Tudo sem fio

Daniel dos Santos
05-07-2006

Tem muito mais serviços, produtos e, conseqüentemente, usuários de comunicação sem fio. Saiba mais sobre as tecnologias e conheça os equipamentos que vão colocar você nessa onda

Tem muito mais serviços, produtos e, conseqüentemente, usuários de comunicação sem fio. Saiba mais sobre as tecnologias e conheça os equipamentos que vão colocar você nessa onda

Fios, muitos fios. Basta olhar atrás da televisão, do aparelho de som ou do computador para encontrar metros e mais metros de cabos emaranhados. Além da bagunça e da poluição visual, os fios decididamente limitam os movimentos. Para felicidade geral, no entanto, é cada vez maior a oferta de produtos e serviços wireless. Exemplos não faltam. É possível pegar o notebook, levar para qualquer canto da casa e navegar na internet. Checar emails? Com o Blackberry, dá para pôr a correspondência eletrônica em dia até mesmo no táxi. As fotos clicadas na câmera vão diretamente para o computador ou a impressora. Isso sem contar os teclados e mouses  desconectados dos computadores e, mais recentemente, os aparelhos de VoIP com tecnologia Bluetooth e os sistemas de home theater com caixas de som que se comunicam por infravermelho.

O uso de redes sem fio tomou impulso com a popularização dos hotspots, os locais públicos que proporcionam acesso Wi-Fi à internet. Inicialmente, os hotspots eram comuns apenas em  estabelecimentos como aeroportos e hotéis. Atualmente, podem ser encontrados em locais tão distintos quanto a rodoviária Tietê, em São Paulo, e o Palácio do Planalto, em Brasília. A Vex, empresa especializada na implementação desse tipo de serviço, já soma 800 hotspots no Brasil (veja endereços em www.pcworld.com.br/vex), contra 550 no ano passado. “Devemos atingir 1.200 pontos até o final de 2007”, estima Eduardo Gaspar, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa. Em número de usuários, a companhia totaliza 100 mil cadastros.

A Telefônica, por sua vez, já implantou mais de 500 pontos do Speedy Wi-Fi (confira a lista em www.pcworld.com.br/speedywi-fi) em aproximadamente 40 cidades do Estado de São Paulo e sete aeroportos de outros estados. Segundo dados da consultoria IDC, o Brasil deve partir de 1.639 hotspots em 2005 para 3.944 no próximo ano. Mundialmente, serão mais de 260 mil endereços públicos com acesso à internet sem fio em 2009, o dobro do registrado em 2005.

A libertação dos fios é respaldada também por outros fatores. A queda nos preços dos notebooks é uma delas. Os portáteis já podem ser adquiridos por menos de 3 mil reais, e estima-se que 70% deles já saiam de fábrica com capacidade de acessar redes Wi-Fi. Outros produtos de conectividade sem fio também estão bem mais acessíveis. Há um ano, um pequeno estabelecimento que quisesse instalar os equipamentos fornecidos pela Vex para proporcionar banda larga sem fio aos seus clientes não gastava menos de 2 mil reais. Atualmente, com o pacote Vex Box, isso já é possível com um investimento de 350 reais, fora os custos com provedor de acesso.

Com a produtividade em alta

“As pessoas também estão descobrindo que ter uma rede sem fio em casa é barato e seguro”, analisa Emerson Yoshimura, gerente regional da Linksys para o Cone Sul, empresa que espera crescimento de 120% nas vendas de produtos como access point, placas PCMCIA e adaptadores wireless neste ano. “Triplicamos as vendas de equipamentos destinados à criação de redes sem cabos no primeiro trimestre de 2006”, destaca Rodrigo de la Fuente, gerente de marketing da fabricante de produtos para conectividade D-Link. Segundo Fuente, isso se deve basicamente à procura de usuários domésticos e pequenas empresas.

De acordo com o executivo, o crescimento do mercado está diretamente ligado à utilização de banda larga, e há um grande potencial de crescimento. “No momento, apenas entre 5% e 7% dos assinantes de internet em alta velocidade utilizam tecnologias wireless”, calcula o executivo. Segundo dados do Ibope//NetRatings, o número de pessoas com acesso à web em residências chegou a 21,2 milhões (13,4 milhões ativos) no mês de abril, sendo 12,2 milhões (58%) delas com conexões de alta velocidade.

Nas páginas a seguir, você vai conhecer um pouco mais as tecnologias que estão tornando as comunicações sem fio uma realidade no Brasil e no mundo, ficar por dentro das novas tendências de conectividade e escolher os produtos que vão servir de base para a sua rede wireless.

Acesso garantido onde você estiver

Wi-Fi, WiMax, Bluetooth, UWB, ZigBee, CDMA 1xEV-DO… Para explorar o que há de melhor no mundo sem fio, é preciso conviver com uma verdadeira sopa de letrinhas. Muitas dessas tecnologias já estão em uso e algumas devem chegar ao mercado em larga escala apenas nos próximos anos. Para 2006 e 2007, a grande aposta de fabricantes como Intel e Samsung é o WiMax, já em uso no Brasil.

Segundo Eduardo Prado, consultor especializado em redes wireless, o mundo sem fio pode ser dividido em quatro categorias: WMAN, WPAN, WLAN e WWAN. A WLAN (Wireless Local Area Network) é a categoria que reúne o popular Wi-Fi (de Wireless Fidelity), com  as  especificações 802.11x. Padrão utilizado nos hotspots pelo mundo afora, o Wi-Fi cobre uma área inferior a 100 metros e conta com várias freqüências e velocidades. Os formatos a e b, por exemplo, trabalham com 5 GHz e 2,4 GHz e atingem 54 Mbps e 11 Mbps, respectivamente. Atualmente, a versão 802.11g, que trabalha na freqüência de 2,4 GHz com taxas de transmissão de 54 Mbps, é a mais utilizada no Brasil, mas novos produtos, como os da família 802.11n, com homologação prevista para até 2007, começam a chegar ao mercado, trazendo a promessa de velocidades de até 540 Mbps (leia quadro Tecnologia em versão beta).

A família WMAN (Wireless Metropolitan Area Network) cobre grandes áreas e tem como principal tecnologia o WiMax, com versões fixa e móvel (802.16d e 802.16e). A expectativa em relação a essa tecnologia é grande. Tanto que vários fabricantes realizam testes no momento. O entusiasmo é justificável. Com taxas de transmissão que, teoricamente, chegam a 75 Mbps e alcance de até 50 quilômetros, o padrão WiMax é uma versão melhorada do Wi-Fi, já amplamente adotado na montagem de redes sem fio com alcance máximo de 100 metros.

Apoio nas listas de casamento

 “Em vez de ficar restrito ao espaço do hotspot, o usuário tem uma grande área de cobertura”, destaca Ronaldo Miranda, diretor de mobilidade e comunicação da Intel. A empresa realiza testes com o WiMax desde 2004, com o primeiro piloto realizado em Brasília. O projeto da Intel já envolveu testes em Ouro Preto (MG), Mangaratiba (RJ), Belo Horizonte (MG) e São Paulo, sempre em parceria com entidades de ensino e governos. “Por seu alcance, essa tecnologia tem grande potencial para projetos de inclusão digital”, destaca Miranda.

Segundo o executivo da Intel, o Brasil está no primeiro estágio da tecnologia, quando o acesso ainda é fixo. “A segunda fase, que é a da mobilidade, acontecerá em 2007 com a oferta de portáteis que incorporem a tecnologia WiMax do mesmo modo como acontece hoje com o Wi-Fi”, explica. Nesse estágio, o usuário poderá deslocar-se sem experimentar perdas de sinal. De acordo com dados da consultoria Maravedis, o Brasil terá 768 mil assinantes de serviços WiMax em 2010, 70% deles da tecnologia móvel, que possivelmente será predominante entre os usuários domésticos. A versão fixa encontrará maior espaço nas empresas.

O provedor de acesso à internet em banda larga Neovia, de São Paulo, que desde o início de sua operação no Brasil, em 2002, adotou a transmissão wireless por rádio, já oferece a opção de WiMax fixo. Os testes começaram há um ano e meio. Atualmente, um terço de seus 35 mil assinantes beneficiam-se da tecnologia. Suas antenas cobrem áreas de até 20 quilômetros e são instaladas em empresas ou condomínios com pelo menos 20 usuários. O edifício recebe, então, o equipamento que capta o sinal. Seus planos de acesso têm preços a partir de 39,90 reais e velocidade entre 300 Kbps e 32 Mbps (plano corporativo).

“O WiMax oferece benefícios muito grandes à operadora e ao consumidor, pois permite levar o sinal a locais onde não há oferta de banda larga por um preço viável”, destaca Mauricio Coutinho, presidente da Neovia. Sem ela, o Grupo Usiman, de São Paulo, teria enfrentado problemas. A companhia metalúrgica, que tem 65 funcionários, mudou-se para o bairro de Jurubatuba em dezembro de 2005 e não contava com opções de acesso à internet como ADSL ou cabo na região. “O acesso à web é muito importante para nossa empresa, pois recebemos pedidos por e-mail e nosso departamento financeiro faz pagamentos pela internet”, afirma Cássia Lira Portugal, gerente da área financeira do grupo, que é cliente da Neovia. No segundo semestre do ano, o provedor deve lançar a antena indoor, que permitirá a oferta individual do serviço de acesso à internet em banda larga sem fio. A Neovia também realiza testes com a versão móvel do WiMax, com previsão de oferta em pequena escala até o final do ano.

WiMax com pitadas de Wi-Fi

A Samsung, que se associou ao WiMax Fórum em 2004, “pulou” a etapa fixa da tecnologia e apostou suas fichas, desde o início, na versão móvel. “Nosso objetivo nessa iniciativa sempre foi a mobilidade”, explica Rufino Carneiro, gerente executivo comercial da Samsung. Em parceria com a provedora de serviços TVA, a fabricante pretendia realizar nos meses de maio e junho testes pré-comerciais com a nova plataforma. Segundo as empresas envolvidas, São Paulo deve ser a primeira cidade fora da Coréia do Sul a comercializar essa conexão de banda larga sem fio móvel. A idéia é avaliar a conexão em um ambiente densamente povoado, com a instalação de três células no centro de São Paulo e na região da Avenida Paulista. Com a nova tecnologia, as empresas esperam oferecer conexões de 3 Mpbs por usuário, mobilidade de até 120 Km/h, recursos como acesso à internet e funções de telefonia. Tudo ainda no segundo semestre de 2006.

Domínio nas grandes áreas

Segundo Brendan Conroy, analista de telecomunicações da consultoria IDC, a grande disputa entre as tecnologias wireless no Brasil nos próximos anos será travada entre o WiMax e a 3G (terceira geração), adotada pelas provedoras de telefonia celular. “Operadoras como Vivo, Tim e Oi já investiram em GSM/EV-DO. Para fazer o upgrade para 3G, basta que invistam em uma infra-estrutura que complemente a rede atual”, explica Conroy. De acordo com ele, para a implementação do WiMax, elas teriam de começar do zero, com novos equipamentos e treinamento de suas equipes. As tecnologias de banda larga utilizadas nos telefones celulares fazem parte da família WWAN (Wireless Wide Area Networks). Entre os representantes dessa categoria no Brasil estão o CDMA 2000 1xEV-DO, utilizado pela Vivo no serviço Zap
3G (veja quadro Conexão na estrada), que promete velocidade de transmissão de até 2,4 Mbps, e as tecnologias EDGE e GPRS, adotadas por operadoras como Claro e Tim, mas com velocidades máximas bem mais limitadas – até 384 Kbps e 115 Kbps, respectivamente. Em comparação com o Wi-Fi, as tecnologias de comunicação sem fio por celular são mais caras, mas muito mais práticas. Não é preciso “caçar” o hotspot mais próximo para navegar na internet, por exemplo. Desde que você esteja na área de cobertura, basta conectar a placa no notebook para ter acesso até mesmo de dentro de um carro em movimento.

Quando comparada ao WiMax móvel, a briga fica mais difícil para os celulares. Além da mobilidade, essa vertente da tecnologia WiMax anuncia maior alcance e velocidade de transmissão de dados.  “O WiMax é uma grande promessa,mas precisa demonstrar que, efetivamente, funciona”, avalia Celedonio von Wuthenau, diretor executivo para a América Latina do CDG (CDMA Development Group). Segundo ele, o padrão CDMA 2000 destaca-se pela qualidade de transmissão e já conta com 24 milhões de assinantes somente na América Latina.

Febre nos Estados Unidos, onde figura como o PDA mais vendido, o BlackBerry é uma das opções oferecidas no Brasil para quem quer estar sempre conectado. Lançado pela Tim para o mercado corporativo em janeiro de 2005, esse smartphone já está ao alcance do consumidor comum e das pequenas empresas, com planos mensais a partir de R$ 69,90 (o aparelho sai por 1.500 reais). O BlackBerry 8700g utiliza tecnologias GPRS e EDGE, com velocidade de conexão de até 200 Kbps. Não chega a ser um acesso rápido, mas é uma solução interessante de mobilidade. Com o aparelho e os serviços oferecidos pela TIM, é possível navegar na internet, receber e enviar e-mails e visualizar arquivos dos programas Excel, Word e PowerPoint, PDFs e imagens em JPG. A operadora cobre 2.360 cidades no Brasil, sem falar na opção de roaming internacional.

Grupo que reúne as tecnologias pessoais de curto alcance, a WPAN, sigla de Wireless Personal Area Network, inclui o Bluetooth (padrão 802.15.1), muito utilizado para a troca de dados entre dispositivos como celulares, handhelds e computadores. Seu raio de alcance é de cerca de 10 metros. Outro exemplo de WPAN é o ZigBee, formato compatível com o padrão 802.15.4 e apoiado por empresas como Motorola, Philips e Samsung. Com essa tecnologia será possível, por exemplo, controlar vários dispositivos e funções de uma casa, como ar-condicionado, sistema de iluminação ou de segurança. Ainda em fase de aprimoramento, o ZigBee oferece baixo consumo de energia (uma bateria dura mais de cem dias) e tem raio de alcance entre 10 metros e 100 metros. Apontada como a sucessora do Bluetooth, a UWB (Ultra Wide  Band) é uma plataforma ainda em fase de homologação. Os equipamentos que seguem as especificações UWB deverão proporcionar altas velocidades de transmissão – algo em torno de 500 Mbps – a uma distância de 4 metros. O padrão também promete grande capacidade de transposição de obstáculos que costumam refletir os sinais.

Mobilidade na agência

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