Laptops: dez modelos que fizeram história

Por Carla Thornton, especial para PC WORLD*

Estes equipamentos ajudaram a definir e desenhar a evolução da computação portátil que temos hoje

Laptops, notebooks, computadores portáteis. Não importa o nome que se dê a estes pequenos computadores (ainda que no início nem fossem tão pequenos assim), eles fizeram mais por nossa cultura digital do que qualquer outra tecnologia nos últimos 25 anos.

Quando os primeiros laptops apareceram, no início dos anos 1980, em pouco tempo tornaram-se um marco na conveniência.

Pela primeira vez, era possível utilizar um computador que trazia um teclado acoplado, apesar de os modelos não serem leves o suficiente para serem carregados para todo lado.

Viajar e usá-los durante um vôo de avião, por exemplo, ainda estava fora de cogitação.

Mas ninguém poderia prever todas as mudanças que viriam: baterias que durassem um dia inteiro; sistemas operacionais da Apple e da Microsoft convivendo pacificamente no mesmo equipamento; um portátil com central de entretenimento. Tudo isso, há alguns anos, não passava de uma realidade muito distante.

Vinte e seis anos depois do surgimento do primeiro portátil, enumeramos os dez modelos mais importantes de todos os tempos.
Eles são apresentados em ordem cronológica, e cada modelo representa um ponto de ruptura, seja em tecnologia, popularidade ou, algumas situações, em ambos os casos.

Vendo-os agora, sob a óptica de um usuário em 2007, alguns modelos parecem piada. Suas telas diminutas e lerdos processadores são risíveis. Mas eles pavimentaram a longa estrada sobre a qual se construiu os modelos atuais.

1 – HX-20 (1981) – Epson – O primeiro laptop (de fato)
De forma similar ao que o Tin Lizzie (apelido do Model T, da Ford) foi para o automobilismo, o HX-20 foi o primeiro portátil que agradou às massas. E ainda por cima era muito simples.

Existiram muitos modelos antes dele, como Osborne Computer (http://oldcomputers.net/osborne.html) e seus 11 kg. Comparado a ele, o HX-20 era um “verdadeiro” laptop: pesava apenas 1,6 kg e sua bateria – níquel-cádmio – durava incríveis 50 horas com uma única carga.

Como isso era possível? Simples. O monitor era apenas um pequeno LCD monocromático de quatro linhas. Ele também incluía uma pequena impressora de impacto e uma unidade de microfita cassete, utilizada como dispositivo de armazenamento.

Vinha com um processador dual Hitachi 64301, rodando a 614 KHz e 16 KB de memória RAM.

Foram vendidas pelo menos 250 mil unidades – um sucesso de vendas, para a época.
2. TRS-80 Model 100 Micro Executive Workstation (1983) – Tandy – o primeiro modelo portátil realmente popular
Os geeks de computadores viveram um verdadeiro frisson ao longo da década de 1980 e uma das razões foi o lançamento do TRS-80 Model 100.

Ele pesava pouco mais de 1,7 kg e custava 800 dólares, quase o mesmo que o modelo da Epson.

Mas trazia uma tela muito maior: seu LCD ia de um lado a outro e ocupava quase um terço da altura do equipamento e fez muito sucesso entre os fãs de novidades tecnológicas.

Algumas novidades do equipamento: operava por até 18 horas com quatro pilhas tipo “AA”, usava fitas cassete convencionais como meio de armazenamento (já existia uma unidade de disquete de 5 ¼, vendida como opcional) e trazia aplicativos pré-instalados, tais como editor de texto, agenda de endereços, calendário, e uma software para comunicação por modem.

Alguns creditam ao firmware desse laptop os pilares que serviram para que Bill Gates construísse sem império.

3. Portable 386 (1987) – Compaq – o primeiro portátil a trazer um processador 386 
É provável que você esteja surpreso por encontrar esta máquina enorme em nossa lista. Admitimos que ela não era, de fato, um verdadeiro notebook. Mas era portátil o suficiente para ser transportada (com algum esforço) e marcou época.
Apesar do preço exorbitante –12 mil dólares – o Portable 386 tornou-se um dos computadores mais celebrados de todos os tempos.

Foi o primeiro modelo a utilizar o então potente processador Intel 80386 (de 20 MHz), que reinou absoluto pelas próximas duas décadas, até a introdução da computação de 32 bits.

Ele não era nada bonito, já que parecia mais uma lancheira do que um computador – incluía até uma alça para ajudar no transporte – útil se considerarmos que pesava 9 kg.

Trazia um teclado separado e vinha sem bateria, razão pela qual precisava estar ligado a uma tomada o tempo todo. O monitor, ainda monocromático, ganhou um tom alaranjado.
4. Systems 2260 (1992) – GriD – o primeiro tablet
Você imaginava que o reconhecimento da escrita era uma invenção do século XXI?

Que nada. O Systems Convertible model 2260 – também comercializado pela AST como PenExec – foi o primeiro modelo computador portátil a trazer uma tela sensível ao toque de uma caneta especial, em vez de usar o teclado.

Equipado com processador Intel 386 (chegou a ser comercializado também chips 486), não durou muito, mas serviu de inspiração para equipamentos que surgiram posteriormente.

Ele era pesado demais para ser segurado por muito tempo, vinha com uma tela 10,5 polegadas com matriz ativa monocromática VGA.

O principal apelo – o dispositivo de entrada via caneta – pecava pela imprecisão proporcionada pelo sistema operacional Windows for Pen, que só foi aprimorado em 2002 com a introdução do Tablet Operating System. O reconhecimento da escrita começou a ser melhorado e os tablets encontraram seu nicho de mercado.

5. HiNote Ultra (1994) – DEC – o primeiro modelo fino e leve
Quem não é fã dos modelos ultraportáteis, finos e que pesam cerca de 1,5 kg?

Agradeça, então, à Digital Equipament Corporation – fabricante de estações de trabalho e servidores nos anos 1980 – pela introdução de um novo padrão para os computadores portáteis.

O HiNote Ultra tinha de 2,5 cm de espessura e pesava pouco mais de 1,6 kg. Vinha com uma tela monocromática de 11,1 polegadas matriz ativa, 4 MB de memória RAM e um HD de 340 MB, dispositivo de apontamento tipo trackball e uma variedade de processadores da Intel: 486 SX33, 486 DX2/50 e 486 DX4/75.

Rodava o Windows for Workgroup 3.11, instalado sobre o MS-DOS 6.22 (sim, o Windows não rodava sozinho) e trazia uma aplicação corporativa importante na época, o Lotus Organizer, e permitia acesso à CompuServe, um dos primeiros serviços de acesso à Internet, que está nascendo.
6. PowerBook 520 (1994) – Apple – o primeiro notebook com touchpad
No lugar do trackball que fez o sucesso de muitos portáteis, o PowerBook 520 introduziu o conceito o touchpad como dispositivo apontador nos laptops, projetado por George E. Gerpheide em 1987.

De lá para cá, virou padrão em qualquer notebook que se preze.

A Apple, até hoje, possui os melhores touchpads do mercado – são os únicos, até hoje, a permitir scroll usando dois dedos em qualquer área de membrana de contato.

7. Portege T3400 (1995) – Toshiba – o primeiro laptop com bateria de íons de lítio
Quando o Portege T3400 surgiu, as baterias de íons de lítio quase não eram utilizadas e a Toshiba foi a primeira a adotá-las em notebooks e isso representou uma nova era no mundo das baterias para computadores portáteis.

Em 1995, as baterias de níquel, consideradas com uma tecnologia intermediária na época, caíram em desuso. As de lítio duravam mais, ficaram mais leves, e foram importantes para o desenvolvimento dos laptops. Não exigiam manutenção e, diferentemente das baterias de níquel, não precisavam ser completamente esvaziadas de tempos em tempos.

Como nem tudo é perfeito, as baterias de íons de lítio estão sujeitas a esquentar muito e, no limite, causar incêndio nos portáteis. Muitos fabricantes de notebooks foram obrigados a fazer recall de seus equipamentos por conta disso.

Apesar disso, esse tipo de bateria proporcionou força suficiente para que os portáteis agregassem tecnologias importantes, como processamento dual, disco rígido RAID e telas de 20 polegadas. Mas quanto durava a bateria do T3400, 12 anos atrás: cerca de 4 horas.

Nada mal para um equipamento que pesava cerca de 1,8 kg.
8. iBook (1999) – Apple – o primeiro laptop com funcionalidades sem fio
Em 1999, a Apple introduziu a tecnologia Airport que permitiu ao iBook torna-se o primeiro laptop do mercado a oferecer acesso sem fio. Com esta tecnologia, por pelo menos um ano, a Apple barrou o avanço das redes WiFi.

A estação de transmissão do Airport custava 299 dólares e os cartões para conexão, 99 dólares.

No mesmo ano, a Applo começou a vender o iBook que já trazia um cartão internet para acesso sem fio. Além disso, a tela de 12,1 polegadas, a cobertura externa nas cores azul ou laranja, e o primeiro equipamento compatível com hotspots WiFi fizeram do iBook um sucesso.

9. Sting 917X2 (2005) – WidowPC – um notebook para jogos
Até recentemente, quem quisesse joga qualquer game de ação, como o Doom, era obrigado a conviver com um desktop convencional ou passar horas em uma lan house. Porém, com o  Sting 917X2, as coisas mudaram de figura.

Ele, pela primeira vez, incorporou a um portátil o processador AMD Athlon 64 X2 dual-core e enquanto o mercado entregava equipamentos com placas de vídeo onboard e no máximo 128 MB de RAM, o Sting 917X2 oferecia ao usuário a opção de placas gráficas top de linha com 256 MB, ainda que pesasse mais de 5 kg.

10. MacBook Pro (2006) – Apple – o primeiro portátil de ser considerado um verdadeiro rival para o PC
Hatfields x McCoys. Trump x O’Donnell. Apple x Microsoft. As grandes batalhas sempre empolgaram o mercado, ainda que, no caso da tecnologia, os usuários de PC não pareçam se importam com quem irá ganhar a guerra.

No ano passado, a Apple apresentou o MacBook Pro, o primeiro notebook da marca a utilizar processadores Intel e a rodar Windows.

Logo após esse lançamento, a Apple apresentou o Boot Camp, outra ferramenta matadora que permite aos usuários Macs rodar, simultaneamente, Mac OS X e Windows.

Com  as últimas barreiras que impediam aplicativos Windows rodarem em Mac caindo, será que a Apple conseguirá, de fato, incomodar a Microsoft? O júri ainda não se decidiu. Mas já podemos prever quem sairá ganhando: nós, os usuários.

*Carla Thornton é editora colaboradora da PC WORLD (EUA).

 

 

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