Saiba como funciona o serviço de banda larga pela rede elétrica

Fernando Petracioli, especial para PC WORLD*

Redes elétricas internas já contam com alguns usuários em SP; parte externa ainda aguarda regulamentação.

Reportagem feita a partir de dúvida de leitor; saiba mais

internet_eletrica_150Você
sabia que é possível acessar a Internet usando a fiação elétrica de sua
casa e que existem estudos no Brasil de entregar este tipo de serviço
na casa dos usuários desde 2001?

Essa modalidade de acesso vem sendo testada por empresas como a
Eletropaulo Telecom (SP), Light (RJ), Copel (PR), Celg (GO), além da
Brasil Telecom, que tinha projetos de entregar banda larga pela rede elétrica em pelo menos dez estados.

A transmissão de dados pela rede elétrica, chamada BPL (Broadband
over Power Lines) ou PLC (Power Line
Communications), e da eletricidade ao mesmo tempo e pelo mesmo par de
fio de cobre é
viável pois cada um destes serviços utiliza faixas de freqüência
diferentes – como o que já ocorre com o serviço de banda larga na linha
telefônica convencional.

Por conta disso, os dois serviços podem
conviver tranquilamente no mesmo meio, e um não vai interferir no
funcionamento do outro. Conta a favor da PLC o fato de a rede elétrica
estar disponível em um número muito maior de pontos do que a rede de
telefonia.

Fisicamente falando, a faixa de freqüência utilizada pela energia
elétrica é mais longa, porém baixa (na casa dos Hertz – Hz). Já o
serviço de dados utiliza um sinal mais curto e uma faixa de freqüência
muito mais alta (Megahertz – MHz).

O
que isso quer dizer? Na prática, qualquer pequena interrupção no sinal
de dados, ou mesmo falhas na rede podem gerar perdas irrecuperáveis na
transmissão dos sinais de telecomunicações. Por interrupções ou falhas,
podemos considerar, por exemplo, o acionamento de outros equipamentos
elétricos na mesma rede.

O campo magnético gerado prejudicava o tráfego dos dados na
primeiras versões dos modems, problema que já foi resolvido nos
equipamentos mais modernos.

Como funciona
Para compreender como a entrega do serviço
de banda larga pela rede elétrica acontece é preciso analisá-la sob
dois pontos de vistas distintos.

Na parte ‘indoor’ – ou seja, na casa do usuário, em prédio de
apartamentos ou mesmo no escritório – , cada PC deve ter um modem, de
um lado conectado ao computador via USB ou rede Ethernet, e do outro
ligado à rede elétrica (tomada).

Pelo menos dois fatores são vantagens desse método. Com ele,
potencialmente, qualquer tomada dentro da casa, prédio ou escritório se
torna um ponto de internet, e não se fica à mercê de barreiras que
possam impedir a expansão da rede.

Por outro lado, comparada ao acesso sem fio, a solução PLC necessita de modem compatível ligado a cada PC (e este, na tomada). Sem contar o preço, que em função da falta de grande escala torna este tipo de solução mais cara.

powerline_150O
modem PLC é o responsável por converter as informações que chegam pela
fiação elétrica e entregá-la na forma adequada ao computador e
vice-versa.

Adicionalmente, é preciso ter um demodulador-repetidor, que é
instalado junto ao relógio de medição e faz o meio de campo entre as
partes ‘indoor’ e
‘outdoor’.

Fora do ambiente ‘indoor’, os dados trafegam pela rede da
concessionária de energia elétrica até um concentrador mestre, em geral
instalado em uma estação ou subestação de distribuição.

A partir daí, os dados trafegam via cabo de fibra óptica, que pode
estar sob a responsabilidade de empresa de telecomunicações ou mesmo da
própria empresa de energia, até chegar a um ponto de acesso a web (POP).

Na verdade, a parte externa do processo ainda não foi regulamentada
pela Anatel, o que deve ocorrer em breve, segundo Pedro Jatobá,
presidente da Aptel. Algumas companhias elétricas estaduais, como a Copel, já fazem licitações para testar a tecnologia, razão pela qual não há serviços comerciais em operação.

O que já dá para fazer é montar uma rede de dados usando a fiação elétrica
e conectá-la a um provimento de acesso externo que venha da rua, como o
cabo. De acordo com Jatobá já existem cerca de 5 mil pontos como esse
na cidade de São Paulo.

Prós e contras
Como já foi citado, a primeira grande
vantagem desse modo de conexão PLC é evidente: a infra-estrutura
necessária já está amplamente instalada, pois praticamente todas as
construções estão conectadas à rede elétrica. Assim não há gastos nem
perda de tempo com instalação de cabos, por exemplo, o que poderia
encarecer o serviço.

E isso se torna ainda mais importante quando nos lembramos de locais
que não podem ter a sua estrutura quebrada para a instalação de cabos –
seja por inconveniência ou por impedimento – como prédios antigos,
museus, edifícios tombados e alguns hospitais.

A internet via rede elétrica também pode ter vantagens específicas
em relação ao wireless. Muitas vezes se pensa que a conexão sem fio à
Internet é a solução definitiva de todos os problemas de conectividade.

Mas não podemos nos esquecer de locais onde as ondas de rádio não
funcionam, por causa de uma parede muito espessa ou de problemas de
topografia. Isso sem falar nos atuais problemas enfrentados por usuários com compartilhamento de banda e baixa velocidade.

A velocidade, aliás, é outro ponto a favor das redes elétricas e
pode chegar a cerca de 200 Mbps. Também conta a seu favor a
criptografia usada – DES de 56 bits – que garante boa segurança e
privacidade.
Além disso, os dados estão sempre em rede local, o que livra essa tecnologia dos riscos de sniffing e wardriving,
dos quais o Wi-Fi é freqüentemente vítima. Como o demodulador-repetidor
fica instalado antes do relógio de medição, dentro dos limites do
cliente, não há vazamento das informações para a rede externa.

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