Desktop movido a Linux

Por Toni Cavalheiro

Sim, é possível. Testamos cinco distribuições amigáveis, que conseguem substituir o Windows sem traumas – e reduzir custos

A idéia é no mínimo tentadora. Cada uma das estações de trabalho da sua empresa (ou até mesmo o micro de casa), que hoje utilizam licenças de programas como Windows e Office, poderiam ter custo zero em software se passassem a usar o Linux. É o sonho de qualquer orçamento de TI. Mas, afinal, será que é realmente possível usar o Linux no desktop, ou o processo é inviável para um usuário comum?

Para tirar a prova, testamos quatro distribuições Linux que podem fazer frente ao Windows e, quem sabe, ser a nova opção para os usuários da sua empresa. 

Há muitas versões no mercado capazes de desempenhar bem esse papel. Por isso, não foi uma tarefa fácil escolher quais delas seriam testadas. Depois de avaliar muitas opções, ficamos com Ubuntu, Kurumin, Mandriva e Gentoo, que são softwares amplamente difundidos e que hoje contam com uma boa localização para o idioma português do Brasil. Quando comparado com outras distribuições, o Ubuntu é um Linux relativamente recente.

Hoje na versão 6.06, esse sistema operacional já mostra vários conceitos inovadores. O primeiro deles é a opção de test drive. Quando você insere o CD-ROM do Ubuntu na unidade e reinicia o computador, ele automaticamente carrega todos os aplicativos e monta um ambiente de trabalho sem mexer em nada da sua configuração atual. Nas versões anteriores, esse recurso era chamado de LiveCD, mas agora foi integrado aos CDs de instalação. Tudo funciona, incluindo um pacote para escritórios, o acesso à internet e a detecção da maioria dos dispositivos de hardware. Depois, se você decidir que realmente quer continuar com o Ubuntu, é só iniciar a instalação a partir da própria interface do programa e seguir um passo-a-passo bastante intuitivo.

Em um ambiente corporativo, o Ubuntu tem o que há de melhor em Linux. Ele já vem com o pacote OpenOffice 2, com o Firefox e com recursos integrados de e-mail e Messenger.  O ponto fraco da distribuição – assim como na maioria dos pacotes Linux – está na compatibilidade com multimídia, principalmente com o padrão Windows Media, da Microsoft. É claro que esse problema pode ser contornado com a instalação de softwares de terceiros, que, apesar de serem totalmente gratuitos, podem dar um pouco de trabalho ao administrador.

Outra opção bem interessante é o Kurumin, que, apesar do nome divertido e da aparência amigável, pode ser usado com bastante sucesso em um ambiente corporativo. Em sua versão 6.0, o Kurumin tem muitos pontos positivos. Talvez o principal deles seja a compatibilidade com aplicativos do rival. Isso mesmo: você pode rodar alguns softwares do Windows direto no seu Linux. Isso é possível graças a uma combinação de vários programas que já fazem parte do Kurumin, incluindo o WMWare, o Wine, o CrossOver Office, o Qemu e o WineX.

Não espere conseguir rodar a mais nova versão do AutoCAD, mas mesmo assim a compatibilidade é enorme. Enquanto muitas distribuições tentam imitar a aparência do Linux, alegando que os usuários já estão acostumados a trabalhar dessa forma, o Kurumin tem uma interface própria. Em nossos testes, ela se mostrou bastante intuitiva.

O Mandriva nasceu da fusão de duas empresas, a brasileira Conectiva e a francesa Mandrake-Soft. Hoje, o Mandriva tem cerca de 8 milhões de usuários no mundo todo, sendo que seu principal público está na América Latina. Trata-se de uma distribuição bastante consistente e totalmente adaptada ao hardware que temos no Brasil.

A idéia do pacote é realmente focar nos escritórios, já que ele inclui um bom conjunto de aplicativos para o dia-a-dia. Há um OpenOffice completo e até o equivalente do FrontPage, que é o Quanta+. Para a edição de imagens, os usuários podem contar com o Gimp, que é excelente tanto para o usuário iniciante quando para o avançado. Outro ponto positivo é a instalação, que costuma levar apenas quinze minutos em um hardware recente. Em uma empresa com muitos computadores, isso pode ser um fator decisivo, principalmente se as máquinas forem diferentes e não houver a possibilidade de cópia de discos.

Mas tudo isso tem um preço. O Mandriva 2006 Discovery/Lx Desktop, que é ideal para ambientes corporativos, custa cerca de 80 reais, enquanto a versão mais completa, que é a PowerPack+, custa cerca de 300 reais. 

Nossa última distribuição testada foi o Gentoo, com um diferencial bem interessante para empresas que têm todas as máquinas iguais. O Gentoo é o que chamamos de uma versão baseada em código-fonte, o que significa que todos os programas são baixados por um gerenciador e compilados antes da instalação. Isso faz com que eles sejam totalmente otimizados para o seu hardware, evitando problemas e melhorando o desempenho.  O processo todo é bem mais demorado.

Apesar de ser um Linux ótimo para desktops, o Gentoo é do tipo “faça você mesmo”. Depois que o sistema operacional está instalado, o usuário escolhe exatamente quais aplicativos irão fazer parte da sua distribuição. É um trabalho lento e que exige uma série  de testes antes de partir para o ambiente de produção, mas certamente é o que oferece  melhores resultados. Depois de montar o Linux ideal para suas necessidades, você pode  usar um programa de terceiros que faça uma cópia da imagem do disco e multiplicar uma única instalação para as demais estações da sua rede.

Analisando todas as versões testadas, nossa recomendação para desktops é sem dúvida o  Ubuntu. Esta é a distribuição mais completa que você pode obter por custo zero. Outra boa  opção é o Kurumin, embora ele exija um pouco mais de suporte do que o primeiro, devido  às particularidades de sua interface. Já se você é um administrador experiente e tem tempo para trabalhar bem seus desktops, uma boa recomendação é o Gentoo.

Confira aqui uma tabela das distribuições do Linux avaliadas

 

 

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