos games
como chave para a adoção do Linux em desktops. Mas esta matéria me
chamou a atenção pois aborda o tema de um ângulo diferente.

Semelhante ao autor, eu também desconfio do quanto seria impactante se
as empresas desenvolvedoras de games de repente passassem a dar suporte
ao mundo Linux. Será que realmente haveria uma corrida dos usuários
Windows para o Linux? Para alguns autores, parece que sim.

Quem desejar ver o original, acesse Games in Linux. Resolvi traduzir (tradução livre) para permitir o acesso de mais usuários. Abaixo segue o resultado.

Tenho muitas preocupações quando encontro artigos que defendem a ideia
de como os jogos seriam o passo que falta para a adoção em massa do
Linux. Algumas dessas matérias precisam claramente de maior cuidado dos
leitores, pois apresentam estereótipos e opiniões como se fossem fatos,
alguns se contradizendo entre si e fazendo conclusões que, em vez de
ajudar, mais machucam a comunidade.

Uma das ideias comuns é que os chamados "jogadores" são aventureiros e
muitas vezes constroem seus próprios computadores, ou a partir do zero
ou usando algum kit básico. Portanto eles seriam usuários maduros, do
ponto de vista tecnológico – seriam uma meta para a comunidade open
source.

Uma das minhas preocupações é justamente essa afirmação velada, de que
gamers são aventureiros e, portanto, construíram seus próprios
sistemas. Discordo. Os jogos possuem relação com "fugir da realidade",
um tipo de realidade alternativa. Jogadores habituados com consoles
querem sentar na frente da televisão, apertar alguns botões e jogar um
bom jogo. Sem dificuldades com requisitos de hardware, dependências ou
outros conflitos; eles só querem que funcione, não querem saber como
nem porquê.

Um problema é que a Microsoft patrocina o uso de seus sistemas, como o
Vista. Ela distribui cópias baratas em grandes quantidades para
empresas como a Dell e HP. É por isso que muitas vezes você vê o Vista
em computadores mais baratos do que usando o Linux, especialmente em
grandes varejistas como a Dell. O que é muitas vezes um dos 3 itens
mais caros em muitos computadores "para jogos" é o sistema operacional
Windows, que pode custar algumas centenas de reais.

Bem, as contradições não ajudam a tornar válidos os pontos
mencionados. Ou o Windows é caro ou barato, mas não ambos. Além disso,
eu não considero um preço como principal motivador para gamers. Por
aproximadamente o mesmo custo de um Sony PlayStation 3 você pode
facilmente construir um sistema capaz de reproduzir jogos e funcionando
em rede. Se você comprar um PC OEM, uma variante do Microsoft Windows
normalmente vem instalado, e vem tão barato que não é um grande fator
decisivo. Comparando-se os custos financeiros diretos de UM produto
gratuito (Linux) com o preço de tudo o mais (PC + sistema + jogos +
etc), simplesmente não é justo. Há melhores maneiras de demonstrar o
valor do GNU/Linux.

Os recursos para computadores caseiros ou para escritórios são
diferentes daquilo que muitos jogadores estão à procura em um console.
Um PC lhe dará sem dúvida mais flexibilidade e opções do que qualquer
jogo em console, de forma que a variedade de hardware ou software
também não é um fator importante.

A solução para o problema: empresas Linux… O problema é que as
empresas pagam centenas de trabalhadores para construir um jogo por
vários anos, enquanto muitos projetos de jogos no mundo livre levam
anos para o desenvolvedor dar apenas um passo.

Não há falta de jogos gratuitos ou comerciais que podem ser
executados usando GNU/Linux, seja usando binários nativos, através de
utilização de software como o Wine para executar o softwares Windows ou
por jogar na web usando GNU IceCat, um fork do Mozilla Firefox, ou
usando Flash.

Estúdios independentes como 2D Boy que utilizam ferramentas de
código-fonte aberto prometeram versões para GNU/Linux de seus jogos
World of Goo. Mas lançamentos foram adiados, em parte devido ao sucesso
do Wii. Um número maior de clientes em potencial usando Wii teve
prioridade sobre a comunidade GNU/Linux, e foi uma decisão adequada e
comercialmente viável dada a dimensão do estúdio.

Existem formas economicamente mais viáveis de apelar a uma maior
audiência com o GNU/Linux. A série ASUS Eee PC de netbooks executando
Xandros Linux é um exemplo bem sucedido de um produto de consumo com
alta usabilidade e aprovação que utiliza uma estrutura baseada
principalmente em software livre. Embora seja possível encomendar um
EeePC com o Microsoft Windows, o mais barato e mais rápido é usando
Linux.

Uma adoção GNU/Linux para os usuários tem sido sempre uma questão sobre
escolhas, e as escolhas estão agora se tornando cada vez mais
disponíveis. Em 2008 a HP se tornou a última grande fabricante a vender
desktops com GNU/Linux pré-instalado. Esta liberdade de escolha para os
consumidores, tanto grandes como pequenos, é muito importante. Muito
mais importante do que apelar para a aprovação de um subconjunto de
usuários, como os gamers.

É hora de desenvolvedores de código aberto começarem a receber o
pagamento por seus esforços. Quem seria melhor para pagá-los do que as
empresas que beneficiam?

Código livre não significa desenvolvimento sem pagamento; existem
muitos programadores de código livre que são pagos pelos seus esforços
através de fundações ou outras corporações, ou são empregados de uma
entidade comercial que prevê o período de trabalho para seus
trabalhadores contribuírem para projetos open source.

Quando se melhorar a usabilidade ao ponto de haver um apelo em
massa para a capacidade de executar o que se quer (sem reconhecimento
de marca) e fornecendo a escolha entre duas soluções equivalentes e
funcionais diferenciadas apenas pelo preço, então o GNU/Linux se
tornará uma opção viável. Com base no crescimento do GNU/Linux no
mercado, de janeiro de 2008 a novembro de 2008 indicado pela W3Counter,
penso que uma série de passos para adoção já foram e continuarão a ser
encontrados.


http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Por-que-os-GAMES-nao-sao-a-chave-para-o-Linux-em-desktops

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