Testei a eficiência do firewall da minha empresa e ele falhou

Anônimo

Usuário inexperiente conta como foi que aprendeu a instalar e configurar um software que, na teoria, não poderia funcionar.

no_icq_150Este
fato é verídico e ocorreu em 1998. Sou advogado e, naquela época, eu
não tinha conhecimento algum de computadores; nem mesmo ligar uma
dessas máquinas eu sabia.

Mais ou menos no mesmo período, recebi uma proposta
financeiramente irrecusável para mudar de trabalho. Aceitei. Eis que,
para minha surpresa, no primeiro dia no novo emprego, encontro,
reinando, um suntuoso computador.

Por nada nesse mundo eu deixaria transparecer minha ignorância
quanto àquele objeto misterioso e, numa atitude extrema, resolvi que
faria o possível para aprender sozinho como mexer naquilo. E o
aprendizado teve de ser rápido. Os meses passaram e acabei gostando do
brinquedo, quer dizer, do computador.

Fiz amizade com o pessoal de informática da empresa e, durante
minhas visitas ao ‘fumódromo’, aproveitava para tirar algumas dúvidas e
ouvir sobre o que falavam.

Um dos temas mais discutidos por eles era sobre um tal de
"firewall". Mostrando interesse crescente, mas sem deixar transparecer,
consegui que, determinado dia, um dos gerentes da área resolvesse me
explicar o que significava essa palavra.

Um belo dia, já me sentindo totalmente confortável com aquele
aparelho, resolvi instalar o ICQ, um verdadeiro modismo da época. Tanto
fiz, mexi aqui e acolá e nada. Mas não ia desistir. Por fim, o programa
foi instalado e funcionava que era uma beleza.

Tempos depois, novamente no ‘fumódromo’ e na maior inocência,
comentei com meus amigos de informática que havia instalado e estava
usando o tal programa no meu PC.

Meu interlocutor, um rapaz chamado Jorge, ficou branco e podia jurar que estava à beira de uma parada cardíaca.

Pálido e de olhos quase a saltar das órbitas, perguntou: "O
quêêêêê????". Repeti o que havia dito e ele me falou que era impossível
eu ter feito isso.

Disse-me que o firewall que eles haviam instalado, um produto de
última geração, cheio de recursos e que havia custado uma pequena
fortuna, jamais permitiria que um usuário o instalasse e muito menos
utilizasse tal software para conversar pela internet.

Sem entender muito bem o motivo de sua reação, eu apenas
argumentei que apesar de alguma dificuldade inicial, não só havia
instalado como usava freqüentemente tal programinha. E mais: que
funcionava perfeitamente bem no meu computador.


no_icq_150O
gerente não disse mais uma palavra sequer e saiu correndo em direção ao
CPD, visivelmente preocupado. Acredito que tenha ido conversar com seus
pares a respeito do tal firewall.

Dois ou três dias mais tarde, voltei a encontrá-lo no lugar de
costume. Ele me chamou de lado e, num tom de voz muito baixo, me pediu
para não comentar com ninguém sobre aquele assunto do ICQ.

Contou-me que, após uma análise detalhada do famigerado Firewall,
a equipe de TI havia descoberto inúmeras brechas na segurança e que
aquilo deixava a empresa – sua rede, servidores, PCs e sistemas –
extremamente vulnerável a ataques internos e externos. E que eles
estavam trabalhando para resolver aquilo.

Bom, até aí tudo bem, não fosse aquela empresa um banco e o
problema ter sido ‘detectado’ por um usuário comum dos computadores de
lá.

Jorge me disse ainda que uma falha como aquela poderia acarretar
o vazamento de informações e a perda de altíssimas somas em dinheiro do
banco. E o que é pior, sem a menor possibilidade de rastreamento.

Pois é! O tal firewall foi consertado e vieram me informaram que jamais poderia usar o ICQ novamente.

Acontece que, mesmo depois disso, consegui reinstalar o software
e continuei a usá-lo, secretamente, por vários anos, com firewall
consertado e tudo. Mistérios da informática.

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