Livre para navegar

Por Camila Rodrigues

Conheça as tecnologias de alta velocidade sem fio que prometem conectar os notebooks à web – mesmo longe de um hot spot

Quando se fala em redes sem fi o, a tecnologia Wi-Fi é de longe a mais utilizada, por conta de sua adoção nos hot spots (locais públicos que oferecem conexão sem fi o à internet) espalhados pelo mundo. O Wi-Fi reúne vários padrões de conexão, como o 802.11g, que oferece acesso de até 54 Megabits por segundo (Mbps), e o 802.11b (até 11 Mbps). O problema com essa tecnologia é o raio de alcance limitado a 100 metros em relação ao ponto de acesso. Ou seja, o usuário precisa estar perto de um hot spot.

Por conta disso, o mercado de telecomunicações investe no desenvolvimento de tecnologias como WiMax 802.16-e, conhecida como WiMax móvel, padrão de banda larga sem fio aprovado pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE),  que permitirá o acesso à internet com velocidade de 70 Mbps com a mesma mobilidade de um celular, cobrindo áreas de até 50 quilômetros.

Entre as primeiras iniciativas nessa área, a Brasil Telecom anunciou em novembro que busca fornecedores para montar sua rede nas cidades de Curitiba, no Paraná, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Dante Nardelli Jr., diretor de tecnologia e planejamento técnico da Brasil Telecom, acredita que o WiMax móvel deverá substituir aos poucos a tecnologia xDSL, que integra os aparelhos de banda larga cabeada, conhecidos como ADSL. “Hoje, o grande ativo das telecomunicações são os cabos metálicos, que estão enterrados sob as ruas.

Como tudo na vida, eles têm vida útil, e não é economicamente viável ficar substituindo essa rede”, observa Nardelli. Além disso, o WiMax móvel permitirá que regiões muito distantes de centrais telefônicas ou com muitos acidentes geográficos tenham acesso à internet rápida.

O processo da Brasil Telecom ocorrerá paralelamente à certificação dos produtos de WiMax móvel, que começou em janeiro deste ano e deverá ser concluída até o final do primeiro semestre de 2007, segundo Luis Carlos Moraes Rego, chairman do Capítulo Brasil do WiMax Forum. Essa organização reúne operadoras e fabricantes de todo o mundo com o objetivo de estabelecer a interoperabilidade entre as tecnologias. “O objetivo é que o WiMax seja o padrão mundial de banda larga sem fi o”, afirma Rego.

O WiMax 802.16-d, ou WiMax fi xo, atinge até 20 quilômetros. No Brasil, essa modalidade é oferecida pela Neovia, que possui 35 mil clientes. Eduardo Tude, analista da consultoria Teleco, explica que estudos sobre o mercado de telecomunicações apontam maior aceitação para o padrão móvel (802.16-e) e que, portanto, terá mais escala. “Por isso, haverá mais oferta de equipamentos a um preço menor.”

Sobre o fato de que sua rede pode se tornar obsoleta — já que o WiMax móvel não é compatível com o fixo —, a Neovia argumenta que manterá a infra-estrutura existente, mas que tem planos de adquirir uma rede complementar 802.16-e. “No início (depois do lançamento do modelo móvel), muitas empresas ainda precisarão do WiMax fixo, que será oferecido a um preço menor”, argumenta Carlos Barroso, diretor de tecnologia e operações do provedor Neovia.

Outra forma de conexão à internet sem fio é oferecida pelas operadoras de celulares. A tecnologia EV-DO, da Vivo, tem transmissão de até, 2,4 megabits por segundo, e a GPRS, da Claro e da Tim, com taxas de transmissão mais próximas da internet discada (de 30 Kilobits por segundo a 384 Kbps). Mas as velocidades mais altas não são obtidas com os equipamentos em movimento.

Para oferecer acesso rápido à internet e mobilidade, as operadoras têm investido na tecnologia 3G (de terceira geração), em fase de desenvolvimento, que promete conexão com taxas de até 2 megabits por segundo, mesmo quando você está dirigindo seu carro. Brendan Conroy, analista da IDC, acredita que a adoção desse padrão no Brasil acontecerá em 2007. “No próximo ano, com certeza, as operadoras terão finalizado a infra-estrutura de 3G”.

WIMESH: ENTRE O WI-FI E O WIMAX
Tecnologia oferece alcance de sinal até quatro vezes maior que o Wi-Fi

A tecnologia Wimesh utiliza várias antenas padrão 802.11 conectadas. O resultado é alcance de sinal de 400 metros, quatro vezes maior que o obtido nos hotspots atuais, com velocidade de até 54 Mbps e compatibilidade com os equipamentos Wi-Fi disponíveis. Este ano, houve dois experimentos desse padrão no Brasil: um em Tiradentes (MG), promovido pelo Ministério das Comunicações, e outro na Costa do Sauípe (BA), por empresas como Nortel, Telemar e Vex. Não há previsão de lançamento comercial no país. Segundo Marcelo Ceribelli, diretor de redes wireless da Nortel, o custo de uma instalação de grande porte com essa tecnologia é muito alto. “Para valer a pena, é preciso ter uma adesão em massa”, ressalta.

ACESSO NA ESTRADA
Coréia do Sul já oferece banda larga móvel

O único país que já oferece o WiMax móvel como serviço público é a Coréia do Sul. Luis Carlos Moraes Rego, do WiMax Forum, experimentou o Wibro, baseado no padrão sul-coreano de banda larga e que servirá como plataforma para o WiMax móvel. O serviço, lançado em 2005 pela operadora KP Telecom, com infra-estrutura da Samsung, foi testado durante viagens de ônibus em Seul. “Utilizei um notebook com placas PCMCIA WiMax, a 100 quilômetros por hora, e baixei um vídeo com velocidade de 1 Mbps”, destaca.

CONFIRA AS OPÇÕES DE CONEXÃO WIMAX

• Fixo ou Nomádico (padrão IEEE 802.16d): os primeiros equipamentos foram homologados em janeiro de 2006. Os dados são transmitidos por meio de ondas eletromagnéticas a uma velocidade de até 70 Mbps por estação radiobase. Cada antena cria uma célula de acesso com alcance máximo de até 20 quilômetros. Já disponível.

• Móvel (ou IEEE 802.16e): oferece taxa de transmissão de, no mínimo, 1 Mbps a usuários em movimento (de até 100 quilômetros por hora), e o alcance do sinal é de até 50 km (veja a ilustração), dependendo da geografia da área coberta. A previsão de disponibilidade de equipamentos no mercado brasileiro é meados de 2007.

wimaxmovel

 

 

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