Linux no desktop

(http://pcmag.uol.com.br/tcontent.asp?tc=2&id=146)

Mandriva Linux 2007 – Powerpack +

A Mandriva é
fruto da fusão, em 2005, da francesa Mandrakesoft com a brasileira
Conectiva, e sua distribuição Linux é resultado da mistura do Mandrake
Linux com o Conectiva Linux. O Mandriva Linux é principalmente voltado
ao usuário doméstico e pequenas empresas, para uso em ambiente desktop.
São várias as versões disponíveis, do Live CD Mandriva One, passando
pela versão gratuita Mandriva Linux 2007 Free e as versões comerciais
Discovery, PowerPack e PowerPack+, que incluem documentação impressa e
suporte técnico. A empresa também comercializa o Mandriva Flash, um
engenhoso pen drive de 2 GB com sistema operacional pré-instalado e 1
GB de espaço livre para seus documentos e arquivos pessoais.

Instalação

O
Mandriva Linux usa um instalador próprio, com bom suporte ao idioma
português. Em nossa máquina de testes, a instalação demorou cerca de
quarenta minutos para ser completada, com todo o hardware sendo
reconhecido sem problemas. Mas há pontos que a Mandriva poderia
eliminar, para evitar confusão por parte de um usuário iniciante. Logo
no início, por exemplo, uma janela pede ao usuário para selecionar o
nível de segurança do sistema (embora "Alto" esteja pré-selecionado, o
nível "Padrão" é recomendado) e informar o "Login ou E-mail do
Administrador de Segurança" da máquina.

A seleção de perfis de
pacotes (programas) a serem instalados é muito granular. Embora por um
lado isso seja bom, pois permite ao usuário experiente bastante
controle sobre o que será instalado na máquina, por outro lado,
confunde o iniciante, que fica sem saber o que escolher e pode deixar
de fora um conjunto de aplicativos que seria útil no seu dia-a-dia. Uma
máquina doméstica, por exemplo, precisaria de pelo menos três dos itens
em "Estação de Trabalho" (Escritório, Multimídia e Internet), além de
"Computador de Rede (cliente)", Configuração, Documentação e "Ambiente
Desktop KDE". Um sistema de perfis de uso (como Casa, Escritório,
Servidor), como usado no Fedora 6, seria mais adequado.

Durante
a instalação, é necessário definir uma senha de root (o administrador
do sistema) e criar pelo menos um usuário comum. Uma opção permite
ativar o auto-login, ou seja, ao fim da inicialização, o sistema vai
direto para o desktop, sem a necessidade de digitar nome de usuário e
senha. Embora alguns radicais vejam isto como "falha de segurança", é
uma opção útil para computadores domésticos, que raramente têm mais de
um usuário.

Outra opção útil é o download de atualizações
durante a instalação. Com isso, a máquina já estará "em dia" com as
correções de possíveis bugs e falhas de segurança desde o primeiro
minuto. Em teoria, basta que o computador esteja conectado à internet,
mas este recurso não funcionou bem em nossos testes: a configuração de
rede (via DHCP) não foi feita corretamente, o que impossibilitou o
contato com o servidor de atualizações. Em vez de desistir depois de um
tempo, o instalador ficou "pendurado", tentando eternamente uma
conexão, sem opção de cancelar a operação. Tivemos de reiniciar o
computador e recomeçar do zero.

Software

A seleção
de software que acompanha o Mandriva PowerPack 2007 é típica de uma
distribuição Linux, com figurinhas carimbadas como OpenOffice, Firefox,
Gimp e afins. Por ser baseado no ambiente desktop KDE, alguns programas
mudam: em vez do Thunderbird ou Evolution, usa-se o KMail para ler e
enviar e-mail. O cliente de bate-papo padrão é o Kopete, em vez do
Gaim, e além do OpenOffice, também há o conjunto de aplicativos de
escritório KOffice (composto pelo editor de textos KWrite, a planilha
de cálculo KSpread e o gerador de apresentações KPresenter, entre
outros).

Também há programas exclusivos, como o DVD Player
LinDVD (falarei sobre ele daqui a pouco) e o Cedega, software que
permite rodar no Linux jogos populares do mundo Windows, como
Battlefield 2, Far Cry, FIFA Soccer 06 e World of Warcraft, entre
muitos outros. Aliás, a distribuição já vem com um bom jogo, Flatout,
que mistura perseguição em alta velocidade e destruição de automóveis,
no melhor estilo Burnout.

Infelizmente, nem Cedega nem Flatout
vem instalados no perfil padrão: é necessário dar um pulinho até o
utilitário "Install, Remove & Update Software" para instalá-lo. Ele
fica no Menu K/Sistema/Configuração/Empacotando/ Install, Remove &
Update Software. A interface é praticamente a mesma do
Adicionar/Remover Aplicações, do Ubuntu, e a diferença é que os
programas não são baixados da internet, mas do DVD de instalação do
sistema, embora seja fácil habilitar a instalação via internet se o
usuário quiser.

Para receber atualizações do sistema, você deve
criar uma conta gratuita no serviço Mandriva Online. O sistema de
notificação é simples e eficiente, um ícone ao lado do relógio índica o
status do sistema: verde significa atualizado e vermelho significa que
há atualizações a baixar.

Multimídia

O Mandriva
2007 PowerPack tem o melhor suporte a multimídia dentre as
distribuições testadas, algo digno de nota. Sem nenhuma configuração
extra, pude ouvir músicas em MP3 logo após a instalação. Também não
tive problemas ao assistir a vídeos no formato MP4 (codificados em
H.264/AAC). A Mandriva inclui na distribuição um DVD Player licenciado,
o Intervideo LinDVD, com os mesmos recursos de seu irmão WinDVD. Basta
colocar um DVD no drive e aproveitar o filme, sem se preocupar com a
instalação de bibliotecas, codecs e afins.

O navegador já vem
pré-configurado com os plug-ins Flash, Java e o Adobe Reader, o que
deve dar conta da maioria dos sites da internet. Mas a Mandriva se
esqueceu de algo importante: vídeo. Não há nenhum plug-in para assistir
a clipes em Windows Media ou Quicktime, embora um possa ser instalado
pelo usuário com um pouco de trabalho manual.

Usabilidade

O
maior problema que encontramos no Mandriva Linux 2007 é a usabilidade.
O "Menu K" (a estrela dourada no canto inferior esquerdo da tela) é
organizado em categorias como Escritório, Internet e Multimídia. Cada
item tem suas próprias subcategorias (Como Escritório/Desenhos) e às
vezes as subcategorias têm suas próprias divisões, como em
Escritório/Comunicações/Fax. Com isso, alguns itens ficam debaixo de
quatro níveis de menu, dificultando muito o acesso a eles.

Outro
problema é a distribuição dos itens nestes menus. Por que o processador
de textos do OpenOffice tem uma subcategoria própria
(Escritório/Other), em vez de estar em Escritório/Processadores de
Textos? Durante os testes, um de nossos editores, usuário experiente em
informática, passou dois minutos procurando o software de gravação de
CDs (K3B) e não o encontrou. Além disso, o fato de muitos programas
estarem listados apenas com seu nome (K3B, SMB4K, KSIG, KDEnlive), sem
nenhuma descrição adequada de sua função, dificulta ainda mais a vida
do usuário.

Encontramos mais inconsistência na interação com
arquivos armazenados em rede. Se eu dou dois cliques em uma música em
MP3 no meu desktop, o player Amarok se abre automaticamente e começa a
tocá-la. Se faço a mesma coisa com o mesmo arquivo, porém armazenado em
uma pasta remota, o sistema primeiro me pergunta o que fazer com ele
(Salvar ou Abrir). Se seleciono Abrir, recebo uma mensagem de erro do
player, que reclama da "falta de um plug-in de entrada adequado".

Mas
tenho que reconhecer onde a Mandriva acertou. O OpenOffice.org,
conjunto de aplicativos de escritório do Mandriva 2007, recebeu um tema
com ícones que se integram bem ao resto do sistema e usa as mesmas
caixas de diálogo de abrir/salvar arquivos que o restante do ambiente
desktop, o KDE. Isso evita que o usuário se confunda ao encontrar
janelas diferentes para realizar a mesma tarefa, dependendo do programa.

Onde conseguir

A
Mandriva oferece uma versão gratuita do Mandriva Linux 2007 para
download, chamada Mandriva Linux Free. Entretanto, se você quiser
software exclusivo como o LinDVD e o Cedega, terá de comprar uma das
versões comerciais, como a Discover, à venda na loja online da Mandriva
(http://store.mandriva.com) por EUR 44 (versão para download) ou € 49
(Caixinha com o DVD e Manual). A versão analisada, PowerPack+, custa €
179 (download) ou € 199 (caixa) e inclui três meses de suporte técnico
Mandriva Expert via web.

Mandriva Linux 2007 – Powerpack + Mandriva, www.mandriva.com
Preço: EUR 149
Prós:
Roda jogos de Windows, traz DVD player, multimídia instalados por
padrão e drivers para as principais aceleradoras 3D do mercado.
Contras: Problemas de usabilidade se acumulam, irritam e confundem o usuário.

SUSE Linux Enterprise Desktop 10

A
distribuição Linux da Novell é fruto de duas ações estratégicas feitas
pela empresa em 2003. A primeira foi a compra da SuSE GMBH, empresa
alemã desenvolvedora do aclamado sistema operacional SuSE Linux. A
segunda foi a aquisição da Ximian, empresa fundada por Miguel de Icaza
e Nat Friedman, desenvolvedores-chave do ambiente desktop Gnome. Além
de experiência na área de interfaces gráficas e usabilidade, a Ximian
também tinha produtos como o Red Carpet, para atualização remota de
sistemas, e o cliente de e-mail/groupware Evolution, com a então
inédita capacidade de se conectar a servidores Microsoft Exchange. Da
mistura dos produtos destas duas empresas, nasceu o SUSE Linux
Enterprise Desktop.

O instalador do SLED 10 é o Yast, o mesmo
usado há anos no SUSE Linux e sua versão Open Source, o OpenSUSE.
Embora o visual cinzento e quadradão possa intimidar os novatos, ele
funciona bem, qualquer funcionário de seu departamento de TI ou mesmo
usuário um pouco mais experiente será capaz de operá-lo sem problemas.
A instalação ocorre em dois passos: no primeiro, são definidos itens
como fuso horário, particionamento dos discos (que pode ser feito
automaticamente, aproveitando o espaço livre na partição Windows do HD)
e software a ser instalado. Depois da cópia dos arquivos (são cerca de
2,4 GB) para o disco, o computador reinicia e o instalador começa a
segunda parte, com configuração de rede, definição de usuários e senhas
e ajustes na configuração de hardware (inclusive a opção de habilitar e
desabilitar o suporte a Bluetooth).

Instalamos o sistema em duas
máquinas. Na primeira, um desktop, tudo ocorreu sem problemas e o
hardware foi detectado e configurado corretamente. Entretanto, tivemos
vários problemas em um desktop Positivo M25, equipado com processador
Intel Celeron M, 512 MB de RAM e baseado no chipset Intel 915GM. A
instalação demorou muito mais do que o normal, cerca de duas horas (na
mesma máquina o Ubuntu pode ser instalado em cerca de 40 minutos). A
inicialização do computador também é excessivamente demorada, quase
cinco minutos. Tivemos sérios problemas com o driver i810 para a placa
de vídeo on-board. O Xgl, novo sistema de vídeo responsável pelos
efeitos 3D da interface, não se entendeu muito bem com ele e, como
resultado, não conseguíamos ver o cursor do mouse, menus, botões e
fundos de janelas da interface gráfica. Contornamos o problema
substituindo o driver i810 pelo driver Vesa genérico, mas o desempenho
do vídeo cai bastante nesse modo. Até o fechamento desta edição, não
conseguimos identificar a causa dos problemas.

Interface

O
ambiente desktop do SLED 10 é baseado numa versão bastante modificada
do Gnome 2.12, com várias melhorias voltadas à usabilidade. Uma das
mais visíveis é um novo conceito em menu iniciar, que a Novell chama de
"slab". Basicamente, é um painel que agrupa em um único local seus
aplicativos favoritos, opções mais comuns de ajuste e configuração do
sistema e estatísticas sobre seu computador, como espaço livre em
disco. Em vez de um menu com milhares de itens como no Windows, você vê
apenas seus seis aplicativos favoritos ou os seis mais recentemente
usados, e é facílimo definir quais são eles ou adicionar e remover
itens do painel.

O sistema de busca no desktop Beagle é usado
extensivamente no SLED 10 e pode ser visto já no topo do slab. Digite
um termo no campo Search para buscar por documentos, aplicativos,
mensagens instantâneas, e-mails e qualquer outra coisa que contenha o
termo. Os resultados surgem em uma nova janela, divididos por categoria
e com pequenas "miniaturas" do conteúdo no caso de imagens e vídeos. A
mesma tecnologia pode ser usada no centro de controle: não sabe onde
ajustar a configuração do mouse? Abra o centro de controle, digite
"mouse" e todas as opções relacionadas serão mostradas.

Graças
ao trabalho da equipe de interface da Novell, a sensação ao usar o SLED
10 é a de um sistema coeso, não um monte de peças de diferentes origens
agrupadas no mesmo canto. O tema usado na interface é elegante e
agradável, com cores e gradientes suaves que não vão cansar os olhos
após um dia inteiro olhando para o monitor. Firefox e OpenOffice estão
bem integrados, tanto visualmente quanto funcionalmente: as janelas de
abrir/salvar arquivos são as mesmas usadas pelo resto do sistema
operacional. Até mesmo as telas de abertura, ou "splashscreens", dos
aplicativos seguem todas o mesmo padrão, aumentando a sensação de
"equipe".

Software

A Novell também investiu em
melhorias no software que acompanha o SLED 10. A planilha de cálculo
OpenOffice.org Calc, por exemplo, tem suporte a macros escritas em VBA,
a linguagem do Microsoft Office. Isso facilita muito a vida de empresas
que pretendem mudar de sistema operacional. A compatibilidade não é de
100%, mas é suficiente para cobrir os usos mais comuns. A Novell também
licenciou fontes TrueType com o mesmo nome e geometria das mais
comumente usadas no mundo Windows. Com isso, documentos importados do
Word mantêm a mesma aparência e formatação, independente do sistema
operacional.

O cliente de e-mail Novell Evolution se conecta a
servidores Novell GroupWise, Microsoft Exchange 2000/2003 e Lotus
Notes, além de servidores POP3 e IMAP. O navegador Firefox já traz os
plug-ins Macromedia Flash, Java, um cliente Citrix ICA (para o acesso
via browser a aplicativos em servidores remotos), Real Audio e Adobe
Reader, ou seja, tudo o que um funcionário pode precisar no dia-a-dia
na empresa.

Outro item do qual a Novell se orgulha é o Xgl, um
novo servidor gráfico que possibilita avançados efeitos na interface,
como no Windows Vista. Janelas semitransparentes, miniaturas em tempo
real de documentos abertos, múltiplas áreas de trabalho com animação
tridimensional ao alternar entre elas, está tudo lá, programado de
forma a funcionar sem esforço extra para a configuração. Se sua máquina
tem uma aceleradora 3D nVidia ou ATI, basta fazer o registro online de
sua cópia do sistema junto à Novell para baixar e instalar
automaticamente os drivers necessários para ativar os efeitos.
O
suporte a Bluetooth pode ser habilitado durante a instalação do
sistema. Testamos a transferência de arquivos entre o computador e um
telefone celular, que funcionou sem problemas. Em qualquer janela do
gerenciador de arquivos ou no desktop, basta clicar com o botão direito
do mouse no arquivo que deseja transferir e escolher o item Send to…
para ter acesso às opções de envio.

Multimídia

Graças
a uma parceria entre a Real Networks e a Novell o Banshee, media player
padrão do SLED 10, já tem suporte a arquivos MP3 de fábrica. O Real
Player 10 também vem pré-instalado. Entretanto, se quiser assistir a
vídeos em DiVX, Windows Media, Quicktime ou DVDs, será necessário
instalar software extra.

O processo, detalhado em
www.thejemreport.com/mambo/content/view/270/1, consiste em substituir
componentes do SLED 10 por equivalentes vindos do SuSE Linux 10.1.
Claro que isto não é algo suportado pela Novell, portanto pense duas
vezes antes de prosseguir, principalmente se sua empresa tem um
contrato de suporte para o SLED (usuários domésticos não tem suporte e,
portanto, nada a perder). Fizemos um teste em nosso laboratório e não
tivemos problemas: fomos capazes de assistir a vídeos em Quicktime no
navegador, arquivos Windows Media e também DVDs.

Onde conseguir

Uma
versão de avaliação do SUSE Linux Enterprise Desktop 10 pode ser
baixada gratuitamente do site da Novell (www.novell.com/linux),
juntamente com uma assinatura de testes (válida por 60 dias) do sistema
de atualização online. Após este período o sistema continua a
funcionar, porém, você perde o acesso às atualizações. Uma assinatura
de um ano de atualizações custa US$ 50 por máquina ou US$ 125 por
máquina em planos de três anos. A Novell também comercializa suporte
técnico. Empresas interessadas em um grande número de licenças são
encorajadas a entrar em contato com um representante de vendas da
empresa. Uma versão Open Source do SUSE, o OpenSUSE, pode ser baixada
gratuitamente em www.opensuse.org.

SUSE Linux Enterprise Desktop 10 Novell, www.novell.com/linux
Preço: Download gratuito, US$ 50 anuais por acesso a atualizações.
Prós:
A melhor usabilidade dentre todas as distribuições Linux no mercado,
bons aplicativos de escritório, navegador equipado com os plug-ins mais
populares, suporte a MP3 sem configuração manual, Bluetooth sem falhas.

Contras: Vários problemas com suporte a hardware em notebooks.

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