Porque o Linux é difícil

Autor: Edwal F. Paiva Filho <edwal at urbi.com.br>

O que é bom, para quem?

A tônica das discussões tendem a focar dois ou três pontos de comparação:

  • Linux versus Windows.
  • Superioridade técnica do Linux
  • Adivinhação da facilidade de uso.

Esta visão é típica que quem sabe mais por ser auto didata ou por ser
um profissional cujo saber sobre o assunto se superpõe aos problemas
comuns dos usuários, via de regra banais e triviais.

A importância das pequenas dúvidas e dificuldades é a primeira
premissa a ser revista e destruída. Um comando "lsusb" é mais que banal
para o iniciado, mas uma montanha de dificuldade para o usuário. Seguir
o excelente tutorial de instalação do Slackware Linux é banal para um
iniciado, mas um calvário para o usuário.

Frases equivocadas:

"O Linux é fácil de usar, mas não pode ter preguiça. Quem não sabe se limpar sozinho não usa Linux."

O usuário tem o direito de pensar como um orangotango, pelo simples fato que é ele que escolhe o sistema operacional:

  • Se é um usuário sovina, escolhe um Windows pirata.
  • Se é um usuário normal, adquire um Windows legal e um MS Office pirata.
  • Se o usuário com mais discernimento, adquire um Windows legal e aplicativos freeware ou open source.
  • Se o usuário tem dinheiro e bom gosto, escolhe um MAC.
  • Se não é usuário, escolhe Linux.

A comparação com o Windows, quanto às facilidades de uso
e instalação é intuitiva, mas nada apropriada para benchmark (benchmark
seria a comparação com a excelência, com o melhor produto).

Por esse caminho chega-se a concluir a inegável superioridade
técnica do Linux e dos sistemas UNIX Like, que rendem parabéns aos
experts, mas que pouco ou nada significam para o usuário comum.

O usuário quer algo que seja intuitivo e que o encante. Não se
nota esse objetivo na grande maioria das distros. Uma olhada
superficial, de leigo, leva o usuário a se encantar com o MAC OS. Logo
uma comparação mais adequada, para quem quer ser o melhor, seria com o
MAC OS.

Tecnicamente pode ser uma bobagem, mas é uma bobagem que encanta o leigo.

Porque se preocupar com um preguiçoso que não sabe nada

O preguiçoso que não sabe nada é um cidadão que usa computador;
esse motivo isoladamente já é suficiente para que os especialistas se
preocupem com ele, pois a qualquer momento ele pode se tornar um
cliente.

O usuário é uma pessoa que tem o seu próprio negócio, uma
profissão, necessidades e desejos; apenas ele não é do ramo da
informática. Para ele a informática tem a mesma importância da
arqueologia ou da técnica de criar camarões, ou fabricar whisky. Seu
interesse em aprender os segredos da técnica é o mesmo para todos esses
assuntos, pouco mais pouco menos, dependendo dos gostos subjetivos.

Note que o usuário, enquanto pessoa comum, até gosta de
aprender, mas não gosta de sofrer, mantendo em mente que "sofrer"
também é subjetivo.

Dizem que a mentalidade Linux
é fazer algo que se gosta e disponibilizar solidariamente para a
humanidade. Muito altruísta, mas trata-se de um raciocínio limitado,
mesmo dentro do humanismo, esquecendo o dinheiro. Limitado porque se o
trabalho do especialista fosse utilizado por mais pessoas ele teria uma
recompensa dobrada pelo seu altruísmo.

Não obstante o jogo de cooperação / benefício do open source é
algo bem maior, bem mais útil, lucrativo e portanto superior às boas
intenções do altruísmo. Superior porque além das boas intenções dá bons
resultados (boas intenções= ética da convicção. Bons resultados = ética
da convicção mais ética da responsabilidade – só para quem se preocupa
com isso).

Do ponto de vista prático ($$$$$), quanto maior o número de
usuários, mais importante o sistema operacional e mais clientes
potenciais; logo há muitas e boas razões, de todas as naturezas, para
atender os desejos e veleidades do usuário, um cara folgado que quer
tudo fácil.

O mote da Canonical (Ubuntu), "Um sistema operacional para a
humanidade", é a primeira declaração, ou intenção explícita, de
conquistar o maior número de usuários possível.

A distância entre expert e usuário no Linux

Imagine-se como um vendedor, tentando convencer um cliente a
preferir o seu peixe ao peixe do vizinho. Os bons vendedores que eu
conheço não miram diretamente na venda, mas no convencimento. Vender
leva a uma operação singela, convencer leva a muitas operações de
venda.

Você coloca na mão dele (usuário) um CD da distro que você
acha mais fácil. Vamos supor que o sistema instale milagrosamente sem
problemas, mas ainda precisa configurar a internet, a placa de som, o
driver de vídeo… e o usuário pergunta (pergunta frequente no VOL):

"- Onde eu acho os drivers?"

Depois de resolver tudo isso, ainda precisa do saudoso
adobe-reader, de um processador de imagem tipo irfanwiew, de um editor
de mid como o timidity, além das trapalhadas de /dev/sda7. Lembre-se
que na instalação default o Windows cria uma única partição (método
suicida, mas didático).

Nem tudo pode ser resolvido automaticamente para o usuário,
mas muitos problemas podem ser minimizados ou evitados. A ansiedade da
divulgação leva a uma oferta muito grande de distros de um único CD
donde decorre uma instalação incompleta do sistema. Um exemplo
corriqueiro: O Ubuntu
tem uma instalação amigável, mas não instala nem o build-essential, nem
o linux-sources, necessários à compilação. O usuário baixa o driver de
vídeo, cuja instalação requer compilação do módulo. A coisa não
funciona e ele nem imagina porque.

Os fóruns suportam os iniciantes e constituem uma grande fonte
de soluções. Não obstante o nível de dificuldade permanece elevado,
exigindo pesquisa das soluções e fazendo com que o usuário se sinta
"catando papel no vento" e lendo um a um para encontrar uma solução.
Cabe considerar que é grande a possibilidade do usuário empacar e
acabar desistindo, frustrado por não ter conseguido. Mais além, vai
contar para todos os amigos que o tal Linux é coisa de maluco para maluco.

Algumas soluções são extremamente úteis; por exemplo:

  1. A abordagem do Kurumin revelou um grande passo para
    aproximação do usuário e dos especialistas. Primeiro por oferecer uma
    instalação com tutorial em português; segundo pelos ícones mágicos, que
    iam até a instalação dos drivers de placas de vídeo mais utilizadas;
    terceiro por dar segurança ao usuário, passando a sensação de que a
    coisa tinha começo meio e fim, ou pés e cabeça.
  2. Abordagem agressiva do Ubuntu com a comunidade
    Universe integrada ao repositório. Ainda que isso não leve a um contato
    mais rico com o usuário, esta comunidade injeta ideias novas ao
    sistema, alargando as considerações entre os especialistas e os
    usuários.
  3. Artigos de tutorias, publicados nos fóruns, que indicam como
    fazer, como instalar a distro X ou Y. Esse tipo de coletânea é
    extremamente importante porque contém soluções práticas, facilmente
    aplicáveis.

Conclusões e sugestões

As pessoas que não são especialistas preferem padrões de uso. Os
padrões são facilmente transmitidos e tornam-se conhecidos rapidamente.
A biodiversidade de distros não ajuda a divulgação do Linux.

Não seria necessário padronizar uma distro única, mas seria uma grande contribuição a divulgação de uma distro amigável.

Não é necessário nenhuma distro nova, seria mais útil uma distro
remasterizada que descontente todos os especialistas, que seja odiada
pelos puristas e amada pelos usuários; uma distro existente,
descaradamente remasterizada, enxertada de telas bonitas de tutorias
tipo "troca fralda do usuário", de ícones mágicos, de bolhas de
instruções e hyperlinks para os drivers dos fabricantes, se necessário,
de um monte de programas populares, enfim, de mimos que do ponto de
vista técnico não acrescentam absolutamente nada, mas que do ponto de
vista do usuário simplesmente encantam.

Essa distro teria que instalar tudo ou quase tudo numa tacada
só, sem esquecer os programas mais populares, nem que ela tenha que
ocupar um DVD inteiro. O Sabayon faz quase isso, mas é difícil para usuário.

Seria mais útil e efetivo uma distro que seja diferente, que não queira
ser boa, mas que queira o lugar do Windows. It is not good enough to be
the second!

Notem que seria muito mais fácil enfeitar algo que já existe do que partir do zero.

Infelizmente o Kurumin foi descontinuado, e não me refiro a
distro Kurumin, mas à ideia Kurumin, e nada, nada ocupou o vácuo. Nada?
O Vista, talvez.

Uma distro quase perfeita seria uma mistura de Sabayon (põe
quase tudo num DVD), Kurumin (com seus tutoriais e ícones mágicos) e
Ubuntu (com a ambição se ocupar o lugar o Windows).

Que fique claro: Não sou profissional de informática, nem de
equipamento de informática, nem de site de informática, nem de loja de
informática. Eu sou o usuário preguiçoso, comodista, que só entende de
arqueologia do Discovery Channel, de medicina do Fantástico, de
política de botequim, de automóvel pela Quatro Rodas e de informática
pelo VOL. Odeio, detesto, esconjuro e abomino o command line, o comando
mount, o apt-get -i e adoro o Synaptic.

Obrigado pelo esforço heróico de ter lido até o fim.

Um abraço.


http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Porque-o-Linux-e-dificil

Um comentário sobre “Porque o Linux é difícil

  1. Eu li um pouco desse seu esforço…demente em defender o windows…quem sabe o idiota do Ballmer leia tambem e te dê um emprego na MS. Camarada, o windows não é simples e vc sabe disso….. Cuidado para nao clicar em vírus…tem que desfragmentar ( sabe fazer isso ?), tem que se proteger de spyware, trojans e etc…..r voce vem dizer que é fácil ?E agora que lançaram o windows 7 que precisa de uma VM para rodar um XP MODE para poder ter capacidadde de rodar todos os programas para windows, como vai ser ? Vc acha que esse usuário comum. que vc fala, saberá usar uma VM ? Melhor seria estar num Linux e instalar um virtual box para instalar bacaninha o xp e usar ele virtualizado nim linux que usa racionalmente os recursos de seu hardware. Vc sabia também que sua querida M$ do caralho, criou uma versão família do windows 7, que será vendida nos EUA, Europa e Japão, mais barata que a licença normal a ser vendida no Brasil e que dará ao usuário o direiro de instalar em 3 pcs, enquanto a do Brasil dará direito a apenas uma máquina ?Vc acha justo seu chupa rola de BillGates do caralho…..toma vergonha nessa cara…….

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