Regras de ouro ao instalar o Linux em empresas

Autor: Renato Félix de Almeida <cruzeirense at oi.com.br>

Por que instalar o Linux em empresas?

Antes de instalar o sistema você deve responder a seguinte pergunta:

"Porque instalar o Linux em empresas?"

Vou dividir a minha resposta em três pontos de vista: dono da empresa, técnico em manutenção e usuário final.

Dono da empresa

1. Custo reduzido com licenças
2. Estabilidade e segurança
3. Menor necessidade de atualização de hardware
4. Menor custo de manutenção

Técnico em manutenção

1. Apresentar um serviço diferenciado e de qualidade para seu cliente
2. Redução de trabalho com manutenção
3. Ampliar o campo de atuação

Usuário final

1. Quanto mais difundido e melhor for o Linux, melhor terão que ser os
outros sistemas. É a lei da concorrência. Lembram-se quando o Linux
começou a pegar de verdade? A Microsoft teve que abandonar de vez o
Windows 98 e lançou o que, na minha opinião, foi o melhor sistema
operacional que já existiu, o Windows XP (o Vista não conta, porque foi
um fracasso!). Agora o XP já está ficando para trás a Microsoft terá
que se desdobrar para lançar um sistema melhor e nós vamos ter que nos
virar para fazer melhor com o nosso Linux.

Partindo dessa base criei umas regrinhas que sempre sigo na hora de instalar o Linux em empresas.

Regras de implantação

Regra 1: veja se você sabe instalar o Linux

Essa é a mais
importante de todas. Se você não souber instalar o sistema, não adianta
ele ser bom e atender plenamente a empresa, pois sempre existirá algum
problema. Quando digo instalar o sistema, não é apenas botar um live CD
e pronto. É necessário fazer uma instalação decente, configurar a rede,
os dispositivos, os direitos do usuário, se necessário compilar algum
driver de dispositivo etc. É importante também conhecer e saber
instalar bons softwares no Linux.

Regra 2: verifique se é possível instalar o Linux na empresa

Faça uma lista de todo hardware da empresa. Liste também os periféricos
como impressoras, scaners etc. Verifique se o sistema tem suporte para
esses itens. Não adianta fazer uma instalação em que o vídeo fica numa
resolução baixa, o teclado não aceita acentos, a impressora não
funciona e por aí vai.

Regra 3: verifique se o Linux vai atender a empresa

Você deve
verificar antes qual o campo de atuação da empresa e as necessidades
diárias dela em termos de software. Faça uma lista de todos os
programas que a empresa utiliza e verifique a disponibilidade de opções
em Linux. Se a empresa utiliza apenas editores de texto, planilhas
eletrônicas etc, fica bem fácil.

No caso de softwares mais específicos, mesmo que tenha opções
equivalentes para Linux, não é recomendável a instalação. Ex.: se a
empresa necessita do Photoshop, não adianta você falar que existe o
Gimp que faz a mesma coisa. Se o funcionário usa o Photoshop, ele não
vai querer aprender Gimp só porque você está tentando implantar um novo
sistema.

Outra situação que é bem comum é a empresa que tem um software próprio
de gerenciamento que normalmente é para Windows. Uma opção, que não é
ideal mas tenho como aceitável, é a emulação via Wine. Inclusive o
software que desenvolvo e é utilizado em todos os meus clientes é feito
em Delphi para Windows. Fiz algumas alterações e consegui rodar com
perfeição no Linux emulando via Wine.

Vocês podem até me perguntar porque não faço o programa nativamente
para o Linux em Kylix ou FreePascal. A verdade é que existe uma lacuna
de ambientes de desenvolvimento em Linux. Se a pessoa não programa em C
(e derivados) ou Java, não existe uma ferramenta eficaz para
desenvolvimento em Linux. Talvez daqui alguns anos o Lazarus esteja
mais maduro e funcional.

Regra 4: padronização é tudo!

É essencial que se instale a
mesma distribuição em todas as máquinas. Deve ser utilizado o mesmo
ambiente gráfico com as mesmas configurações em todos os computadores.
Parece até ser um erro fazer isso, pois um dos pontos fortes do Linux é
a possibilidade de personalização. Se a instalação for diferente em
cada máquina, o usuário vai perder muito tempo procurando opções ao
sentar na máquina do lado.

Outro problema é quando você precisa dar suporte, principalmente por
telefone. Imagine você perguntar para o usuário: Qual a distribuição
que está instalada aí? Qual o ambiente gráfico? Até você conseguir
fazer o usuário clicar em um botão certo já vai ter perdido muito
tempo…

Imagine também você ter que dar um treinamento em cada distribuição
diferente? E também é muito mais fácil para o instalador ficar fera em
uma distribuição do que ter que aprender os macetes de cada
distribuição. Eu normalmente uso Ubuntu, mas o ideal é cada instalador
usar a que ele se sente mais a vontade. A nível de usuário qualquer
distribuição é fácil, desde que bem instalada.

Regra 5: lugar de brincadeira é em casa

Nada de ficar colocando
efeitos malucos na interface do usuário. Coisas como janelas pegando
fogo, rebolando, quebrando ou outras firulas não são coisas que
empresas querem. Você não deve perder seu tempo com isso, pois é
completamente desnecessário. Você aproveitará melhor o seu tempo
configurando a sistema de forma a obter um melhor desempenho.

Regra 6: utilize o melhor dos dois mundos

Não é necessário
acabar com o Windows na empresa. Como profissional, temos que pensar
sempre em oferecer o melhor para o cliente, e se o melhor for manter o
Windows em algumas máquinas, que assim seja. O importante é que
funcionem bem. Já tive casos em que deixei o Windows em 1 máquina por
causa de um scanner que não funcionava no Linux.

Regra 7: ensine como se usa o sistema

Todos sabem que usar o
Linux é simples. Algumas complicações surgem apenas na hora de
instalar, mas depois de instalado é muito simples mesmo. De qualquer
forma é bom dar um treinamento básico para os usuários para eles não se
sentirem completamente perdidos. Lembre-se que o ser humano é acomodado
por natureza e sempre vão existir pessoas descontentes. Tente fazer a
transição da melhor forma possível. Deve ser levado em conta também que
a maioria dos usuários farão comparações com o Windows. Isso é
inevitável, então você já deve, em seus treinamentos, estar preparado
para perguntas do tipo: Como é que eu abro o Word? Alguns técnicos
inclusive instalam temas que fazem a máquina ficar idêntica ao Windows.
Eu não costumo fazer desta forma mas acho que é uma opção válida.

Regra 8: não amarre os braços do usuário

Não é só porque o
Linux é considerado mais seguro que você tem que sair bloqueando tudo
para o usuário. Verifique as permissões que ele tinha com o sistema
anterior e configure da mesma forma no novo sistema. Ficar bloqueando o
usuário só vai gerar insatisfações.

Regra 9: você está fazendo um excelente trabalho!

Tenha sempre
em mente que a empresa não está fazendo um favor em "deixar" você
instalar o Linux. Você é que está fazendo um ÓTIMO TRABALHO para a
empresa, instalando um excelente sistema com diversos pontos positivos.
Então nunca deixe de cobrar o valor justo pelo seu trabalho, inclusive
os treinamentos e manutenção. Se o valor da instalação do Linux for
mais cara que do Windows, não deixe de cobrar desta forma.

Regra 10: sinceridade é a base de um bom relacionamento

Você deve sempre deixar o dono da empresa ciente dos problemas que
podem ocorrer e das limitações que podem existir. Por exemplo, ele
sempre vai ter que verificar a compatibilidade de novos dispositivos ou
programas com o Linux antes de comprar.

Regra 11: é possível não dar certo

Isso mesmo! É possível que
depois de instalado o sistema não atenda a empresa da forma esperada. A
ideia da instalação é trazer soluções, mas se ela estiver trazendo
apenas problemas não é absurdo nenhum você ter que voltar atrás.
Lembre-se que a instalação não é uma aposta apenas sua. Quem irá colher
os melhores frutos de uma instalação bem sucedida é a empresa, então
nada mais justo que a empresa pagar o ônus de um possível insucesso.

É importante lembrar que se você seguir as regras anteriores será muito
provável que você não tenha problemas de implantação ou então nem venha
a instalar o sistema.

Considerações finais

Bom pessoal, essas são as regras que sigo antes de fazer uma instalação
de Linux em empresas e tenho obtido sucesso. Já instalei mais ou menos
50 cópias do Ubuntu em 3 empresas e está funcionando muito bem. A
instalação mais antiga já funciona a mais de um ano sem reclamações.

Quero deixar claro também que estas regras de instalação eu
fui bolando com o tempo e com o uso, inclusive já quebrei a cara
algumas vezes tentando instalar Linux. As regras não são obrigatórias
nem definitivas. Ficam essas regras como sugestão, mas espero que cada
uma tenha as suas regras e tentem trabalhar com o Linux da melhor forma
possível.

Abraços,

Renato


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