Estou fazendo minha visita ao pobre como se eu fosse socorrer o próprio Jesus?

Se a própria criação da SSVP se originou de uma visita domiciliar ao porão de uma pobre idosa parisiense; se a missão dos vicentinos consiste no contato corpo a corpo com o necessitado; não podemos imaginar um confrade ou uma consócia que não pratica essa caridade.

A Regra Vicentina nos lembra a respeito do importante tema com as seguintes letras: "Diz-se de bom grado atualmente que há no serviço ao próximo e, sobretudo aos mais pobres, uma espécie de "sacramento", que é a aproximação ao Cristo sofredor, presente nos pobres. Aí se situa o centro da espiritualidade vicentina".

O texto nos faz refletir: Como podemos ficar indiferentes com relação a esta grande oportunidade de retribuirmos a visita que Jesus nos faz quando comungamos a Santa Eucaristia? É de se lamentar, quando ouvimos de alguns presidentes de conferências algo assim: "na minha conferência há 12 membros, mas somente 04 fazem visitas, são sempre os mesmos".

Ora, se isto está acontecendo com freqüência, está na hora desses confrades e consócias reavaliarem suas vocações. Cabe nestes casos a intervenção dos líderes vicentinos, com muita habilidade, no sentido de ajudar e auxiliar os que ainda não entenderam o real significado da visita domiciliar semanal.

Diversas podem ser as causas dessa crise, tais como: falta de formação, ausência de oração e espiritualidade, incompreensão da Regra ou falta de vocação mesmo. É uma batalha árdua que requer auxílio caridoso do presidente da conferência em conjunto com os demais membros.

Vale destacar o disposto nas orientações complementares da Regra, alínea "c", pág. 72: "Embora se dedicando a outras formas de caridade, nenhum membro ativo da Sociedade, jovem ou não, está dispensado da visita domiciliar semanal ao assistido".

Dentro de uma célula vicentina há de existir uma perfeita unidade e equilíbrio na distribuição de responsabilidades. A caridade tem que estar focada no pobre, entretanto, ela não deve ficar ausente entre nós vicentinos. Por falar em responsabilidade, em nosso meio ela se converte em atos de fé e testemunho. Não se trata de obrigação, mas tudo tem que ser feito necessariamente por amor a Deus. A visita domiciliar semanal de cada vicentino tem para Jesus Cristo o mesmo valor da oferenda ofertada na Santa Missa.

Jamais podemos nos esquecer que muitas vezes o pobre irá ouvir e compreender o Evangelho através de nossas bocas. Vemos nisso uma enorme responsabilidade, ao mesmo tempo, uma sublime satisfação em poder fazer o mesmo que Nosso Senhor fez aqui na Terra.

Nesse sentido dispõe o Decreto "Apostolicam Actuositatem" nº 1.360: "Todo o exercício do apostolado deve buscar sua origem e força na caridade, mas há algumas obras que, por sua natureza, são aptas a converterem-se em expressão viva da mesma caridade, obras essas que o Cristo Senhor quis fossem sinais de sua missão messiânica". Peçamos a Deus: perdão por nossas omissões e busquemos Nele a nossa fonte de espiritualidade para continuarmos sermos dignos de serví-lo na pessoa dos pobres.

 

Autor: Confrade Cláudio Stucchi

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