Os 15 deslizes que poderíamos não ter presenciado em 2006

Por Dan Tynan, PC World (EUA)

Relembramos as piores gafes e vexames tecnológicos deste ano, dos laptops explosivos à espionagem corporativa, passando pelas pérolas do YouTube

Este foi o ano em que a maior companhia de software do mundo teve de reconhecer que seu sistema operacional estava, novamente, defasado. Foi também, o ano em que o maior fabricante de PCs do planeta foi pego espionando repórteres e executivos de seu próprio quadro de funcionários.

Em 2006, ligar o notebook foi uma aventura explosiva. Mas isso não preocupava oficiais do governo e de grandes corporações, afinal, eles já tinham perdido seus laptops – junto com dados pessoais de milhões de norte-americanos.

Navegando na internet, era grande a chance de que você caísse no conto da adolescente solitária (que na verdade era uma atriz). Se você assinou a AOL, seus termos pesquisados podem ter sido mostrados para todo o resto da web.

E pior: se você fez algo completamente idiota, qualquer um com uma câmera de vídeo e uma conta no YouTube pode ter gravado seu deslize e o exibido para o mundo.

Nos próximos parágrafos, nós humildemente elegemos os maiores micos no universo da tecnologia em 2006. Se, por acaso, você encontrar algum erro neste texto, por favor guarde-o para você!

1 – Surpreendido pela bateria

Em julho, quando Thomas Forqueran e um amigo se arrumavam para voltar de uma viagem a Nevada, nos EUA, ele deixou um notebook Dell Inspiron 1300 na cabine de sua picape Ford 66. Não demorou muito para que Forqueran começasse a sentir cheiro de fumaça e logo visse chamas saindo pela janela do passageiro. Em instantes, o fogo chegou a três caixas de munição que estavam no porta-luvas. Forqueran e o amigo tiveram de correr para fugir da explosão do tanque de gasolina do carro.

Inúmeros casos de laptops incendiados figuraram em manchetes em 2006, mas foi o caso de Forqueran que fez a Dell realizar um recall de 4,1 milhões de notebooks equipados com baterias de íon de lítio, da Sony. Logo, companhias como Apple, IBM/Lenovo e Toshiba, entre outras, entraram no esquema. Em julho de 2007, fabricantes de laptops planejam lançar baterias de íon de lítio mais seguras.

Grande erro: Ter comprado qualquer equipamento que utilizasse baterias Sony
O maior erro: Guardar seu laptop próximo à munição

2 – O estilo HP de espionagem

Contratar pessoas para obter gravações telefônicas de forma ilegal e colocar repórteres sob vigilância, vasculhando seu lixo, lendo seus e-mails e bolando planos para camuflar informantes em redações – o escândalo de espionagem protagonizado pela HP teve um cheiro de “Watergate” que nem um oceano de perfume conseguiria atenuar.

Mas no interrogatório do caso, o controverso testemunho da presidente consultiva deposta Patrícia Dunn teve sua própria fragrância. Patrícia e outros executivos da HP envolvidos no esquema foram forçados a renunciar e o Estado da Califórnia condenou ela e mais quatro pessoas por fraude, falsa identidade e conspiração.

Grande erro: Espionar repórteres, membros do conselho e suas famílias
O maior erro: Não ter visto o filme “Todos os Homens do Presidente”

3 – Voto hackeado

Urnas eletrônicas são inseguras? Em maio, pesquisadores de segurança descobriram uma brecha nas urnas fabricadas pela empresa Diebold que permitiam a um hacker manipular votos, desencadear defeitos ou criar um ‘vírus de voto’ que se espalharia de uma máquina para a outra – tudo isso em segundos e com poucas chances de detecção.

No mesmo período, pesquisadores de Princeton divulgaram que os equipamentos da Diebold podiam ser abertos com chaves extremamente simples, dando acesso ao cartão de memória da máquina.

A fabricante prometeu consertar a vulnerabilidade rapidamente, mas declarou também que não estava, assim, tão preocupada porque um ataque destes exigiria “uma maldade sem precedentes”. Comentário suficiente para nos fazer sentir incrivelmente melhor!

Grande erro: Permitir que máquinas inseguras participem de um processo eleitoral
O maior erro: Virmos a eleger alguém como Homer Simpson para a Presidência – algo que pode ocorrer caso continuemos a usar estas urnas.

4 – Derrapada da AOL

Também em julho, pesquisadores da AOL acharam ótima a idéia de liberar os dados de pesquisa de seus mais de 650 mil assinantes. Pensaram que apenas trocando os nomes dos usuários por números, ninguém fosse achar ruim. Raciocinaram mal.

Blogueiros corajosos que pesquisaram os dados apareceram com fascinantes termos de pesquisa, como “cocaína faz bem?” (usuário #1766737), “quero financiar dentes de ouro” (usuário #519928) e “como assassinar sua esposa” (usuário #17556639). Após protestos, a AOL pediu desculpas e recolheu os dados, mas já era tarde demais. Os empregados responsáveis pela gafe e a CTO Maureen Govern estão até agora procurando novas colocações profissionais. 

Grande erro: Liberar dados dos consumidores aleatoriamente
O maior erro: Confirmar suas piores suspeitas sobre quem assina a AOL

5 – A ansiedade pelo Vista

A Microsoft jogou uma gigantesca pá de cal sobre o faturamento dos fabricantes de PC quando anunciou que as versões para consumidor final do Vista estariam disponíveis apenas em 30 de janeiro de 2007. Enquanto usuários corporativos já podem fazer o upgrade para o sistema, computadores pessoais que já venham com o Vista instalado não aparecerão antes do fim da temporada de compras natalinas.

Para apaziguar os ânimos dos fabricantes indignados, a mesma Microsoft bolou um vale que, lotado de restrições, pode, talvez, oferecer livre migração para os compradores de novos PCs. Mas, isso depende de (a) quem vendeu o sistema; (b) data da compra; (c) qual versão de XP ele trouxe; e (d) qual das quatro diferentes versões do Vista foi a escolhida. (Entendeu tudo?) Depois, é claro que você mesmo é quem terá de realizar o upgrade, sozinho, no conforto de seu lar. É isso: se fosse fácil, não seria a Microsoft.

Grande erro: A Microsoft fazendo um upgrade de sistema da forma mais humanamente dolorosa
O maior erro: Usuários não mudarem para Linux e Mac OS enquanto podem

6 – Perdedores de laptop

Quando o ‘guru’ Robert Ellis Smith declarou que 2006 seria “o ano dos laptops perdidos”, ele não estava exagerando. A lista de empresas que tiveram laptops com dados pessoais extraviados é longa, muito longa: Aetna, EDS, Equifax, Ernst & Young, Fidelity Investments, FTC, ING, IRS, Starbucks, T-Mobile, Toyota, Union Pacific, o Departamento de Transportes dos EUA (três vezes!) e Verizon, para citar algumas.

O tsunami de perda de latops ocorreu em maio, quando um portátil contendo dados pessoais de 28 milhões de veteranos de guerra norte-americanos foi roubado da casa de um analista do Department of Veteran Affairs. Na maioria dos casos, os dados não tinham proteção com senha e tampouco tecnologia de criptografia, permitindo acesso fácil de ladrões de identidade.

Grande erro: O pouco cuidado dispensado pela empresa no armazenamento de nomes, endereços e números confidenciais
O maior erro: Ter nossas informações confiadas a estes palhaços

7 – As bobagens do YouTube

O ano de 2006 pode ser definido como o ano do vídeo online. A lista de pessoas comuns alçadas à fama pelo YouTube é enorme. Alguns destaques: o técnico da Comcast que adormeceu no sofá errado; a âncora da CNN que esqueceu o microfone ligado durante uma reportagem política e teve sua conversa vazada; e o hoje ex-senador pelo Estado de Virgínia que foi mordido por uma “macaca”.

Descobrimos que o Big Brother somos nós mesmos.

Grande erro: Esquecer como uma câmera de vídeo e a internet podem criar celebridades instantâneas ou algo do gênero
O maior erro: Chamar seus constituintes de macacos.

8 – Playstation 3: Atrasado, caro e incompatível

Quando foi anunciado, no segundo semestre de 2005, o Playstation 3, da Sony, era tido como a maior coisa que já ocorreu no universo gamer desde o surgimento do porco-espinho chamado Sonic. Mas, os atrasos não demoraram a acontecer. Na hora em que o PS3 chegou às lojas, seis meses após o prometido, o Nintendo Wii, mais barato e inovador, já havia tirado muito de seu brilho. Ao preço de 599 dólares pelo modelo com 60 GB, o PS3 custa o dobro do valor cobrado pelo PlayStation 2. Segundo a iSuplies, que enaltece as qualidades de supercomputador do console, a Sony perca 200 dólares a cada PS3 vendido.

Graças aos atrasos na fabricação, a Sony enviou apenas 150 mil unidades do console para o lançamento norte-americano – menos da metade originalmente planejada. E o console ainda é incompatível com mais de 200 jogos do Playstation e do PS2, apesar de a Sony tentar resolver o problema por meio de atualizações online.

E qual a boa notícia? Jovens loucos por games estão comprando PS3s e revendendo-os em sites como eBay pelo dobro do preço. Tem mais: apesar de suas autênticas baterias serem Sony, elas (ainda) não se incendeiam.
 
Grande erro: Tentar transformar um supercomputador em um videogame
O maior erro: Falhar em apunhalar a concorrente Nintendo na hora apropriada
 
9 – Desilusões na PodLândia
 
Em setembro, a Apple distribuiu pelo menos duas dúzias de iPods contendo o malware de Windows RavMonE Trojan. Isso já foi péssimo. Mas, a resposta desleixada da empresa foi ainda pior. "Como vocês devem imaginar, estamos muito chateados que o Windows não seja tão seguro como deveria ser, mas estamos ainda mais desapontados com o fato de que nós não pudemos identificar este problema". Com lojas inteiramente construídas em vidro, como a Apple Store da 5ª Avenida, em Nova York, é de se pensar se eles não deveriam tomar mais cuidado com o feedback que divulgam. 
 
Grande erro: Distribuir iPods infectados com vírus
O maior erro: Usar o próprio pedido de desculpas para alfinetar a concorrência

 
10 – Google: Blogando para iniciantes
 
Você deve pensar que a companhia dona do Blogger.com saiba muito sobre como, digamos, blogar. Errado. Em 2006, não foram uma, nem duas, mas três as vezes em que a Google sabotou seus próprios blogs. Após um funcionário descuidado acidentalmente deletar o blog oficial da empresa, em maio, o estudante Trey Phillips, de 19 anos, rapidamente criou um o googleblog.blogspot.com (logo devolvido aos donos). Em outubro, um cracker aproveitou uma vulnerabilidade dentro do Blogger para postar uma mensagem falsa que dizia que o Google havia descontinuado sua parceria com o eBay.
 
No mesmo mês, uma funcionária do Google postou duas mensagens no blog oficial da empresa que, na verdade, deviam estar em seu blog pessoal (nada muito constrangedor, no entanto).
 
Grande erro: Permitir que os funcionários publiquem posts sem a supervisão de adultos. 
O maior erro: Acreditar que uma empresa caminhe sobre as águas, mesmo que suas ações sejam negociadas a 500 dólares.

11 – RIAA: desonrando os escoteiros

A boa notícia: durante todo o ano, nem a RIAA ou a MPAA processaram uma única pessoa por realizar downloads ilegais.

A derrapada: Escalar os escoteiros norte-americanos para auxiliar na caçada a arquivos baixados de forma ilegal. Escoteiros residentes em Los Angeles podem, agora, ser condecorados para saberem mais sobre redes peer-to-peer, realizarem excursões a estúdios de Hollywood e gravar anúncios de utilidade pública discorrendo sobre os malefícios da livre troca de arquivos digitais.

Grande erro: Utilizar uma instituição reverenciada para servir aos interesses de uma indústria
O maior erro: Ensinar aos jovens que eles podem dar broncas em seus próprios pais por baixarem músicas da Shakira.

12 – Windows: Genuinamente desvantojoso

Se uma espécie de software se instalasse em sua máquina silenciosamente, não pudesse ser removido e enviasse informações sobre o seu sistema, você, provavelmente, o chamaria de spyware. A Microsoft tem outro nome para isso: Windows Genuine Advantage. Em abril, a gigante começou a distribuir o WGA como um update importante do Windows que enviava dados a Redmond após cada reinicialização e solicitava aos donos de cópias não autorizadas do sistema (e até de versões originais) que migrassem para o software autorizado.

A instalação e funcionamento do WGA deixaram os consumidores irados, que por sua vez, ameaçaram processar a companhia. A Microsoft recuou, levemente, ao deixar que as pessoas driblassem o aviso e reduzindo a freqüência com que o software informava o estado do software na máquina do usuário. Mas a empresa ainda afirma que o WGA existe para nos proteger dos malefícios da pirataria do Windows.

Grande erro: A Microsoft pensar que ninguém ia perceber
O maior erro: Usuários acreditando que o processo de validação do Vista será alguma coisa melhor

13 – A novíssima AOL

Talvez tenha sido a cada a base de assinantes, cada vez menor. Quem sabe foi o blogueiro que gravou a ligação provando que é mais fácil pagar dívidas com a máfia do que cancelar a uma conta da AOL; ou então o provedor finalmente percebeu que não há mais nenhum ser vivo no planeta que não tenha recebido (e jogado fora) o CD grátis de instalação.

O fato é que em agosto, a companhia da Time Warner anunciou que estava deixando de cobrar as caras assinaturas para se tornar um serviço gratuito, patrocinado por anunciantes – o quarto plano para ‘salvar’ a AOL em cinco anos. Alguns meses depois, o arquiteto desta mudança, o CEO Jonathan Miller, já não está mais em cena. Conheça a nova AOL, idêntica à velha AOL.

Maior erro: Mudar de direção com tanta freqüência que até mesmo seus funcionários ficam confusos
Grande erro: Alguém ligar para tudo isso

14 – Hoax de Hacker

Os geeks de browsers tomaram um susto em outubro quando pesquisadores de segurança declararam ter identificado uma séria brecha na relação do Firefox com o JavaScript. Os desenvolvedores da Fundação Mozilla logo correram para habilitar um patch antes que a brecha fosse explorada. O problema é que a “brecha” não passou de um boato, "uma brincadeira", como definiu Andrew Wbeelsoi, o jovem hacker que espalhou a falsa informação numa conferência.  Certamente, uma duvidosa forma de conseguir seus 15 minutos de fama.

Maior erro: Apresentar um slideshow engraçadinho numa conferência de geeks
Grande erro: Não esconder sua identidade ao enviar boatos à Mozilla.org

15 – O calendário da CA

Era uma ambiciosa mudança na forma de se contar os dias. Em 2000, o ex-CEO da CA Sanjay Kumar e outros sete executivos inventaram o "mês de 35 dias", alterando dados do faturamento de um ano fiscal para incrementar o próximo e, assim, turbinar o valor das ações da companhia. Infelizmente, a invenção, além de ingênua, foi considerada ilegal.

Em abril, Kumar foi considerado culpado pela participação no escândalo de 2,2 bilhões de dólares e pelos próximos 12 anos não esquecerá disso. Atualmente, a CA está tentando reaver os 14,9 milhões de dólares gastos na defesa do executivo, que tinha mansões, iate e uma frota de carros que incluía duas Ferraris.

Maior erro: Kumar tentando provar sua inocência após a maioria dos seus cúmplices ter sido desmascarada
Grande erro: A CA continuar defendendo seu ex-CEO até o fim da linha

 

 

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